"Jesus falou assim e, levantando Seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti; assim como Lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe ...

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A autoridade de Cristo sobre todos and more...

A autoridade de Cristo sobre todos

"Jesus falou assim e, levantando Seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti; assim como Lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste" (Jo 17.1,2).

Poder, ou autoridade, sobre toda a carne! Estas são as palavras que ouvimos. É o Senhor Quem fala. Ele aqui está para deixar este mundo, e em Suas mãos o Pai colocou autoridade sobre toda a humanidade. Desde o mais tenro bebê, até o maior de todos os reis, todos os homens estão sujeitos ao Seu poder. Consideremos bem estas palavras: Deus Pai entregou ao Seu Filho Jesus a raça humana. Deixe que a infidelidade reclame como quiser, ou que as vãs argumentações se manifestem, o imutável fato que aqui permanece é que todo ser humano se encontra sob a autoridade absoluta do Filho de Deus.

Você Se Encontra à Disposição Dele

O Senhor está falando de poder, não de salvação. E quando pensamos nEle sendo reputado em nada por pecadores, desprezado e cuspido e chegando a ser pregado ao madeiro maldito, acaba havendo, neste conhecimento em particular de que Ele detém a autoridade sobre todos os homens, algo que faz o coração se regozijar. Perguntamos: O que é que o homem costuma dizer acerca disto? Qual é a resposta que dá a isto o incauto e o amante dos prazeres? Qual a opinião do orgulhoso e do que confia em si mesmo? A cada um dizemos: Você se encontra integralmente, pelo tempo e pela eternidade, sob a autoridade do Homem Cristo. Você se encontra à disposição dEle; seu presente e seu futuro se encontram com Ele. Você está confinado a Ele e não pode escapar de Sua influência. Se, enquanto viver, você desafiar a autoridade dEle, terá que se sujeitar a ela para sempre quando exalar o último suspiro de seu corpo.

Ora, esta autoridade sobre todos não é meramente universal; ela tem um propósito especial, e é um propósito de perfeita graça. Trata se do Senhor poder dar vida eterna a tantos quantos o Pai Lhe dá para que vá a Ele. Todos que o Pai lhe dá irão a Ele, e aquele que vai a Ele, Jesus de maneira nenhuma lança fora. O poder é absoluto, e a graça perfeita.

Dou lhes a Vida Eterna

Temos que tratar com o Senhor em Seu poder, se não nesta vida, certamente na eternidade. Mas se vamos a Ele, reconhecendo nosso estado natural de morte espiritual, Ele é o dador da vida e irá nos dar vida. A vida se torna nossa como um presente. "Dou lhes a vida eterna" (Jo 10.28). Ela nos é dada pelo Filho de Deus. "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna" (Jo 3.36).

Como pessoas que muito em breve se encontrarão com o Senhor, indaguemos qual a nossa relação com Ele. Será que nós O temos como o dador da vida? Será que cremos no Seu nome? Ele veio a este mundo para dar vida eterna a pecadores mortos em seus pecados e em sua condição natural. Ele dá vida a todo aquele que crê nEle e no Seu Pai que O enviou. Estamos nós ligados a ele em vida, ou somos meramente parte da raça humana, a qual, toda ela, terá que se sujeitar à Sua autoridade?

The Authority of CHRIST Over All - CT09/96


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Teologia Unilateral — Calvinismo e Arminianismo - C. H. Mackintosh

Recebemos recentemente uma longa carta trazendo uma prova muito clara do efeito desconcertante da teologia unilateral. O nosso correspondente está, evidentemente, sob a influência daquilo que é denominado alta teologia ou teologia calvinista. Por isso ele não consegue enxergar a razão de se convidar o não convertido para “vir”, “ouvir”, “arrepender-se” ou “crer”. Para ele é como ordenar a um marmeleiro que produza algumas maçãs para se tornar macieira.

Ora, acreditamos totalmente que a fé é dom de Deus e que não está sujeita à vontade do homem ou ao poder humano. Além disso, cremos que nenhuma alma jamais iria a Cristo se não fosse atraída a Ele, sim, compelida pela graça divina para que assim o fizesse. Portanto, todos os que são salvos devem agradecer pela graça livre e soberana de Deus por isso, e sua canção é, e sempre será, “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Sl 115:1).

Cremos nisso, não como parte de algum sistema de doutrina, mas como a verdade revelada de Deus. Por outro lado, acreditamos tão completamente, na verdade solene da responsabilidade moral do homem, na medida em que é claramente ensinada nas Escrituras, embora não a encontremos entre os chamados “cinco pontos da fé dos eleitos de Deus”. Acreditamos nestes cinco pontos, mas só até onde eles alcançam, todavia eles estão muito longe de conter a fé dos eleitos de Deus. Existem amplos campos de revelação divina que esse sistema atrofiado e unilateral não aborda e nem remotamente sugere. Onde encontramos o chamado celestial? Onde a gloriosa verdade da Igreja como o corpo e a noiva de Cristo? Onde a preciosa esperança santificadora da vinda de Cristo para receber Seu povo para si mesmo? Onde temos, naquilo que é tão pomposamente denominado “a fé dos eleitos de Deus”, o grande escopo da profecia que abriu a visão de nossas almas? Buscamos por um traço sequer dessas coisas em todo o sistema ao qual nosso amigo está ligado, porém em vão.

Será que poderíamos, ainda que por um momento, supor que o abençoado apóstolo Paulo aceitaria como “a fé dos eleitos de Deus” um sistema que deixa de lado esse glorioso mistério da Igreja da qual ele foi especialmente designado como ministro? Suponha que alguém tivesse mostrado a Paulo “os cinco pontos” do calvinismo, como sendo uma afirmação da verdade de Deus. O que ele teria dito? “O quê?! ‘Toda a verdade de Deus’? ‘A fé dos eleitos de Deus’? ‘Tudo o que é essencial para ser crido’? E ainda assim nenhuma sílaba sequer sobre a posição real da Igreja — sua vocação, sua posição, suas esperanças, seus privilégios?! Nenhuma palavra sobre o futuro de Israel?! Uma total ignorância ou, na melhor das hipóteses, uma alienação completa, das promessas feitas a Abraão, Isaque, Jacó e Davi?! Todo o corpo de ensinamentos proféticos submetidos a um sistema falsamente chamado de espiritualização, por meio do qual Israel é roubado da parcela que lhe cabe, e os cristãos arrastados para um nível terreno — e isso apresentado a nós com a pretensão de ser ‘A fé dos eleitos de Deus’?!”

Mas graças a Deus não é assim. Deus, bendito seja o Seu nome, não Se prendeu aos estreitos limites de alguma escola de doutrina, seja ela alta [calvinista], baixa [arminiana] ou moderada. Deus Se revelou. Ele expôs os profundos e preciosos segredos de Seu coração. Ele descortinou Seus conselhos eternos relativos à Igreja, a Israel, aos gentios e à criação como um todo. Os homens podem tentar confinar o oceano em baldes que eles próprios inventaram, do mesmo modo como tentam confinar o vasto espectro da revelação divina dentro dos frágeis recipientes dos sistemas humanos de doutrina. É impossível fazê-lo e jamais deveria ser tentado. O melhor é deixar de lado os sistemas e escolas de divindade e aproximar-se como uma criança da eterna fonte das Sagradas Escrituras, e ali beber dos ensinos vivos do Espírito de Deus.

Nada é mais prejudicial à verdade de Deus, mais estéril para a alma, ou mais subversivo para qualquer crescimento e progresso espiritual do que a mera teologia, seja ela alta ou baixa — calvinista ou arminiana. É impossível que alguém progrida além dos limites do sistema ao qual está ligado. Se sou instruído nos “cinco pontos” como sendo “a fé dos eleitos de Deus”, não poderei sequer pensar em buscar algo além disso, desaparecendo assim de meu campo de visão o mais glorioso campo de verdade celestial. Fico atrofiado, estreito, parcial, e corro o risco de cair naquele estado de espírito estéril e pedregoso que acaba me deixando ocupado com meros pontos doutrinários ao invés de ocupar-me com Cristo. Um discípulo da alta escola de doutrina, ou calvinista, não ouvirá falar de um evangelho anunciado a todo o mundo —do amor de Deus para o mundo — das boas novas para cada criatura sob os céus. Tudo o que terá é um evangelho para os eleitos. Por outro lado, um discípulo da baixa escola, ou arminiana, não escutará da segurança eterna do povo de Deus. Sua salvação dependerá em parte de Cristo e em parte de si mesmo. De acordo com esse sistema doutrinário, a canção dos redimidos deveria ser alterada. Ao invés de dizer apenas “Digno é o Cordeiro” seríamos obrigados a acrescentar “...e dignos somos nós”. Poderíamos estar salvos hoje, porém perdidos amanhã. Tudo isso desonra a Deus e priva o cristão de qualquer paz verdadeira.

Não escrevemos isto com a intenção de ofender o leitor, longe de nós tal pensamento. Não estamos falando de pessoas, mas de escolas de doutrina e sistemas de divindade, os quais gostaríamos sinceramente de exortar nossos amados santos a abandonarem de uma vez para sempre. Nenhum deles contém a completa verdade de Deus. Existem certos elementos de verdade em todos eles, mas a verdade geralmente está neutralizada pelo erro, e mesmo que encontrássemos um sistema que não apresentasse nada além da verdade, ainda assim ele não conteria toda a verdade. O efeito desses sistemas sobre a alma é o mais pernicioso possível, pois leva as pessoas a se gabarem de possuírem a verdade de Deus, quando na verdade possuem apenas um sistema humano parcial.

Então, volto a dizer, raramente encontramos um mero discípulo de qualquer escola de doutrina que possa encarar as Escrituras como um todo. Textos favoritos serão citados e continuamente reiterados, mas um grande corpo das Escrituras será deixado de lado como quase que totalmente impróprio. Por exemplo, tome passagens como as seguintes: Agora, porém, [Deus] notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30). E mais uma vez: “[Deus] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:4). Assim também, em 2 Pedro, “O Senhor... é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:9). E bem no final da Bíblia, lemos: e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Apocalipse 22:17).

Devemos considerar estas passagens pelo que elas são? Ou devemos introduzir palavras qualificadoras ou modificadoras para torná-las adequadas ao nosso sistema? O fato é que elas estabelecem a grandeza do coração de Deus, as atividades graciosas de Sua natureza, o amplo espectro de Seu amor. Não está em conformidade com o coração amoroso de Deus que qualquer de Suas criaturas deva perecer. Não há, nas Escrituras, qualquer coisa que se assemelhe a um decreto de Deus consignando certo número da raça humana para a condenação eterna. Alguns podem ser entregues judicialmente à cegueira devido à rejeição deliberada da luz. (Ver Romanos 9:17; Hebreus 6:4-6; 10:26-27; 2 Tessalonicenses 2:11-12; 1 Pedro 2:8.), mas todos os que perecerem só poderão culpar a si mesmos. Todos os que chegarem ao céu terão de agradecer a Deus.

Se quisermos ser ensinados pelas Escrituras, devemos acreditar que todo homem é responsável segundo a luz que possui. O gentio é responsável em dar ouvidos à voz da Criação. O judeu é responsável no terreno da lei. A cristandade é responsável sobre o fundamento da revelação completa que está contida em toda a Palavra de Deus. Se Deus ordena a todos os homens, em todos os lugares que se arrependam, ele quer dizer exatamente o que diz. Ou será que estaria dizendo isso apenas aos eleitos? Que direito temos nós de acrescentar ou alterar, reduzir ou acomodar a Palavra de Deus? Nenhum sequer. Encaremos as Escrituras tal como são, e rejeitemos tudo o que não passar no teste. Podemos muito bem questionar a solidez de um sistema que não possa atender a toda a força da Palavra de Deus como um todo. Se algumas passagens das Escrituras parecem conflitar entre si, é só por causa da nossa ignorância. Sejamos humildes nisso e aguardemos mais em Deus para termos mais luz. Podemos agir assim, e este será um lugar moralmente seguro para ocuparmos. Ao invés de nos esforçarmos em reconciliar discrepâncias, curvemo-nos aos pés do Mestre e justifiquemo-Lo em todas as Suas palavras. Assim colheremos uma colheita de benção e cresceremos no conhecimento de Deus e de Sua palavra como um todo.

Alguns dias depois, um amigo colocou em nossas mãos um sermão recentemente pregado por um clérigo eminente pertencente à escola de doutrina calvinista. Encontramos nesse sermão, tanto quanto na carta do nosso correspondente norte-americano, os efeitos da teologia unilateral. Por exemplo, ao se referir a essa magnífica declaração de João Batista em João 1:29 — “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” — o pregador a citou assim: “O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo inteiro do povo escolhido de Deus”. Leitor, pense nisso: “O mundo do povo escolhido de Deus!” Não há uma palavra sequer sobre povo na passagem. Ela se à grande obra propiciatória de Cristo, em virtude da qual todo traço de pecado ainda será obliterado da ampla criação de Deus. Só veremos a plena aplicação daquela escritura abençoada nos novos céus e na nova terra em que habita a justiça. Limitar-se ao pecado dos eleitos de Deus só pode ser visto como fruto desse viés teológico. Não existe nas Escrituras tal expressão como “Tirar o pecado dos eleitos de Deus”. Sempre que é feita menção ao povo de Deus temos os pecados sendo levados — a propiciação pelos nossos pecados — o perdão dos pecados. As Escrituras nunca confundem essas coisas, e nada pode ser mais importante para nossas almas do que sermos ensinados exclusivamente pelas próprias Escrituras, e não pelos dogmas deformados, amassados e murchos de uma teologia unilateral.

Às vezes, ouvimos João 1:29 citado, ou melhor, deturpado por discípulos da baixa escola de doutrina, ou arminiana, desta maneira, “O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Se assim fosse, ninguém poderia se perder. Tal declaração proporcionaria uma base para a terrível heresia da salvação universal. O mesmo pode ser dito sobre a má tradução de 1 João 2:2, “pelos pecados do mundo inteiro”. Esta não é a tradução correta, mas uma doutrina fatalmente falsa que não duvidamos que nossos tradutores tenham repudiado tão fortemente quanto qualquer outra.* Sempre que ocorre a palavra “pecados”, refere-se a pessoas. Cristo é a propiciação para o mundo inteiro, mas o Substituto apenas para o Seu povo. — Traduzido de "One-sided Theology - Calvinism and Arminianism" - C. H. Mackintosh.


*[N. do T.: No original a segunda parte do versículo não fala de “pecados”, mas simplesmente do mundo inteiro, como está na versão de J. N. Darby: “E ele é a propiciação por nossos pecados, mas não apenas pelos nossos, mas por todo o mundo”.]

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O evangelho explicado - Mario Persona

A carta aos Romanos é o evangelho explicado, portanto ali podemos ver mais detalhes de como Deus trabalha na alma que foi vivificada pela Palavra aplicada pela ação do espírito (a água e o Espírito de João 3, ou novo nascimento).

Romanos 1 nos fala da condição do homem e do mal generalizado encontrado no mundo, em especial no paganismo.

Romanos 2 mostra como é infrutífera a tentativa humana de controlar o mal, inclusive da incapacidade da Lei mosaica em justificar o homem.

Romanos 3 chega à conclusão de que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, merecendo assim o juízo. Então no final do mesmo capítulo é revelada a justiça de Deus e o sangue de Cristo, o qual assumiu na cruz o lugar do homem pecador.

Romanos 4 nos fala da justificação do homem por graça e o capítulo 5 mostra o domínio da graça e seus efeitos.

Romanos 5, após ter deixado claros o pecado, o juízo e a provisão de Deus para o pecador, trata dos efeitos disso no homem perdido e escravo do pecado, da lei e da carne.

Romanos 6 fala da libertação do mundo e do pecado em seu sentido exterior, o que é tipificado no batismo que representa considerarmo-nos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. 

Romanos 7 fala das cadeias da lei sendo rompidas pela morte de Cristo, que ressuscitou e, portanto, não está mais sujeito à lei. O crente vive pela fé no Filho de Deus em sua condição atual.

Romanos 8 nos fala da libertação da carne, o que se obtém pelo poder do Espírito que agora habita no crente e o capacita a viver em novidade de vida.

Quando lemos Romanos 7 encontramos um homem aflito e buscando a libertação. Ao final do capítulo ele clama: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?", mas a resposta vem logo em seguida: "Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado. Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus [que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.] Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Rm 7:24-25; 8:1-2 - a parte entre chaves não consta dos melhores manuscritos).

Considere o homem de Romanos 7 como tendo sido vivificado, ou seja, ele já nasceu de novo, tem vida vinda de Deus e pode agora chamar a Deus de Pai, mas ele ainda não está liberto. Não é alguém perdido em seus pecados, mas também não é alguém liberto. É possível cair em dois erros quando o assunto é o homem do capítulo 7 comparado ao do capítulo 8. Alguns acham que o homem do capítulo 7 ainda não se converteu, que é um incrédulo perdido em seus pecados. A razão de considerá-lo assim é a palavra "carnal" que aparece em Romanos 7:14: "eu sou carnal, vendido sob o pecado". Mas é preciso entender a diferença entre "carnal" e "natural".

Existe o homem "natural", o "carnal" e o "espiritual". O homem de Romanos 7 não é o homem natural, "morto em ofensas e pecados" (Ef 2:1) e este assunto é melhor detalhado nos capítulos 2 e 3 de 1 Coríntios. No capítulo 2 o apóstolo diz que "o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (1 Co 2;14). No capítulo 3 o termo usado é outro pois está falando de crentes e não de incrédulos. Crentes carnais, mas ainda assim crentes. "Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?" (1 Co 3:3).

Portanto uma pessoa convertida pode não ser uma pessoa "espiritual", e é por isso que Paulo faz esta distinção ao escrever aos Gálatas: "Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado." (Gl 6:1). Ao exortar os que são "espirituais" a ajudarem os "carnais" Paulo demonstra que um está mais capacitado que o outro a identificar o mal e ajudar a restaurar seu irmão, mas também mostra que essa é uma condição variável, pois mesmo o "espiritual" deve vigiar para não cair.

William Kelly escreve em seu artigo "Deliverance": "Quem são eles (os 'espirituais')? Aqueles que conhecem melhor o odioso mal que existe na carne e, o que é ainda mais importante, a graça de Deus. Estes podem, portanto, se apiedarem das almas que são enganadas e se desviam do Senhor. Um homem carnal conhece tão pouco a Deus e a si mesmo que não é apto para fazer esse trabalho (de ajudar a restaurar seu irmão). Ele acabaria errando, tanto para o lado da camaradagem, que o levaria a dar pouca importância ao pecado, como para o lado da aspereza. O homem espiritual, por graça, mantém o equilíbrio. Ele é capaz de condenar o pecado e ao mesmo tempo auxiliar a alma em graça visando sua restauração".

Isto nos faz entender que a carnalidade pode se manifestar em um crente tanto na forma de libertinagem como de legalismo. É fácil enxergar esta segunda tendência quando vemos que o homem do capítulo 7 de Romanos está aflito por não conseguir ver em seu corpo de carne uma completa sujeição à lei. Ele cai no farisaísmo quando deixa de fazer essa cobrança de si mesmo e passa a cobrar isso dos outros.

Ao fazermos esta distinção entre o natural, o carnal e o espiritual é preciso entender que apenas o primeiro ainda não está salvo. Um crente carnal possui o Espírito Santo ("se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" - Rm 8:9), porém não anda no Espírito ou julga as coisas no Espírito. O homem carnal de Romanos 7 está nessa batalha porque é nascido de novo e tem vida vinda de Deus, ou nem se incomodaria com isso se fosse incrédulo. Ele quer fazer o bem, mas se sente miserável por não conseguir. Ele busca a Deus, ao contrário do homem natural descrito em Romanos 3. O homem nascido de novo tem horror ao pecado e se deleita em Deus, mas pode ainda não viver na condição de liberdade do homem de Romanos 8.

Resumindo, somos salvos pela fé em Cristo, e não pelo entendimento de nossa salvação. E a fé é um dom de Deus e é ele o autor de nossa salvação, não nós ou nossas certezas. Se fosse diferente e precisássemos ter certeza de nossa salvação para termos garantia dela, ao menos nesta parte o mérito de nossa salvação seria nosso e mesmo essa certeza poderia variar de pessoa para pessoa. Enquanto alguns viveriam radiantes com a certeza do perdão de seus pecados, outros teriam aqui e ali algumas dúvidas que lhes causariam inquietação. Ou então, quando caíssem em pecado e perdessem a comunhão com Deus, poderiam também se sentir vacilantes em afirmar que estariam completamente salvos (embora efetivamente estivessem desde o momento em que creram em Jesus).

Se a salvação dependesse de nossos sentimentos de certeza ela também iria variar conforme nossas emoções. Poderíamos encontrar pessoas que afirmaram durante anos a certeza de sua salvação, mas que por alguma disfunção física ou mental causada por enfermidade chegassem ao fim da vida duvidando dela. Podemos descansar na certeza de que Deus não deixa confuso alguém que busca por ele ou clama pelo nome de Jesus para ser salvo.

“Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Rm 10:11-13)

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Quando o Autor se apaixona... - Mario Persona

Eu devia ter uns sete ou oito anos quando me apaixonei pela irmã mais nova da amiga de minha irmã. Nessa idade a gente não sabe exatamente o que vai fazer com o amor de sua vida, então passa a fantasiar. E no lusco-fusco de meu sono eu tentava forçar minha mente para sonhar com ela. Invariavelmente em minha imaginação infantil ela sempre estava correndo algum perigo e eu ia salvá-la. Acho que todo menino já sonhou assim.

Às vezes o objeto de sua paixão nem existe de verdade, mas nem por isso você fica menos apaixonado. Você já se apaixonou pelo personagem de um romance ou filme? Acontece, não é mesmo? Agora pense no autor. Ele pode facilmente se apaixonar pelo personagem que criou e não resistir à tentação de entrar em seu próprio livro, criando um personagem que é seu alter ego para poder interagir com sua amada fictícia. Muitos romances são assim e às vezes é possível identificar o DNA do autor no personagem.

Agora pense no que aconteceria se o Autor da maior história já escrita decidisse entrar no roteiro depois de se apaixonar por alguém que ele mesmo criou! E não apenas se apaixonar, mas ir até as últimas consequências por causa desse amor, ao ponto de dar sua vida para salvar sua amada e garantir que a história tivesse um final feliz. Quer a indicação do livro onde isso acontece? Ok, vou dar uma dica: Começa com "B", o nome do Autor que mergulhou em sua própria criação começa com "J" e sua amada... Hmmm.... talvez ela esteja lendo estas linhas. - [Mario Persona]

"Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela" Ef 5:25

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"Sou eu guardador do meu irmao?" - John Kulp

A maioria de nós sabe o contexto em que esta pergunta foi feita, há muito tempo, perto da aurora da história humana. Caim disse estas palavras depois de matar seu irmão Abel, e depois de ter mentido descaradamente para Deus quando lhe foi perguntado: "Onde está Abel, teu irmão?" (Gênesis 4:9). O que poderia ter se passado pela mente de Caim, além desse impulso carnal de negar a culpa por seu ato brutal? Ele estava afirmando sua independência, tanto de prestar contas a Deus, quanto de assumir qualquer responsabilidade pelo bem-estar de seu irmão.

Afirmar ou defender a própria independência em questões morais e espirituais nunca é algo elogiado por Deus. A independência espiritual é a rejeição da ideia de prestar de contas a Deus. Independência moral é a recusa de prestar contas a outra pessoa ou grupo de pessoas por suas ações, e muitas vezes inclui desprezar a responsabilidade dada por Deus pelo bem-estar dos outros. Encontramos manifestações desse espírito de independência no coração do homem natural em muitos outros personagens da Bíblia, e vamos brevemente observar apenas mais dois deles.

Faraó mostra seu caráter e começa sua espiral descendente em direção à destruição ao fazer esta pergunta em tom de desprezo: "Quem é o Senhor, que eu deveria obedecê-lo para deixar ir Israel?" (Êxodo 5:2) Ele imediatamente responde à pergunta de sua própria condenação: "Eu não conheço o Senhor". Não há dúvida de que a consciência de Faraó foi tocada quanto às reivindicações de Deus para com ele, mas ele desprezava qualquer prestação de contas ao seu Criador, e qualquer a responsabilidade pelo bem-estar do povo de Jeová.

Nabal era um homem "grosseiro e mau", o oposto de sua bela e piedosa esposa, Abigail (1 Samuel 25). Quando Davi e seus homens quiseram encontrar justamente alguma consideração de Nabal, ele retrucou com uma pergunta muito semelhante à de Faraó: "Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé?". E não contente em parar por aí, acrescentou um insulto à injúria e deu sua opinião sobre quais seriam os motivos de Davi: "Muitos servos há hoje em dia que fogem ao seu senhor." Em outras palavras, Nabal considerou Davi um rebelde que conseguiu sua independência de Saul, e se Davi queria obter algum sustento para si e seus seguidores, ele que voltasse a se submeter a seu antigo senhor. Mas Davi era um fugitivo, não um rebelde.

Ora, para nós Davi é uma bela figura do Senhor Jesus Cristo. No relato que acabamos de mencionar, Nabal censurou David, assim como os fariseus repreenderiam Jesus séculos depois e com o mesmo espírito orgulhoso, acusando-o de ter uma missão independente, ao dizerem "tu deste registro de ti mesmo! Teu testemunho não é verdadeiro" (João 8:13-14) Mas nunca houve um homem mais dependente nesta terra que o nosso bendito Senhor, de modo que as acusações dos fariseus contra o maior Filho de Davi apenas serviram para manifestar o afastamento deles próprios de Deus e Sua verdade (João 5:30-38; 6:38-40).

Não deve ser surpresa para nós que os pecadores insistam em sua independência moral e espiritual, mas qual seria a lição para os cristãos em figuras como estas? "Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si" (Romanos 14:7-9). Que os nossos corações e consciências estejam sempre exercitados na dependência de Deus, tendo ao Senhor Jesus como nosso exemplo, e deixemo-nos ser e agir de acordo com a nossa responsabilidade para com Ele e para os demais no corpo de Cristo. Ele veio, não para agradar a si mesmo, mas "tomou sobre Si a forma de servo".

Um espírito independente pode ser aceitável em uma sociedade que valoriza a independência política, mas o que deveria caracterizar o espírito dos justos? Nosso Deus irá certamente honrar e recompensar a vida que é dependente, responsável e conforme à imagem de Seu Filho.

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