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Meus pais me proibiram de escutar voce. O que fazer?

 


https://youtu.be/OGtK-Ef9Y2E

Você conta que é menor de idade, foi criado num lar cristão e agora entende que não deve congregar em uma denominação religiosa, como aquele que seus pais frequentam. Mas eles exigem que você os acompanhe à igreja que frequentam e também deixaram muito claro que você está "proibido de escutar o que o Mario Persona diz". O que fazer?

Bem, a resposta é até mais simples do que você poderia esperar: Obedeça seus pais. O que você acha que faria o Filho de Deus, Jesus, que veio a este mundo e teve aqui também seu tempo de criança e adolescente? Mesmo sendo Deus e Homem, ele precisou aprender algumas coisas, e obediência era uma delas. "Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu." (Hb 5:8).

Uma passagem que toda criança ou adolescente cristão deveria ter num quadro na parede é esta: "E desceu [Jesus] com eles [José e Maria] para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração. E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens." (Lc 2:51-52).

Pelo que você disse seus pais são cristãos, e a primeira direção nos caminhos do Senhor que você recebeu foi dada por eles, independente do grau de entendimento. Foram eles que fizeram como a mãe de Moisés, diante da ameaça de perder seu filho Moisés:"Tomou um cesto de junco, calafetou-o com betume e piche e, pondo nele o menino, largou-o no carriçal à beira do rio." (Êx 2:3). O objetivo era impedir que as águas mortais do Rio Nilo chegassem ao bebê, e foi este também o objetivo de seus pais enquanto calafetavam uma parede de separação entre você e a morte eterna, usando o betume e o piche do ensino da Palavra e das orações.

Você hoje é o que seus pais quiseram que você fosse, um cristão protegido da má doutrina e das perversões do mundo. Se os seus pais fossem feiticeiros, ou ateus, ou pagãos adoradores de alguma falsa divindade, eu não estaria dizendo o mesmo a você, que deve honrar e obedecer seus pais. Mas eu continuaria a dizer que deveria honrá-los. Existe uma diferença aí.

Citando o Antigo Testamento, Paulo escreveu aos Efésios: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa" (Ef 6:2) e aos Colossenses "Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor." (Cl 3:20). Não são a mesma coisa. Eu honro o presidente do país por causa da posição dele como autoridade sobre mim, mas o obedeço apenas naquilo que não entrar em conflito com a Palavra de Deus. O mesmo vale para os pais, caso eles venham a ordenar algo que levaria um filho a pecar.

Depois de emancipados, e ou casados, os filhos já não devem obediência aos pais, já que constituíram uma nova unidade familiar na qual o marido é a cabeça e, portanto, a autoridade. Mas, apesar de não ser mais uma questão de obediência, continua sendo uma questão de honra: Os pais devem ser honrados, independente de serem bons ou maus.

O princípio aqui é o mesmo que rege nossa relação com as autoridades que estão sobre nós, seja no governo, na escola ou no trabalho, mesmo quando isso nos traz danos e sofrimentos. Lembre-se de que, se Jesus, o Criador, era submisso a seus pais, que eram suas criaturas, por que nós acharíamos que podemos fugir a esse princípio de reconhecer e honrar a autoridade?

"Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus." (1 Pe 2:17-19).

A Bíblia ensina que os filhos sempre devem ouvir e considerar os conselhos dos pais (uma boa leitura é o Livro de Provérbios), pois o natural é que eles tenham maior experiência de vida, mesmo aqueles que são incrédulos. Então, em questões como educação formal, saúde e cuidados é sempre bom ponderar o que nos ensinam nossos pais. E como você teve o privilégio que poucos tem, de ter nascido num lar cristão e ter sido educado nas Sagradas Escrituras, não considere isso de pouca importância.

Talvez por seus pais terem proibido você de assistir meus vídeos ou ler meus textos minha reação natural fosse para fazer essas coisas à revelia de seus pais. Mas não. Uma das características dos últimos dias é que "...haverá homens amantes de si mesmos... presunçosos, soberbos... desobedientes a pais e mães, ingratos..." (2 Tm 3:2). Você certamente não deseja isso para si, não é?

Deus estabeleceu uma ordem na Criação, e esta ordem inclui a obediência à autoridade. Um dos sinais do caos em que se transformará este mundo é a queda das estrelas descrita em algumas passagens do livro de Apocalipse. Quando Deus criou todas as coisas colocou os astros e estrelas para governarem a partir dos céus, e todos os dias seguimos esse governo do sol, da lua e das estrelas para termos uma vida saudável e bem ordenada. Em Apocalipse a linguagem é simbólica e estrelas ali representam aqueles em posição de autoridade. Quando as estrelas são destronadas, só resta o caos e a anarquia.

A ordem que Deus estabeleceu começa com Deus, Cristo, o homem e a mulher, vindo abaixo deles (não significa ordem de importância, mas hierárquica) os filhos, netos etc. Na escola e no trabalho também há uma ordem que deve ser respeitada, entre professores e alunos, patrões (senhores) e empregados (servos). Enfim, em todas as esferas da sociedade encontramos essa ordem, pois temos presidentes, juízes, delegados, policiais, professores. Sempre existe alguém a quem eu devo me sujeitar.

Para a ordem no lar e na igreja, Paulo escreve: "Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo... As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido." (1 Co 11:3; Ef 5:22-24).

Pelas outras passagens, como filho adolescente, você já percebeu que está na ponta de baixo dessa pirâmide e talvez nem de um irmão mais novo possa exigir respeito. Sempre existe a possibilidade de você comprar um cãozinho e assim governar sobre ele. Mas voltando ao que ensinam as Escrituras, uma boa ideia seria você se submeter aos seus pais como a Palavra de Deus ordena que mulheres crentes se submetam a maridos incrédulos: "Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor." (1 Pe 3:1-2).

Alguns pontos importantes desta passagem, que apesar de ser dirigida às esposas, também servirá para você como princípio de submissão: Primeiro, a mulher deveria enxergar sua submissão não como algo que estaria fazendo para com o marido, mas para o Senhor. "Sejam submissas... como ao Senhor". Segundo, ela ela faria isso por reconhecer o senhorio de Cristo, ou seja, o poder do Senhor sobre nossa própria vontade na ordem que Deus estabeleceu na criação.

A arma mais poderosa que você tem para mostrar a seus pais que está levando muito a sério a Palavra de Deus será pelas suas atitudes para com eles. Eles exigem que você os acompanhe aos cultos da igreja que frequentam, mesmo você sabendo que há muitas coisas erradas ali? Obedeça seus pais e deposite a responsabilidade na conta deles. De você Deus irá cobrar obediência a seus pais, e deles obediência à Palavra no modo e lugar onde devem congregar como cristãos que professam ser.

Talvez você alegue que ir aos cultos e ficar vendo os erros cometidos ali ou a má doutrina pregada pelo pastor só aumentam seu sofrimento. Mas não é exatamente isto que estava previsto para os que desejassem andar em fidelidade para com o Senhor? Embora seus pais sigam esse caminho pelo entendimento que eles têm do que seja seguir a Cristo, você também tem a mesma consciência para com Deus dentro do entendimento que o Espírito Santo lhe deu recentemente.

"Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome." (1 Pe 4:14-16).

Então volto a dizer: Obedeça seus pais. Não se preocupe que o Senhor saberá livrar você dos erros e enganos que possa ver ou ouvir nos cultos. Felizmente você terá sua Bíblia com você e poderá aproveitar aquele momento para se ocupar com a Palavra de Deus diretamente vinda dele, sem passar pelo homem que ocupa o púlpito. Deus lhe dará crescimento, pois "nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento." (1 Co 3:7).

Eu e outros irmãos crescemos na fé sem assistir aos vídeos desse tal "Mario Persona" :) Você tem a Bíblia, tem o Senhor e é habitado pelo Espírito Santo, portanto está muito bem equipado e assessorado. Se os seus pais foram específicos quanto ao nome do autor dos textos e vídeos, como parece ter sido o caso, existem muitos outros autores que congregavam ou congregam ao nome do Senhor de quem você pode ler ministério. Existem também outros irmãos fazendo um trabalho semelhante com textos, áudios e vídeos, e muitos deles conhecem a Bíblia melhor do que eu.

Seus pais pensam estar agindo corretamente e buscam o seu bem. Apenas não entendem, mas ao menos estão preocupados com sua vida. Como filho menor e dependente você deve se sujeitar a eles, obedecê-los e honrá-los. Quando eu tinha vinte e quatro anos, era recém convertido e já estava casado, estava congregando com os batistas, depois de ter ficado cerca de um ano indo à missa, e isto já depois de convertido a Cristo e com certeza de minha salvação pela fé.

Em uma visita à minha cidade natal, soube dos irmãos que congregavam somente ao nome do Senhor, e também que era lá que a cabeleireira de minha mãe congregava. Então pedi à minha mãe se ela poderia ligar para a cabeleireira e pedir o endereço da "igreja" que ela frequentava. Aquilo tocou um alarme na cabeça de minha mãe, que era católica e ficou muito preocupada com meu pedido.

Ela sugeriu que eu continuasse indo à Igreja Batista, pois até o padre havia dito a ela que não tinha problema. Sim, preocupada comigo, ela tinha ido consultar o padre quando saí do catolicismo. Ir a um templo de uma religião que todos conheciam era para ela mais seguro do que ir a uma reunião sem nome (o que é, na verdade, um erro, pois existe sim um Nome em torno do qual estamos reunidos, o Nome de Jesus). Além disso, como em Limeira as reuniões se iniciaram nos anos setenta com uns jovens cabeludos, o povo dizia que aquele pessoal levava maconha na Bíblia e se reuniam para fumar!

Bem, minha mãe acabou cedendo à minha insistência, ligou para a cabeleireira, fui a uma reunião, e achei um verdadeiro tédio comparada aos cultos evangélicos. Porém alguns meses mais tarde o Senhor me mostraria pela Palavra que eu deveria estar congregado no lugar onde o Senhor colocou o seu Nome no centro de tudo, e não numa denominação religiosa.

Anos mais tarde meus pais estariam convertidos e também congregando ao nome do Senhor, até partirem para a presença daquele que os salvou. Antes disso chegaram até a construir um salão para s reuniões que tanto prezavam. Então não subestime o que o Senhor pode fazer com seus pais. Submeta-se a eles agora e ore para que eles se submetam à Palavra de Deus depois.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 



Voces nao dizem glorias e aleluias?

 


https://youtu.be/dz5tU3-k5ew

Você foi a uma reunião de irmãos congregados somente ao nome do Senhor, e além de perceber que não havia um pastor à frente, mas dois ou três falavam (1 Co 14:29), que as irmãs não falavam (1 Co 14:34), não havia banda, orquestra ou artista se apresentando (Cl 3:16), e não lhe foi pedido dinheiro (3 Jo 1:7), chamou sua atenção o fato de ninguém ali estar gritando "GLÓRIA!" e "ALELUIA!". Aí você perguntou se não poderia clamar "Glória a Deus!" ou "Aleluia!" se assim sentisse em seu coração.

O fato de você sentir vontade de fazer algo durante a reunião da igreja não significa que esse sentir tenha vindo do Espírito. Pode ter vindo de sua carne, das emoções ou de um condicionamento religioso que recebeu durante anos em alguma denominação católica ou evangélica. Numa reunião da igreja ou assembleia "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14:32), e Deus exige de nós um "culto racional" (Rm 12:1), isto é, inteligente e no total domínio de nosso corpo e emoções.

Além disso, o mesmo capítulo que traz instruções precisas sobre as reuniões a partir da frase "Que fazer, pois, irmãos?Quando vos reunis..", também nos admoesta: "Faça-se tudo decentemente e com ordem." (1 Co 14:40). Ninguém consideraria ordem um lugar onde todos ficam gritando palavras às vezes até encobrindo a voz do que fala ou faz uma oração. Meus pais me educaram a não interromper ou atrapalhar a fala de alguém, mas esperar atento a pessoa terminar de falar.

Alegar que devo seguir meus sentimentos e emoções, que criam em mim a vontade de gritar um "GLÓRIA A DEUS!" durante uma reunião, mesmo que isso cause uma interrupção no andamento de uma pregação ou oração, não tem fundamento. Não devemos deixar que o corpo e as emoções nos controlem, mas sim que o Espírito Santo faça sua comunicação com o nosso espírito, o qual irá se manifestar através de nossas faculdades racionais. Se considerar que somos "espírito, alma e corpo" (1 Ts 5:23), não é à toa que a Bíblia sempre fala nesta ordem, pois o espírito do homem é sua porção mais elevada.

O corpo, e nossa boca que faz parte dele, deve agir comandado por nosso ser racional, não pelo ambiente que nos cerca ou pelas emoções que esse ambiente possa produzir em nós. Emoções são produzidas na alma, que pode ser influenciada pelo ambiente através do corpo, mas é com nosso espírito que o Espírito Santo irá tratar quando estamos em comunhão com o Pai. "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus." (Rm 8:16).

Pense na alma como o meio de campo entre o corpo e o espírito. Os sentimentos que ela expressa podem tanto ter sido gerados pelo corpo como pelo nosso espírito, o qual tem ligação com o Espírito Santo que habita em nós. Quando as emoções são geradas pelo corpo ou pelo ambiente que afeta o corpo, são emoções carnais. Quando geradas pelo espírito motivado pelo Espírito Santo são emoções de outra natureza, espirituais.

Já percebeu o que acontece quando você vai a um lugar e está tocando uma música bem ritmada e sem perceber você começa a acompanhar o ritmo como o pé ou a balançar o corpo? Nosso corpo de carne tem essa característica de copiar o ambiente externo, de entrar no seu ritmo e compasso. Pode ser que esteja ouvindo uma melodia deprimente, e ainda que você não saiba a razão, sai dali deprimido, pois uma melodia mexe com a emoção.

Mas se for a letra que mexeu com você então ela mexeu com aquilo que é mais elevado em você, o seu ser inteligente e que possui um espírito, que é sua parte mais elevada e que pode ter comunhão com Deus. Então entenda que nosso culto a Deus é racional, e não emocional ou embalado pelo corpo de carne e pelos sentidos que nele habitam. "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12:1).

Quando estamos congregados ao nome do Senhor estamos no total controle de nossos sentidos, e em submissão ao Espírito Santo, que nunca irá nos dirigir de uma maneira que contradiga sua Palavra. Até mesmo os que falam (profetizam, ou seja, falam da parte de Deus), não fazem isso como se estivessem em um transe mediúnico que não conseguem controlar. E nem atropelam o que está falando, porque isso não estaria dentro da ordem indicada na doutrina dos apóstolos.

"Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; porque Deus não é de confusão, e sim de paz." (1 Co 14:31-33).

Quando alguém ministra ou ora numa reunião, todas as atenções são dirigidas à pessoa que fala, ou para entender e assimilar o que é dito, ou para poder dizer o "Amém" no final, se for uma oração, expressando sua concordância com o que foi orado. Então se você der um grito "GLÓRIA A DEUS! ALELUIA!", para quem todos irão dirigir o olhar e a atenção? E se todos fizerem isso ao mesmo tempo, como os outros poderiam entender o que está sendo dito? Nem o que está gritando seus "GLÓRIAS! ALELUIAS!" será capaz de ouvir, nem os demais, porque a reunião irá se transformar numa algazarra com um querendo gritar mais alto que o outro. Ninguém sairá ganhando com aquilo, e o resultado será o contrário do que a Palavra ensina: "Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação." (1 Co 14:3).

Quando você entender que essa balbúrdia toda dos cultos pentecostais nada mais é do que carne e desejo de promoção pessoal, com as pessoas competindo para mostrar quem grita mais ou tem o dom mais impactante, irá entender também a razão da ordem determinada nas epístolas dos apóstolos. Infelizmente a cristandade foi contaminada pelo movimento pentecostal que só trouxe desordem e fez de Cristo motivo de zombaria entre os incrédulos.

Você chamaria uma reunião de cristãos bem ordenada se estiverem todos gritando ao mesmo tempo? Talvez isso possa funcionar num pregão da bolsa de valores, mas não é isso que buscamos quando reunidos. Estamos ali para ter nossa atenção dirigida somente a Cristo, que deve ser o foco também dos que estão ministrando, que não falam de si mesmos, mas de Cristo. Não estamos ali para escutar gritos sem qualquer entendimento. Quando falta discernimento, quem toma o controle da situação é a carne. "Tudo, porém, seja feito com decência e ordem." (1 Co 14:40).

Uma vez alguém contou que foi numa igreja pentecostal e o pastor que pregava usava as bombas atômicas que incineraram milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki para fazer uma comparação do juízo de Deus. Essa pessoa, que me contou de sua visita àquele local, disse que nunca tinha visto coisa mais absurda e insana. Segundo ela a pregação era mais ou menos assim:

Quando o pastor disse, "E quando a bomba atômica explodiu sobre Hiroshima morreram 150 mil pessoas!", o povo todo animado começou a gritar, "ALELUIA! GLÓRIA A DEUS! LOUVADO SEJA! OBRIGADO, SENHOR!". Então o pastor continuou: "E a bomba que caiu em Nagasaki queimou 80 mil pessoas!", e as pessoas acharam aquilo o máximo, gritando: "OH! GLÓRIA! ALELUIA! DEUS SEJA LOUVADO!". Não, o meu amigo não estava num hospício, ele estava no templo de uma igreja pentecostal vendo o que acontecia ali e acontece em muitas outras.

Entendo que as reuniões da Igreja devam ser para glorificar a Deus e não ao homem. Para exaltar a Deus e edificar os homens existem atividades, como o ministério da palavra. Será que na doutrina dos apóstolos você encontra algo do tipo: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros deem glórias, aleluias, louvado seja etc.."? Absolutamente, não! Isso até parece um versículo, mas não é. O que diz em 1 Coríntios 14:29 é: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem.". Você já perdeu um gol de seu time preferido porque alguém desviou sua atenção justo naquele momento? Assim também, como você poderia julgar o que está sendo falado se não estiver atento às sua palavras, mas ficar gritando ou ouvindo gritos de outros ao seu redor?

Então a questão é: Como os outros poderão julgar enquanto estão gritando "ALELUIA! GLÓRIA A DEUS!"? E como os ouvintes poderão acompanhar calmamente o raciocínio de quem ministra com um gritão desses ao seu lado berrando como um desvairado sem entendimento e querendo aparecer? Se não bastasse importunar os presentes, em algumas dessas reuniões ainda colocam microfones e caixas acústicas voltadas para a rua para importunar os vizinhos. Deus não é surdo e tenho certeza de que se você glorificá-lo em seu coração ele irá ouvir. Quanto aos vizinhos, eles irão fechar portas e ouvidos da próxima vez que tentar falar de Cristo a eles. Até um incrédulo tem mais discernimento neste sentido.

Quando o assunto é oração, um ora, e no final todos prestam atenção no que está sendo pedido e dão o "amém", concordando com aquela oração. Se todos oram ao mesmo tempo ninguém vai entender nada e nem ser capaz de dizer amém com entendimento. O contrário deve ser feito na hora de cantar hinos. A igreja não está reunida para apenas um cantar e os outros ouvirem e aplaudirem. Todos devem participar conjuntamente dos cânticos, a uma voz. A reunião da igreja não é um show de TV com platéia, é o corpo de Cristo reunido para Cristo, não para a exaltação do pregador, de uma banda ou artista.

"Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração... Para que concordemente e A UMA VOZ glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo." (Cl 3:16; Rm 15:6).

Este último versículo fala muito bem de como o louvor deve ser em uníssono, ou seja, com todos participando com suas vozes para formarem "uma voz". Quando cantamos estamos louvando e glorificando a Deus a uma voz, ou seja, em conjunto. Quando se trata do ministério da Palavra ou da oração, um fala e os outros escutam.

A reunião é da igreja ou assembleia, o que equivale dizer do conjunto. Não é cada um por si, fazendo o que bem entende porque sentiu que devia fazer, e muito menos dando berros de "ALELUIA! GLÓRIA A DEUS", mas é um exercício conjunto e uniforme. Até mesmo as irmãs, que cantam mas são ordenadas a permanecerem caladas no falar, participam com suas orações silenciosas pelos irmãos que estão ministrando, ou dizendo o amém para concordar com o que foi trazido em oração por algum varão. Tudo "com decência e ordem".

O movimento pentecostal introduziu no ministério, louvor e adoração muita coisa para inflar o ego, e não raro você vê gente se gloriando deste ou daquele dom (geralmente os mais barulhentos são mais valorizados), ou exaltando este ou aquele pastor ou missionário. Em alguns lugares, para exaltar o cantor ou a banda fingem não estar exaltando o cantor ou a banda, quando o pastor ordena, ao final do número musical, "Uma salva de palmas para Jesus". A quem pensam que estão enganando?

Então entenda de uma vez por todas que, segundo a doutrina dos apóstolos para a igreja, no louvor cristão todos se sentam na plateia e no palco só fica Jesus. E no ministério também, porque quem ministra tem o dever de dirigir os corações a Cristo, e não aos seus feitos, suas conquistas, sua prosperidade e coisas do tipo. E nem apelar para a gratificação dos sentidos e a avareza e ganância da carne, como vergonhosamente faz a nova safra de pregadores pentecostais, geralmente chamados de neo pentecostais. Nesses púlpitos o apelo não é muito diferente daquele que o diabo fez a Jesus na tentação, oferecendo a ele "todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares." (Mt 4:9)

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 



O pao da ceia do Senhor deve ser sem fermento?

 


https://youtu.be/-icEA4sijOY

Você escreveu dizendo que um irmão se recusou a participar da ceia do Senhor porque não aceita participar se o pão tiver fermento. Ele deve ter aprendido isso do meio religioso de onde saiu ou de algum vídeo de teorias conspiratórias. Apesar de Jesus ter muito provavelmente utilizado pão asmo quando instituiu a ceia com seus discípulos, não podemos perder de vista que aquela ceia foi celebrada dentro de um contexto judaico, e em meio à celebração da Páscoa.

 A ceia que hoje celebramos não é exatamente aquela, pois ali Jesus ainda estava vivo, mas a que o Senhor revelou a Paulo e este explicou em sua Carta aos Coríntios. As instruções são bem simples e poderiam ser colocadas em prática por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, considerando que "pão" é um alimento quase universal. Mesmo em culturas onde o trigo não fosse ainda comum, existiam alimentos que poderiam ser tomados como sendo pão feito de outros grãos. É comum a Bíblia especificar o tipo de pão, como quando fala de "pães de cevada" (Jo 6:9) ou "pães asmos" (Gn 19:3), "pão branco" (Gn 40:16), mas aqui o apóstolo fala simplesmente "pão".

"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co 11:23-26).

A assembleia em Corinto era uma formada principalmente por gregos vindos do paganismo, onde pães sem fermento não tinham qualquer significado e nem eram utilizados regularmente como nas cerimônias judaicas. Mas existe um argumento mais simples para demonstrar que não faz sentido exigir que o pão seja sem fermento, mesmo porque o vinho da ceia é fermentado e nem poderia deixar de ser, ou não seria vinho.

Se os irmãos em uma determinada localidade decidirem usar pão sem fermento na ceia, que usem, mas não como forma de doutrina que os impeça de participar da ceia em comunhão com irmãos congregados em outra localidade que utilizem pão comum. E nem os de outro lugar iriam deixar de participar ali por ser pão asmo.

Uma vez eu e um irmão norte americano partimos o pão com um casal em outro país, e o irmão ali tinha alguns costumes diferentes em relação ao pão. Ele achava que não podia nem ter fermento e nem ser assado. Então partimos o pão que ele fez no sol, algo que em nada lembrava um pão, mas não reclamei, pois sabia que quando ele visitava alguma assembleia em outro lugar aceitava comer o pão que era colocado na ceia.

A assembleia de irmãos congregados ao nome do Senhor tem autoridade delegada por ele para decidir como e com quê preparar a ceia, desde que não fuja dos princípios simples da Palavra. O mesmo pode-se dizer de pão sem glúten, ou sem lactose, que alguma assembleia possa decidir adotar por alguém ali ser alérgico.

Até mesmo o vinho uma assembleia pode preferir usar um tipo sem álcool (hoje comum no mercado) se algum irmão não puder sequer tocar em bebida alcoólica. Participei de uma conferência nos Estados Unidos onde os irmãos alugaram um ginásio de esportes de uma escola para as reuniões. Como a legislação lá não permite introduzir álcool nas escolas, a ceia foi feita com pão e suco de uva.

A pergunta que deve ser feita é a seguinte: É um pão? Se for um pão, e não mais de um, independente dos ingredientes utilizados no seu preparo, isso atende à ordenança: "O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?" (1 Co 10:16). "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão... Porque todas as vezes que comerdes este pão... Portanto, qualquer que comer este pão... Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice." (1 Co 11:23-28). "Pão, pão, pão". Você viu alguma vez ele mencionar o tipo de pão? Não, então que seja simplesmente pão inteiro, independente do tamanho, e não uma fatia ou uma bolacha ou biscoito.

Alguns usam a passagem a seguir como justificativa para o uso de pão sem fermento:

"Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." 1 Co 5:6-8

O fermento é um tipo ou figura do pecado, porém a passagem não está se referindo ao tipo de pão utilizado na Ceia, mas à condição das pessoas, que devem estar sem o fermento da maldade e da malícia, mas celebrando com os "asmos" da sinceridade e da verdade. Fica fácil entender que o apóstolo não está se referindo ao tipo de pão. Tente ir à padaria e pedir ao padeiro um pão sem "maldade", sem "malícia" e recheado de "sinceridade" e "verdade". Ele não irá entender, pois esses são atributos de seres humanos, não de pães.

O pão utilizado na Ceia é uma figura do corpo de Cristo e creio que um pão, fermentado ou não, cumpre o seu papel perfeitamente. Os detalhes importantes são que seja pão e que seja um. Não é a qualidade ou característica dos símbolos utilizados na Ceia que importa, mas o seu significado. Se o que está sobre a mesa é reconhecido pelos presentes como pão e vinho, está resolvido o problema. Todos poderão olhar para os símbolos e lembrar do Senhor, e vendo o vinho separado do pão, verão morte, assim como o sangue de Jesus foi separado de seu corpo quando seu lado foi furado pela lança do soldado.

Não devemos fazer algo que possa causar divisão entre os irmãos, principalmente quando é algo que não tem qualquer fundamento bíblico. "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer." (1 Co 1:10).

Um único pão representa a unidade e integridade do corpo de Cristo, pois este é também um dos simbolismos da ceia: "Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão." (1 Co 10:16-17). Enquanto o pão, ainda inteiro, representa a unidade do corpo de Cristo, ao parti-lo estamos expressando sua morte.

Também vemos que o cálice era de vinho, e neste caso não há qualquer referência a ser um único cálice, pois vinho é líquido e sozinho não forma unidade. Ainda que se utilize mais de um cálice, a comunhão no tomar do cálice, isto é, compartilhá-lo com mais irmãos, é o que importa naquele momento.

Seria compreensível se em condições peculiares os irmãos decidissem substituir o pão comum de trigo por outro feito com outros ingredientes. Se os irmãos estão numa selva ou em um país em guerra, é possível improvisar um pão usando diferentes ingredientes, como fécula de mandioca ou batata. O mesmo pode ser dito do vinho, em cuja falta possa ser utilizado um "vinho" feito de algum suco de fruta ou artificial. O Senhor iria compreender serem medidas emergenciais. Mas se existem os elementos disponíveis, como é o caso em nosso país, mudar para ser diferente seria um erro, e insistir que outros adotassem a mudança poderia causar uma divisão.

Em seu livro "1 Coríntios - A manutenção da ordem na assembleia local" Bruce Anstey comenta:

"Alguns questionaram se o pão deve ser feito com ou sem fermento para o partimento do pão. Na época em que o Senhor instituiu a festa da lembrança, certamente era o pão sem fermento que usavam, porque os Judeus não deviam ter nada fermentado em suas casas na Páscoa (Êx 13:7). O Senhor certamente teria mantido a ceia da Páscoa de acordo com as Escrituras. Mas, lembremo-nos de que quando Ele instituiu a Ceia do Senhor, ainda era em um ambiente Judaico. Isso foi para os discípulos Judeus que esperavam o estabelecimento do reino na Terra (Mt 26:26-30). Não tinha seu significado Cristão naquela época. O ministério de Paulo, neste capítulo 11 de 1 Coríntios, coloca-a em seu apropriado lugar Cristão e dá a ela seu significado Cristão. No Grego, a palavra “pão” (artos) (v. 17) implica pão crescido com fermento – levedura. Pão sem fermento (azumos) nunca é traduzido como um “pão” (artos) no Novo Testamento. Uma vez que Paulo fala do pão usado na Ceia como um “pão” (artos) é bastante aceitável usar pão fermentado no partimento do pão." - Bruce Anstey

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 


Por que voce insiste que o cristao nao deve se envolver com politica?

 


https://youtu.be/vcqCj5zOCBY

Você viu a mim e a outros cristãos dizendo que cristãos não deveriam se envolver em política, tanto na busca por um cargo eletivo, como também na escolha de políticos para cargos públicos. É normal que isso cause estranheza até em outros cristãos, tamanho é o condicionamento que recebemos da sociedade que nos cerca. Mas não devemos nos esquecer de que, depois de salvos por Cristo, não somos apenas transformados e feitos aptos para o céu, como também passamos a ter uma outra visão do mundo em redor, para o qual passamos a ser estrangeiros.

A carta de Paulo aos Gálatas fala de morte. Depois de estarmos mortos para Deus, que é a condição natural de todo ser humano que vem ao mundo e traz em si o pecado de Adão, ao nascermos de novo e sermos feitos nova criação em Cristo Jesus, passamos para a condição de mortos para o mundo. E isso faz de nós uma raça alienígena aqui, pois entendemos que agora somos cidadãos, não da terra, mas do céu.

"O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo... E [Cristo] vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo [a opinião pública], segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,  Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Gl 6:14; Ef 2:1-6).

"Não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus... Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória... Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." (Rm 2:2; Cl 3:1-4; Fp 3:20-21).

Uma coisa pouco compreendida pela maioria dos cristãos é a cidadania celestial. Muitos dos que trazem as tradições de igrejas católicas, evangélicas ou protestantes foram condicionados por uma das doutrinas da Teologia do Pacto, que é a de preparar o mundo para Cristo vir reinar. No século 19 o Senhor levantou alguns irmãos para trazerem à tona verdades que haviam sido esquecidas ou estavam soterradas debaixo do entulho doutrinário católico e protestante. Não foi nenhuma nova revelação, mas apenas a restauração de verdades já reveladas na Palavra, como já tinha sido o caso com a verdade da justificação pela fé, desentulhada pelos reformadores séculos antes.

Dentre essas verdades estava o entendimento de que Israel e Igreja são povos distintos e com diferentes promessas. Ao contrário do que pensa a maioria das religiões católicas e protestantes, a igreja não é uma versão 2.0 de Israel, e sim algo totalmente novo e destinada ao céu, não à terra. Outra verdade é que a profecia bíblica é literal, e não simbólica como querem os seguidores da Teologia do Pacto, portanto todas as promessas feitas a Israel, de vida longa e prosperidade terrenas, se cumprirão literalmente no reino literal de mil anos de Cristo aqui na terra. Enquanto isso a Igreja estará desfrutando, literalmente também, de suas promessas que estão nos lugares celestiais, não na terra.

Por faltar esse entendimento muitas religiões acreditam que o que valia para Israel valeria agora para a Igreja, e esta precisaria cuidar de melhorar o mundo para receber o Rei Jesus (que por sinal nunca foi Rei para a Igreja, mas apenas para Israel e as nações). Visando essa ocupação cristã do mundo, os membros dessas religiões procuram participar de todas as áreas da sociedade, filiando-se a partidos, concorrendo a cargos públicos, e votando em políticos cristãos.

No Brasil, a CNBB, Comissão Nacional de Bispos do Brasil, de um lado, e a Bancada Evangélica do outro, cuidam de manter viva a relação religião-estado. Esquecem que o estado é laico e que esse desejo da cristandade de estar "onde está o trono de Satanás" (Ap 2:13) foi o que levou o testemunho cristão a ser corrompido, começando nos tempos do imperador Constantino.

Você reclama dessa insistência minha e de outros irmãos neste assunto, mas é para isso que serve o ministério cristão, "para edificação, exortação e consolação" (1 Co 14:3). A Tito, Paulo admoestou que, "renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.", e para que não ficasse dúvida quanto a essa posição de separação do mundo, completou enfaticamente: "Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze." (Tt 2:12-15).

Você diz que se ninguém participasse do processo eletivo não teríamos governo e autoridades, e aí não teríamos como obedecer a Palavra que nos diz para nos sujeitarmos às autoridades constituídas. Não se preocupe, os assuntos de Deus não encontram impedimento algum, e ele sempre cuidará para que sua vontade prevaleça e sua Palavra seja cumprida. Você se lembra de quando o Senhor disse que se as pessoas se calassem as pedras clamariam?

"E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão." (Lc 19:37-40).

Portanto nem se preocupe. Ninguém pode frustrar os planos de Deus. "Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido" (Jó 42:2). Veja como Deus sempre cuidou de tudo ao longo da história. Quando os judeus abandonaram o Senhor ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, um rei gentio. A partir daquele momento Israel perdia a chance de ser cabeça entre as nações e se tornaria cauda. Os expoentes da sociedade judaica passariam a habitar no palácio de Babilônia, como foi com Daniel e seus amigos, para serem integrados à cultura, religião e costumes dos caldeus.

Enquanto isso Deus colocava o governo do mundo nas mãos dos gentios, começando por Nabucodonosor, a cabeça de ouro da estátua com que sonhou, e descendo em posição e qualidade de materiais para prata, bronze, ferro e finalmente ferro misturado com barro. Essas partes da estátua descrita no capítulo 2 de Daniel representavam os diferentes reinos que dominariam sobre o mundo, até chegar ao último que simboliza a democracia, o barro da humanidade misturado ao ferro do poder. É este o tempo em que vivemos, naquele sistema de governo que Platão definiu como sendo a "tirania da maioria" ou "tirania das massas", da qual o socialismo é apenas mais uma roupagem mais populista.

Um cristão aferrado à Teologia do Pacto, que não entenda o Dispensacionalismo provavelmente não irá entender sua cidadania celestial e os princípios de como deve agir em relação à política deste mundo. Acabará também perdendo muito do entendimento de outros aspectos das Escrituras, pois todas as coisas estão interligadas. Para abotoar o botão seguinte de sua camisa você precisa se certificar de que o botão anterior esteja na casa certa, ou sua camisa ficará torta como o entendimento que os seguidores da Teologia do Pacto têm da profecia e do lugar do cristão neste mundo.

Quando você lê o ministério de irmãos congregados ao nome do Senhor no século 19 percebe que eles não só estavam à parte de todo o sistema religioso, mas também à parte de todo sistema político, não participando de eleições, seja como candidatos, seja como eleitores. Eles, e muitos cristãos hoje que entendem essa separação, poderiam muito bem ser identificados com o termo usado nos Estados Unidos para cidadãos não americanos que residam no país. São chamados de "Resident Aliens" ou "Estrangeiros Residentes". Eu gosto particularmente do termo "Alien" porque lembra Alienígena, e á isso que o cristão é neste mundo: um E.T. que todos os dias pega o telefone da oração e liga para seu país, com saudade de casa e esperando ser tirado daqui a qualquer momento.

Infelizmente nos tempos em que vivemos existem princípios para o cristão que são totalmente desconhecidos e repudiados até por irmãos espalhados pelas denominações religiosas. Verdades como a da vocação celestial do crente em Jesus, da diferença entre Israel e Igreja, da unidade do Corpo de Cristo e do arrebatamento da Igreja são rejeitadas e até ridicularizadas por aqueles que professam ser cristãos. Inclua aí o fato de estarmos congregados somente ao nome do Senhor, algo em grande parte inaceitável pela cristandade. Já tentou explicar a um cristão denominacional que as mulheres devem permanecer caladas nas igrejas? E se disser que elas devem cobrir a cabeça quando oram ou falam da Palavra, já viu a reação?

Então não se espante se cristãos (nem falo de incrédulos aqui) acharem bizarra a ideia de não participarmos da política. Eles foram condicionados a pensar em cristianismo como uma religião que deve conquistar o mundo e prepará-lo para Cristo voltar. Foi isso que séculos de Teologia do Pacto fez com suas cabeças, portanto a menos que tenham seu HD mental formatado para instalar um sistema operacional bíblico não-denominacional, vão custar a entender. "Sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm 2:2).

Você já deve ter percebido que até mesmo questões morais, como as relacionadas às relações sexuais fora do casamento ou entre pessoas do mesmo sexo, que antes eram repudiadas por todos os cristãos, hoje são aceitas por uma grande parcela da cristandade. E assim será com muitas outras doutrinas e princípios bíblicos, que vão sendo abandonados mais e mais até se implantar a completa apostasia e se manifestar a Babilônia, a Grande Meretriz ou sistema religioso que precederá a vinda de Cristo para julgar as nações.

Você reparou que Daniel e seus amigos eram jovens judeus que desejavam se manter puros e obedientes a Deus rejeitando o "alimento" e os costumes de seus captores? Reparou também que a nação dos que desejavam injetar naqueles jovens sua língua, cultura, costumes e até alimentos tinha o mesmo nome da cristandade apóstata que irá se levantar no final? Babilônia foi para onde Daniel e seus amigos foram levados, e Babilônia é o nome da Grande Meretriz de Apocalipse, aquela que causou espanto em João quando a viu, pois esperava ver uma Noiva e viu uma prostituta vendida e corrompida pelos costumes do mundo.

"Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição. Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA. Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto." (Ap 17:4-6).

Em nosso país a política está intimamente ligada à democracia, que é louvada por todos como a última bolacha do pacote em termos de sistema de governo. Esta é prima do socialismo, que também é um sistema fundamentado no homem como senhor de seu próprio governo. E realmente a dupla democracia-socialismo é a última bolacha do pacote, porque é este o sistema que o Senhor destruirá em sua vinda, a falsa liga do barro com o ferro encontrado nos pés e dedos da estátua da profecia de Daniel. Barro nos fala de humanidade, ferro de poder, e democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo (nesta ordem ou não), chamada por Platão de "tirania da maioria".

"Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre." (Dn 2:43-44).

A questão é: Você quer realmente endossar tudo isso? Quer participar em TUDO o que diz respeito a Babilônia, como Nabucodonosor queria que Daniel e seus amigos participassem? Ou quiçá aproveitaria melhor seu tempo e testemunho permanecendo separado da política deste mundo? Talvez seja melhor, enquanto estiver aqui, ir só até onde for necessário para o tempo de sua breve estadia neste planeta, e deixar para os terráqueos os deveres e obrigações que lhes cabem como cidadãos que são da terra, e não do céu como você.

"A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro." (1 Tm 5:22). "Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo! E só refletir depois de fazer o voto." (Pv 20:25). "E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos." (Mt 8:21-22).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 


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