Quando postei uma frase nas redes sociais dizendo: "O bom de ser cristão é que não nos foi dito para decidirmos o que o país deve fazer, mas para obedecermos a autoridade que Deus colocou", não esperava uma reação tempestiva de alguns cristãos. ...
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O que aconteceu com a submissão às autoridades?

Quando postei uma frase nas redes sociais dizendo: "O bom de ser cristão é que não nos foi dito para decidirmos o que o país deve fazer, mas para obedecermos a autoridade que Deus colocou", não esperava uma reação tempestiva de alguns cristãos. Talvez eu devesse ter colocado que o cristão deve "se submeter e obedecer a autoridade", o que não fiz por limitação de caracteres.

Uma pessoa que professa crer na Palavra de Deus escreveu: "Deus nos mandou obedecer às autoridades constituídas por ele, não as eleitas pelos homens. Homens intitulam homens, mas as autoridades que Deus constitui são outras. Ou você me diria que também obedeceria Hitler na época nefasta do Holocausto? Por favor, conhecimento de letra sem revelação íntima e pessoal dada pelo Pai é nada, meu irmão. Leia as escrituras pedindo ao Espírito Santo discernimento. O que não tiver Cristo Jesus como respaldo e parâmetro deve ser ignorado".

Quem discorda da submissão às autoridades costuma evocar o exemplo de Hitler e outros crápulas da história, esquecendo que devemos nos submeter sempre, porém obedecer naquilo que não seja contrário à Palavra de Deus. Submissão é uma coisa, obediência é outra. O cristão deve SEMPRE se submeter à autoridade porque TODA autoridade foi estabelecida por Deus, independente se foi eleita ou tomou o governo pela força.

Quando alguém diz que são homens quem dão títulos a homens, como se isto fosse desculpa para não nos submetermos, esquece que todas as autoridades são, de alguma maneira, estabelecidas neste mundo segundo decisões humanas. Algumas são eleitas pelo voto direto, outras por voto indireto, outras assumem seu posto por meio de um golpe, outras pela invasão de um país etc. Pilatos, a autoridade sob a qual Jesus se colocou em submissão, era um invasor do território dos judeus.

Independente de como tenha chegado ali, o fato de uma autoridade ocupar trono é suficiente para reconhecermos que ela tem a chancela divina. Pensar diferente significa não reconhecer autoridade nenhuma ou querer que seja autoridade apenas aquela que eu achar que é autoridade. Isso é rebelar-se contra os princípios estabelecidos por Deus na Criação.

Deus estabeleceu a autoridade humana com poder de vida e morte sobre o próximo por meio de Noé. Quando ele fez isso nem havia população para Noé exercer sua autoridade, pois ele era um simples patriarca com autoridade sobre sua esposa, seus filhos e suas noras. Mesmo assim, a partir de então Deus passou a reconhecer a autoridade de homens sobre seus semelhantes, independente do modo como tenham chegado ao poder.

Quando Jesus estava na terra os judeus viviam numa pátria invadida pelo poder romano, onde havia vários níveis de autoridade, começando pelo César, que não necessariamente era o nome do Imperador, mas seu título, como era o Faraó. Outros países tiveram títulos semelhantes, como o Kaiser alemão e o Czar da Rússia. O Senhor se submeteu a todas as camadas de autoridade que estavam sobre si, dando "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22:21). Por esta razão foi submisso até ao ímpio governador Pilatos, que se gabava de ter autoridade sobre Jesus para fazer o que quisesse e recebeu uma resposta rápida: "Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada" (Jo 19:11).

Quando Jesus nasceu a autoridade máxima no Império Romano era César Augusto, ambos títulos que assumiu para si. Seu nome era Gaius Octavius Thurinus. Na adolescência de Jesus quem reinava era Tibério César, e logo depois da morte de Jesus quem subiu ao poder foi seu sobrinho-neto Gaio, chamado Calígula, que enlouqueceu e aterrorizou o reino. Cláudio foi o próximo por volta do ano 43 e foi sucedido por Nero no ano 54, e foi ao Imperador Nero que Paulo apelou em Atos 25:11. Havia ainda as autoridades locais dos judeus, como a dinastia de Herodes, pois era estratégia dos romanos colocar governantes fantoches nos países que invadiam a fim de reduzir a rejeição do povo.

Bem, você já deve ter visto filmes em número suficiente para saber que Nero não era nenhuma Madre Teresa, mas foi sob este homem cruel que os apóstolos viveram e foram executados. Depois vieram Vespasiano, Tito, que massacrou os judeus e destruiu o Templo de Jerusalém, seguido de Domiciano, que enviou o apóstolo João para o exílio na Ilha de Patmos. Seu sucessor, Adriano, de tanto os judeus pedirem para reconstruir o Templo, construiu um templo para Júpiter no lugar do Templo de Deus e renomeou Jerusalém que passou a chamar Élia Capitolina, dedicada à adoração de Adriano e de seu deus Júpiter.

Foi sob essas autoridades que viveram os primeiros cristãos, e era a elas que o apóstolo Paulo se referia quando escreveu aos romanos: "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque NÃO HÁ AUTORIDADE QUE NÃO VENHA DE DEUS; e AS AUTORIDADES QUE HÁ FORAM ORDENADAS POR DEUS." (Rm 13:1). Ele não diz "as autoridades que elegemos" ou "as autoridades justas", mas simplesmente que todas as autoridades que existem vieram de Deus e foram ordenadas por ele.

Outras passagens bíblicas deixam claro de onde emana todo o poder e a necessidade de nos submetermos às autoridades, como Provérbios 8:15 que diz, "Por mim reinam os reis e os príncipes decretam justiça". O próprio Daniel, que viveu sob a autoridade de Nabucodonosor, foi o porta-voz que Deus usou para alertar o monarca de sua loucura e pretensão de se achar um deus: "Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer." (Dn 4:32).

Quando vamos às instruções dadas à Igreja, além de boa parte do capítulo 13 da carta de Paulo aos Romanos, temos o que ele escreve a Tito, de como deveria instruir os cristãos que visitasse em suas viagens: "Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra" (Tt 3:1). Pedro também detalha ser a vontade de Deus que vivamos em submissão às autoridades constituídas:

"Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus." (1 Pe 2:13-16).

Um mundo sem autoridade seria um mundo de anarquia, onde cada um pensaria ser sua própria autoridade. Mas autoridade e ordem temos até na formação da Igreja, quando o Espírito Santo estabeleceu uma autoridade local nas assembleias, os supervisores que chamou de "anciãos" ou "bispos" ou "presbíteros", além do terma "guia" em Hebreus 13:17, que em algumas versões aparece como "pastor".

Eram sempre mais de um e tinham por objetivo supervisionar e apascentar o rebanho de Deus localmente. Embora fossem originalmente eleitos pelos apóstolos e seus designados, como era Tito que Paulo deixou "em Creta, para que pusesse em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesse presbíteros" (Tt 1:5). Hoje, na ausência dos apóstolos, eles são apenas apontados pelo Espírito e reconhecidos pelos irmãos, porém não nomeados. Mesmo assim são autoridade sobre a igreja local, como vemos na exortação:

"Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros." (Hb 13:17).

E por tudo isso que me surpreende o fato de muitos cristãos não entenderem o princípio da autoridade, que foi estabelecido na Criação e é representada pelo termo "cabeça" em algumas passagens, como em 1 Coríntios 11. Ali temos Deus, que é a cabeça de Cristo, Cristo como cabeça do homem, e o homem apontado como cabeça da mulher. Nas diferentes áreas do convívio social temos também autoridades diferentes, como policiais, professores, patrões, e um bom exemplo da submissão e obediência que se deve a eles é a autoridade mais próxima de nós que é a do círculo familiar, uma figura da relação que os salvos, os filhos de Deus, têm com Deus Pai.

"Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade." (Hb 12:7-10).

O desprezo pela autoridade contaminou de tal modo os cristãos que fiquei surpreso quando li a postagem de um pastor protestante numa rede social, o qual escreveu: "Existe por trás desse governo uma mente intelectualmente limítrofe, cientificamente ignorante, ideologicamente totalitária, religiosamente obscurantista, e moralmente perversa. É urgente que seja exorcizada!". Nos comentários de sua postagem coloquei apenas uma passagem do livro de Atos esperando que sua consciência fosse despertada:

"Fitando Paulo os olhos no Sinédrio, disse: Varões, irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje. Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam perto dele que lhe batessem na boca. Então, lhe disse Paulo: Deus há de ferir-te, parede branqueada! Tu estás aí sentado para julgar-me segundo a lei e, contra a lei, mandas agredir-me? Os que estavam a seu lado disseram: Estás injuriando o sumo sacerdote de Deus? Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote; porque está escrito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo." (At 23:1-5).

Quando vi isso vindo de um que se propõe a ser guia de cristãos, me veio à memória o que disse Judas em sua carta: "Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades." (Jd 1:8). Blasfemar das autoridades indica falta de sintonia com a vontade de Deus. O cristão deveria se ocupar em orar pelas autoridades que estão sobre nós, apesar de o respeito do qual Judas fala é mais amplo e inclui anjos, até mesmo os caídos. "Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda." (Jd 1:9). Isto revela a gravidade de se blasfemar das dignidades, sejam quais forem.

Paulo explica a Timóteo e a nós como e porquê orar pelas autoridades: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." (1 Tm 2:1-4). Não devemos jamais maldizer os que "se acham investidos de autoridade", e sim oramos por eles para que se convertam e tenham sabedoria em governar para podermos podermos viver uma "vida tranquila e mansa, com toda a piedade e respeito". Pergunto: Seria piedade e respeito difamar uma autoridade?

Já é sabido que o desprezo e difamação da autoridade é prática normal dentro das famílias de incrédulos, onde filhos já não honram os pais, professores, policiais etc. Mas nunca pensei que viveria para ver o embrião do que Platão chamou de "a tirania da maioria" na democracia que o profeta Daniel descreveu como os pés da estátua do sonho de Nabucodonosor. Deus permitiu o coronavírus para revelar isso, pois nenhuma outra crise mundial teve o que vemos hoje: As autoridades em contato direto online com a opinião pública que atira para todos os lados seus palpites e acaba influenciando os governantes como nunca antes na história do mundo.

"E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre." (Dn 2:41-44).

A profecia ainda irá se cumprir, porém a democracia, que é louvada por todos como a última bolacha do pacote em termos de sistema de governo, já prepara o terreno para essa fusão entre povo e governo, uma fusão que não tem liga alguma e será facilmente quebrada quando Cristo vier para reinar. A democracia é prima do socialismo, que também é um sistema fundamentado no homem como senhor de seu próprio governo. Na visão dos pés da estátua o barro nos fala de humanidade e o ferro de poder e autoridade. Democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo (nesta ordem ou não), chamada por Platão de "tirania da maioria".

A resposta evidente para a falta de submissão e respeito até de cristãos para com as autoridades é porque vivemos numa geração que cresceu doutrinada pela democracia e acredita que aquilo que diz a Constituição Brasileira seja verdade: "Todo o poder emana do povo". Na contra-mão dos homens, a Bíblia deixa claro que todo poder emana de Deus. "A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre." (1 Pe 5:11). Talvez tenham feito você acreditar que poderia encontrar na Bíblia a frase "A voz do povo é a voz de Deus", mas a verdade é que a voz do povo, que se manifestou numa eleição democrática há dois mil anos e elegeu Barrabás, foi  a mesma que clamou contra Jesus: "Fora! Fora! Crucifica-o!" (Jo 19:15).

Como cristãos temos um guia seguro, a Palavra de Deus, para saber como agir em tempos de abandono da Verdade. Sabe o que faz desta pandemia do Covid-19 uma confusão como não houve antes na história? Hoje a tecnologia deu voz ao cidadão comum e, queira ou não, as autoridades são influenciadas pelo que o povo diz e até por fake news e teorias conspiratórias. Isso nos leva mais perto dos pés de barro misturado com ferro da estátua de Daniel. O diabo adora isso porque causa confusão e incerteza, não só na mente do povo, mas dos governantes, que vacilam em suas decisões, dão ordens e voltam atrás, e ficam desacreditados.

No passado o povo de Deus também passou por tempos de grande aflição e incerteza, diante da perplexidade de ordens dadas pelos governantes que podiam exterminar o povo de Deus da terra. Mas quantas vezes você leu de Deus mudando o coração dos governantes? Muitas, não é mesmo? "Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer." (Pv 21:1) .Uma boa leitura neste momento de tanta incerteza é o Livro de Ester, onde nem sequer é mencionado o nome de Deus, mas nós o vemos trabalhando nos bastidores para salvar seu povo, revertendo até a palavra do Rei que não podia ser mudada.

No livro Ester é encorajada por seu tio Mordecai a interceder junto ao Rei pela salvação de seu povo, com estas palavras: "Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?" (Et 4:14). Não quero dizer que você deva ficar na porta do Palácio esperando o Presidente sair para tentar marcar uma audiência a fim de expor suas ideias de como ele deve governar. Falo de outro tipo de audiência.

Você pode entrar a qualquer momento em audiência com AQUELE que está acima do Presidente para interceder por ele e pelas outras autoridades, a fim de que Deus lhes dê sabedoria de como devem agir. Você estará então participando de uma audiência muito mais elevada, com o próprio Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e ás boas obras" (Hb 4:16; 10:19-24).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

     
 



Devo orar pelo bem da humanidade?

 


https://youtu.be/K_NK_d5xYfs

Você diz que foi convidado para "orar pelas nações" como parte de um evento organizado por uma agência missionária e ficou em dúvida se seria correto "orar pelas nações", em especial neste momento em que uma peste assola a humanidade. Minha resposta será considerada insensível, insensata e até mesmo perversa pela maioria das pessoas, em especial os que não conhecem o Senhor e sua Palavra. O Senhor Jesus não orou pelo mundo, mas só pelos discípulos. Por que ele iria orar por um mundo que o rejeitou e o pregou numa cruz? Entenda como "mundo" o sistema humano de coisas que inclui todas as pessoas.

É por isso que lemos que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, ms tenha a vida eterna" (Jo 3:16). Deus quer salvar as pessoas mas não exatamente que as condições do mundo melhorem, pois tudo faz parte da mesma ruína causada pela rebelião humana no Jardim do Éden.

"Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. Eu rogo por eles [os discípulos]; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus." (Jo 17:8-9).

Uma busca no Antigo Testamento mostra qual o sentimento de Deus em relação à oração por pessoas que vivem em desobediência à sua Palavra. Era o caso de Israel na antiguidade, e através do profeta Jeremias o Senhor ordenou: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal." (Jr 11:14). Isso incluía não só evitar orar pelo povo em sua rebelião, quanto também denunciar os falsos profetas em seu meio, que se aproveitavam da situação calamitosa em que estavam os judeus para fazer falsas profecias motivacionais de que tudo iria dar certo.

"Disse-me mais o Senhor: Não rogues por este povo para seu bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de alimentos, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste. Então disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar. E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. Portanto assim diz o Senhor acerca dos profetas que profetizam no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome, serão consumidos esses profetas. E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepultem, tanto a eles, como as suas mulheres, e os seus filhos e as suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade... Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam." (Jr 14:11-16; 15:1).

Esse tipo de falso profeta é abundante hoje no meio neopentecostal e espiritualista, e voltará a atuar depois do arrebatamento nos tempos que antecedem a Grande Tribulação. O mesmo tempo a Palavra de Deus nos assegura que os que pertencem a Cristo na atual época da Igreja não passarão por isso, pois para estes o Senhor não virá como ladrão, já que estão esperando por ele.

"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas." (1 Ts 5:1-5).

No passado vemos que Deus enviava pestes como forma de alertar seu povo de Israel de sua idolatria e mau caminho. Deus pode estar usando esta pandemia para disciplina dos que são seus e levar muitos incrédulos a se converterem a Cristo, porque quando todos os recursos do mundo acabam só nos resta apelar para o Senhor. Jeremias fala disso e Pedro tem uma mensagem para os cristãos:

"Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste." (Jr 28:8).

"Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem." (1 Pe 4:17-19)

Sempre vejo campanhas de orações por Israel e pelo mundo, mas acredito que isto seja falta de entendimento das escrituras. Entendo que devemos orar para que os que hoje vivem em Israel se convertam a Cristo, e os cristãos que estão ali sejam guardados do mal. Depois do arrebatamento da Igreja cerca de dois terços da população de judeus existentes naquela terra serão dizimados, portanto o pior lugar para um judeu estar hoje é justamente na terra de Israel. Eles não voltaram ali como cumprimento das profecias, pois quando estas se cumprirem eles voltarão convertidos. Hoje os que estão lá voltaram na mesma incredulidade e rebeldia do dia em que crucificaram o Senhor, daí estarem ainda sob a mesma maldição que lançaram sobre si mesmos.

"Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado." (Mt 27:24-26).

Por causa de sua desobediência e rebeldia os judeus sofrem todos os males previstos em Deuteronômio 28, e em tempos de Grande Tribulação o pior lugar para alguém estar seria na terra de Israel. "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela" (Zc 13:7-9). Quando encontramos o Salmo dizendo para orarmos pela paz de Jerusalém, ele é profético e explica que é no sentido de orar pelos que se converterão, os que verdadeiramente amarem Jerusalém: "Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam." (Sl 122:6).

Encontramos em Paulo um exemplo de oração pelos judeus, não para que fossem livres de problemas, pois Deus mesmo tinha avisado em Deuteronômio 28 que isso viria como juízo sobre eles, mas para que fossem salvos: "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação." (Rm 10:1).

Quanto ao restante dos povos da terra são igualmente avessos por natureza ao Senhor e sua Palavra. Não se esqueça de que toda a sociedade humana estava representada naquela placa pregada sobre a cruz de Jesus em três idiomas: hebraico — a língua da religião predominante —, grego — a língua da filosofia e cultura — e latim — a língua do poder civil e militar dominante.

"E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.  E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim." (Jo 19:19-20).

Cabe lembrar que orar para que os problemas do mundo terminem, ou até mesmo de um incrédulo em particular, não tem fundamentação bíblica, por outro lado interceder pelos incrédulos tem, e isto no sentido de que se convertam e sejam perdoados de seus pecados e salvos.

O Senhor e também seus discípulos certamente intercediam ao Pai para que incrédulos se convertessem e fossem perdoados de seus pecados, e não para que terminassem os problemas do mundo e das pessoas continuam a viver aqui indiferentes e em inimizade contra Deus. Até mesmo para os que se identificassem como irmãos e vivessem uma vida contrária à fé cristã não deveriam ser objeto da oração dos crentes.

O Senhor nos dá a certeza da eficácia de nossas orações quando feitas "segundo a sua vontade", e não segundo a vontade da opinião pública ou de nossos desejos pessoais. Repare também que ao falar de "pecado para morte", que é quando um verdadeiro crente comete pecados tão graves que já não serve de testemunho na terra e o Senhor está prestes a tirar sua vida aqui, a ordem é para que não se ore por tal pessoa.

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore." (1 Jo 5:14-16).

Foi no sentido de intercedermos por nossos inimigos que o Senhor pediu que orássemos por eles, mas a partir de outras passagens fica claro que o sentido não seria para que melhorassem de vida na terra ou ficassem livres de problemas.

"Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus" (Mt 5:43-44).

Nesta passagem em particular ele estava fazendo uma emenda à Lei que ele próprio havia dado no Antigo Testamento, mostrando que agora, no atual período da graça de Deus, as coisas não seriam mais na base do "olho por olho, dente por dente". O próprio Senhor faria isso na cruz, quando disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc 23:34).

Estêvão seguiu o exemplo do Senhor ao ser apedrejado, mostrando que ao cristão não cabe qualquer sentimento de vingança ou revanchismo, e sim de intercessão para a salvação de seus opressores: "E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu." (At 7:59-60).

No sentido da salvação dos pecadores em geral, e de sabedoria para os governantes em particular para que os cristãos possam ter "uma vida quieta e sossegada" aqui no mundo "em toda a piedade e honestidade", parte esta da oração que é responsabilidade do cristão em seu modo de andar. É neste sentido que somos exortados a orar, como nos ensina a carta de Paulo a Timóteo. Isto serve de alerta a cristãos que usam constantemente das redes sociais para atacar as autoridades com todo tipo de ofensas.

"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." (1 Tm 2:1-5).

O profeta Jeremias também, quando o povo judeu foi levado cativo para a Babilônia, instruiu a que fizessem orações neste mesmo sentido, para que pudessem levar uma vida pacífica em terra inimiga durante o desterro: "E procurai a paz da cidade [de Babilônia], para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." (Jr 29:7).

Um incrédulo, ao menos no sentido que a Bíblia fala do que é um verdadeiro crente em Jesus, irá odiar minhas palavras que em sua opinião estarão total e politicamente incorretas. Mas não espero uma reação diferente e rogo por ele também, para que conheça a verdade e seja salvo. Contrariando o senso comum e a opinião pública, a Palavra de Deus deixa claro o abismo que existe entre o mundo e os que foram salvos por Cristo, o mesmo abismo e ódio que a humanidade destilou e destila contra o Filho de Deus.

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia." (Jo 15:18-19).

Quanto as cristãos sua responsabilidade não é nem de odiar os incrédulos ou os governantes que Deus colocou sobre nós neste mundo, mas de interceder por eles e ter a certeza de estarmos andando de modo agradável a Deus e sempre lembrando que um dia também fomos trevas, nada diferentes daqueles que hoje nos odeiam, para não nos ensoberbecermos achando que merecemos algum mérito pela posição e privilégios que agora desfrutamos em Cristo:

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor." (Ef 5:1-17).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 



Afinal, é para vestir o casaco ou tirar o casaco?

 


https://youtu.be/L4rE6-U8hlc

Zezinho está irritado. Uma hora a mãe manda vestir o casaco, outra hora diz para tirar o casaco. "Mãe! É pra vestir o casaco o tirar o casaco?". "Meu filho, quando eu disser para vestir o casaco você veste, quando eu disser para tirar você tira. Enquanto eu for sua mãe você vai me obedecer sem debater.". Esta é a súmula do princípio da autoridade. Ela existe para ser obedecida, não para ser discutida ou desprezada, seja ela o presidente, o delegado ou a mãe.

E é aí que está a maravilha de ser cristão e de poder descansar crendo que Deus está agindo nos bastidores. Quando ordenado que os meninos fossem jogados no Rio Nilo os pais de Moisés, Anrão e Joquebede, foram criativos e inventaram uma maneira de obedecer o decreto de Faraó ao mesmo tempo em que salvavam o filho da morte. Jogaram no rio, mas dentro de uma cesta impermeável e não longe da margem onde pudesse ser vigiado. "Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei." (Hb 11:23).

Muitos entraram em pânico quando o presidente e governadores ordenaram o isolamento e a quarentena. Depois ficaram em pânico quando a ordem foi revertida para que se isolasse apenas os do grupo de risco. Sendo eu parte do grupo de risco, por ser idoso, cardíaco, hipertenso, e com um filho deficiente que depende de meus cuidados, imediatamente me isolei e dei férias às duas funcionárias que me auxiliam em casa com cozinha, limpeza e cuidado de meu filho.

Como posso fazer isso e ainda ter sustento achei prudente não desafiar "o mandamento do rei" e jogar com a sorte. Revertido "o mandamento do rei" continuo do mesmo jeito, dentro de meu cestinho impermeável à margem do Rio da morte. Mas se tivesse filhos pequenos os manteria comigo para não servirem de veículos de contaminação, e se precisasse sair para caçar e garantir o sustento, sairia independente de existir um leão na rua. Afinal, viver é sempre perigoso.

Mas a melhor parte de tudo isso é que o cristão não é chamado a decidir o futuro da nação; o cristão é chamado a andar em submissão. No final o Senhor cobrará da autoridade suas decisões certas ou erradas, mas do cristão cobrará sua submissão. É evidente que estou falando aqui de ações que não vão contra a obediência à Palavra de Deus, que tem precedência sobre a obediência às autoridades que Deus constituiu. Mas é possível obedecer e ao mesmo tempo se proteger, como fizeram com Moisés, juntando submissão e fé.

Você quer exemplo melhor do que o de nosso Senhor Jesus quando andou aqui neste mundo? Ele veio em perfeita submissão e obediência ao Pai, apesar de ele próprio ser Deus e Homem, perfeito em todas as suas decisões, ele só fazia aqui o que era determinado pelo Pai. "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 6:38). O fim de sua obediência foi a morte, mas apenas alguém de visão míope e materialista poderia achar que sua obediência foi em vão.

Acho que não preciso explicar aqui a razão de Jesus ter vindo ao mundo para morrer. Se você já teve todos os seus pecados perdoados e foi lavado pelo sangue do Cordeiro de Deus pela fé em Jesus saberá que seu sacrifício não foi em vão. Ele "morreu por todos... oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos... o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si." (2 Co 5:15; Hb 9:28; Is 53:11).

O Senhor Jesus, quando veio ao mundo, precisou aprender algo que não conhecia: Obediência. "Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5:8). Nessa atitude de obediência, mesmo ele próprio sendo uma Pessoa divina, deixava de lado sua própria vontade para submeter-se à vontade do Pai. "Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou." (Jo 5:30).

"Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz." (Fp 2:6-8).

Os versículos que antecedem este trecho dizem para termos "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus", ou seja, "nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2:2-5). Se meu isolamento for bom para mim e para outros, evitando que eu transmita o novo coronavírus, assim seja. Se precisar sair para trabalhar para prover para as necessidades minhas e de outros, amém também.

A obediência de Jesus ao Pai foi tamanha que resultou em sua morte. Ora, não é isso também que se exige de um soldado em campo de batalha? Se o comandante disser "Vai", ele vai, se disser "Vem", ele vem. Ali ele está debaixo de ordens visando proteger sua casa e nação, e bem ciente de que poderá tanto voltar para casa com uma medalha no peito como acabar com uma bala na testa. Ele não discute, ele obedece, e se for cristão, tem fé de que nada do que lhe possa acontecer será à revelia da vontade do Pai. Foi uma obediência assim que Jesus elogiou e associou à fé:

"E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé." (Mt 8:5-10).

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem ajudado à trazer à tona em alguns cristãos aquele vírus da contestação e insubordinação que se revelou pela primeira vez no Jardim do Éden. Ali Eva achou que seria uma grande ideia se ela e seu marido não precisassem mais se submeter ao Criador. Porém, se adquirissem o conhecimento do bem e do mal como Satanás sugeria, poderiam tomar suas próprias decisões independentes de Deus. "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal", disse a serpente em Gênesis 3:5.

Nem perco meu tempo esperando que incrédulos, céticos ou ateus escutem, mas me dirijo aos meus irmãos em Cristo: Se a sua mãe ainda não lhe ensinou, aprenda de uma vez por todas que as autoridades foram instituídas por Deus para serem obedecidas.

"Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra." (Rm 13:2-7).

Mas o que fazer quando nem a autoridade sabe como agir e fica sem direção? Quando diz para vestir o casaco e depois diz para tirar? Ainda assim ela é autoridade, e se ela caminha em terreno lamacento e mutante em meio às trevas de um denso nevoeiro, caminhe atrás porém prestando muita atenção onde pisa. O soldado é enviado à batalha, mas seu cérebro não fica em casa, ele leva junto para tomar as micro decisões de onde pisar, quando correr, quando rastejar etc. Não é diferente no que o mundo está passando. Afinal, o novo coronavírus é chamado novo porque ninguém conhecia, ninguém sabia como enfrentá-lo e, no momento em que digo estas palavras, ninguém pode prever suas consequências.

As medidas diferentes tomadas por diferentes autoridades de diferentes países são passos cambaleantes no lamaçal da incerteza, como se tivessem escutado o bookmaker dizer: "Façam suas apostas!". Aí saiu cada um apostando de um jeito sem ter a certeza do resultado final. À medida em que a névoa vai se dissipando podem surgir decisões acertadas, mas exceto pelas micro decisões, que são minhas e suas, a medida mais segura para o cristão é se submeter à autoridade que decide no macro, pois esta ordem veio de Deus e se você tiver de reclamar reclame a ELE.

O que é certo é que, como na navegação, o barco precisa mudar de direção à mercê dos ventos, e é por isso que aqueles que nunca velejaram acham absurdo o veleiro viajar em ziguezague. Ou aqueles que nunca estudaram navegação interplanetária ficarão sem entender a razão de uma sonda destinada a Marte partir em direção a Vênus. Por desconhecerem o "star sling", ou efeito estilingue que se obtém circundando um planeta para aproveitar sua gravidade para ganhar velocidade, não saberão que é assim, ziguezagueando ou dando voltas, que se chega mais rápido ao destino.

O cristão também não deve temer mudar de opinião, como poderá ter de mudar muitas vezes na vida, se a sua bússola for a Verdade da Palavra de Deus e seu Norte continuar sendo Cristo. Você deve ter ouvido eu falar da importância de obedecer a autoridade, mas também da importância ainda maior de se preocupar com a saúde e bem estar das pessoas do grupo de risco neste cenário de pandemia. Ao dizer que você deve se sujeitar aos ziguezagues da autoridade não invalido o que disse, apenas reafirmo. Vou dar um exemplo.

Na faculdade eu era um cego seguidor do espiritualismo, de filosofias orientais e alimentação macrobiótica. Pregava a todos que a solução para todos os males da humanidade estava numa postura Zen e numa cuia de arroz integral com gersal. Um dia me converti a Cristo (leia minha história em "Quando os anjos se alegram") e aí os colegas vinham me cobrar: "Ei, Mario, como é isso? Até ontem você dizia para a gente ler o Bhagavad-Gita, o Tao-te-king, Krishnamurti, Castañeda, Blavatsky, e agora diz para ler a Bíblia?". "Pois é, eu mudei.".

Sim, mudamos mas sempre confiando na "imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa" (Hb 6:17). Em suma, a segurança do crente está em Cristo e na obediência à Palavra de Deus, e quando falamos de assuntos civis e governamentais, ao crente cabe a simples e única tarefa de honrar e obedecer a autoridade enquanto mantém sua fé no Senhor e na provisão do seu poder. Afinal, o que de pior pode acontecer a um crente em Jesus? Morrer? Você deve estar brincando. Que Deus nos dê sempre a mesma confiança do apóstolo Paulo, que dizia: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Fp 1:21).

Depois do elogio que Jesus fez da fé do centurião, que deu uma lição magna de como funciona o princípio de autoridade, o próprio Senhor, embora sendo Deus e Homem, seguiu agindo de acordo com essa mesma cartilha. Ora, que monumento maior de submissão e obediência você poderia encontrar do que no seu encontro com Pilatos?

Ali estava ele diante do governador e juiz que presidia o mais injusto e infame julgamento da História: a condenação à morte do Cristo, o Filho de Deus e Rei dos judeus. Mesmo tendo o poder de mudar o desfecho de tudo aquilo, Jesus não o fez. No episódio de sua prisão, ao repreender a Pedro que quis resolver tudo no fio da espada, ele disse: "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26:53).

Então foi a vez de Pilatos precisar exercer sua autoridade e certamente a eternidade revelará as consequências de sua decisão. Deus não deixou de avisá-lo das consequências da decisão que iria tomar, usando para isso sua esposa "E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele." (Mt 27:19). Apesar de outras referências a ela serem extra-bíblicas e baseadas na tradição, como seu nome ter sido Cláudia Prócula e haver se convertido a Cristo, não seria maravilhoso encontrarmos essa mulher no céu?

Mas Pilatos, como bom político que era, estava mais interessado em fazer uma média com a elite do judaísmo do que dar ouvidos à sua mulher e livrar o Justo de uma condenação injusta. "Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus" (Mt 27:20). Na outra oportunidade que teve de ouvir da boca de Jesus ser ele a Verdade, Pilatos deu as costas para o Senhor do Universo para dar atenção aos judeus.

"Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus" (Jo 18:37-38).

Mas o ápice do reconhecimento da autoridade constituída de cima, pelo próprio Deus, Jesus mostrou em sua atitude em relação a Pilatos nesta passagem:

"E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado." (Jo 19:9-11).

Se aquele que é Senhor de todas as coisas, que sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1:3) submeteu-se à autoridade de Pilatos sabendo que esta não era dele, mas emanava do alto e do Deus que controla todas as coisas, quem é você, querido irmão, que arvora ser entendedor de todas as coisas e quer viver em "modo Adão", andando "nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos"? Já se esqueceu do tempo em que estávamos "mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo — a moda e opinião pública —, segundo o príncipe das potestades do ar — o próprio Satanás —, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência"? (Ef 2:1-3).

O que fazer, então? Aquilo que nos diz a Palavra de Deus, deixar de querer ocupar o cargo de presidente ou ministro da saúde, a menos que tenha planos de se eleger ou fazer uma faculdade de medicina, e vestir o casaco com sua mãe mandar vestir, e tirar quando ela mandar tirar.

"Tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem." (Hb 12:9-15).

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 


Deixar de congregar por causa do coronavírus é falta de fé?

 


https://youtu.be/2-UeOHaj4iA

Deixar de congregar por causa da pandemia de coronavírus não é falta de fé, é bom senso e bom testemunho diante dos incrédulos. Isto porque algo assim é feito em consideração ao bem estar e à saúde das outras pessoas, e não apenas para cumprir ordens governamentais. É claro que devemos acatar as recomendações do governo e da saúde e suspender as reuniões, mas isto é porque continuar com elas seria colocar em risco muitas pessoas, então devemos prezar pela vida humana.

A situação de pandemia é diferente daquilo que aconteceu em toda a história da cristandade e ainda acontece de países que proíbem reuniões ou evangelização por questões políticas ou religiosas. Nestes casos os cristãos se reúnem escondidos, contrariamente às decisões das autoridades, como faziam os cristãos do primeiro século nas catacumbas. Neste caso devemos obedecer antes a Deus do que aos homens:

"E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens." (At 5:27-29).

Mas uma epidemia é diferente, é como o governo interditar o local de reunião porque o telhado está infestado de cupim e pode ruir a qualquer momento e matar pessoas, ou as autoridades sanitárias terem detectado uma infestação de escorpiões no local. Você acha que teria sido sensato se os cristãos de Pripyat, na Ucrânia, tivessem enfrentado as autoridades e buscado na justiça uma liminar para não abandonarem a cidade vizinha a Chernobyl e continuar congregando normalmente? A cidade está contaminada até hoje. Insistir em continuar reunindo naquelas condições seria querer tentar a Deus, seria como ouvir Satanás dizer, igual disse a Jesus:

"Lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, e que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra." (Lc 4:9-11).

Ao insistir em continuar reunindo em um estado de alerta de interdição por risco de contaminação ou contágio, principalmente ao saber que você poderá contaminar alguém com o coronavírus e essa pessoa não ter sequer atendimento médico por colapso dos sistemas de saúde, é uma irresponsabilidade muito grande e falta de amor. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." (Tg 4:17).

Alguém poderia alegar que pessoas de fé não temem isso acontecer, mas "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus" (Rm 14:22). Fé é um exercício pessoal e eu não posso querer que a pessoa sentada ao meu lado pegue carona na minha fé para não adoecer. Além disso, quando o mundo todo está apreensivo e as autoridades pedindo para as pessoas ficarem em isolamento, não apenas para a própria segurança, mas principalmente para não serem causadoras da morte dos mais idosos, contrariar isso é um péssimo testemunho para com os incrédulos.

Se até os incrédulos hoje estão agindo com cautela por respeito ao próximo, por que os cristãos iriam agir diferente? Deveriam eles agir como os jovens que, contrariando o toque de recolher, andaram promovendo festas rave ou pastores gulosos de ofertas que mantiveram abertas suas igrejas aglomerando multidões? Em 1 Coríntios 5 Paulo repreendeu os irmãos daquela cidade porque estavam aceitando fazer coisas que nem os incrédulos admitiam. Lá o assunto era imoralidade, mas serve também para qualquer coisa que nos leve a desrespeitar a moral, os bons costumes e principalmente a saúde do próximo.

Li o argumento de um pastor americano de que iria manter sua igreja aberta porque as pessoas precisam ir ali escutar o evangelho. Será que ele nunca reparou que Jesus disse "Ide, e pregai o evangelho" e não "Vinde, e escutai o evangelho". O que prega deve ir ao encontro do pecador perdido e não o contrário. Cristãos congregam não para pregar o Evangelho, mas para adorar a Deus, é uma atividade na vertical entre homens e Deus que é feita de forma presencial. Evangelização é horizontal, de homem para homem, de um para um ou de um para muitos. E hoje temos tecnologia suficiente para fazer isso remotamente..

Vale lembrar que a gravidade da epidemia na Coreia do Sul se deu principalmente por uma igreja ter desprezado o perigo e continuado com seus templos lotados, tornando-se assim o epicentro da doença naquele país. Milhares foram contaminados e saíram dali contaminando outros. Depois a polícia ainda precisou fechar duas outras igrejas cujos pastores desobedeceram as recomendações governamentais e continuaram a promover cultos, em uma delas com o pastor e a esposa doentes do coronavírus e escondendo a doença de seus seguidores.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
     
 


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