Há dois grandes aspectos do evangelho neste capítulo: primeiro, aquele para o qual somos chamados e para o qual fomos feitos aptos; segundo, o testemunho que Deus deu do pecado em nós e da obra de Cristo que resolveu o problema. É bom apreender o ...

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Deus estava em Cristo - Um comentário de 2 Coríntios 5 - J. N. Darby and more...

Deus estava em Cristo - Um comentário de 2 Coríntios 5 - J. N. Darby

Há dois grandes aspectos do evangelho neste capítulo: primeiro, aquele para o qual somos chamados e para o qual fomos feitos aptos; segundo, o testemunho que Deus deu do pecado em nós e da obra de Cristo que resolveu o problema. É bom apreender o que é o chamado de Deus, a fim de saber o que é necessário para participar dele. Não há reconciliação da coisa velha, tal como ela é, mas existe uma completa reconciliação no novo homem. O julgamento do homem é pronunciado: "Agora é o juízo deste mundo" (Jo 12:31). As tratativas de Deus com o homem na carne terminaram, a carne foi deixada de lado para sempre. No novo estado de coisas introduzido por Cristo em ressurreição "todas as coisas são de Deus" (2 Co 5:18).

Quanto ao corpo, ainda não chegamos a isso, e por esta razão "desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Co 5:8). No momento em que nos apossamos de nosso chamado "para o seu reino e glória" (1 Ts 2:12) somos introduzidos na presença de Deus. Ele também está nos capacitando a apreender a glória. Repare que uma obra inteiramente de Deus deve ser feita para que o homem possa entrar na glória. Você poderia se colocar a si mesmo na glória de Cristo? "Quem para isto mesmo nos preparou foi Deus" (2 Co 5:5). A presença de Deus revelada à alma dá uma verdadeira e completa convicção de pecado. A pessoa já não se importa com o que o homem pensa, pois sabe o que Deus pensa.

O pecado é uma coisa vergonhosa, mas a presença de Deus produz pensamentos que estão além da vergonha. No momento em que a alma está diante de Deus, ela odeia e julga o pecado, não consegue pensar em escondê-lo, prefere estar na verdade diante de Deus — "há verdade no íntimo" (Sl 51:6). A vergonha do homem o leva à ocultação do pecado. A verdadeira luz de Deus manifesta tudo, mas quando o coração está alinhado com Deus ele fica do lado de Deus contra o pecado, e assim há perdão. Tudo fica bem quando olhamos para o que somos na presença de Deus. Somos chamados "para o seu reino e glória" (1 Ts 2:12) para sermos conformes à imagem de seu Filho. Temos uma vida, e a glória divina pertence a essa vida. É Deus quem justifica. Ele que está bem eu me enxergar assim, é o próprio Deus quem declara. É isso que eu quero, essa justificação completa e abençoada que se conecta com a glória — "...aos que justificou a estes também glorificou" (Rm 8:30). "Aguardamos a esperança da justiça" (Gl 5:5).

É assim que Deus nos chama em Cristo. Aquilo que é anunciado no evangelho é Cristo tal qual o homem é na glória divina. É o "evangelho... da glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Ts 2:14). A obra foi consumada para colocar o homem na glória de Deus. Essa coisa nova é o homem, o centro de toda a glória de Deus. Evidentemente isso será realizado oportunamente em Cristo, "de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Ef 1:10) — ou como é apresentado em Apocalipse, "a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21:23). É para essa glória de Cristo que somos chamados; ela brilha na alma.

Você está apto para essa glória? Se não, para que você está apto? Você não pode ficar aqui na terra para sempre. Para onde vai? Se não estiver na luz, deve estar na escuridão, que é o oposto dela. Não há meio-termo. Temos isso na parábola do filho do rei — Jesus havia falado antes em buscar fruto, agora ele está falando da graça que não procura nada, mas oferece uma festa pronta. Aqueles que são convidados são os que estavam nas estradas e valados, e não importa o que eles eram antes, eles devem estar vestidos com a roupa nupcial. O pródigo deve ter o melhor manto para entrar na casa, ele deve estar adequado à casa. Você, meu leitor, entendeu isso? Vemos o que é esse chamado, mas será que você pode se perguntar: "Tenho eu o que é adequado à glória para a qual estou indo?"

Talvez você esteja entendendo que o Senhor está guiando você neste sentido, mas se não tiver isto, para quê está apto? Ou você está do lado de fora ou do lado de dentro e vestido com a veste nupcial. "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2 Co 5:19). Acaso Jesus não se adequou a todos para conquistar seus corações? Ele veio trazendo o convite para os homens irem a Deus, mas não, eles não o queriam. Em troca de seu amor eles o odiaram, dando um terrível testemunho da completa ruína do homem. O ser humano está morto, apesar de estar vivo para si e para seus semelhantes, mas não há movimento de seu coração em direção a Deus. "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1:11). No entanto, em Cristo você encontra perfeito amor, não reprovação. Paulo viu a terribilidade do julgamento e começou a persuadir os homens. O amor de Cristo ainda está pressionando os homens à verdade de que estamos mortos, de que a conexão entre o homem e Deus está rompida e não pode ser restabelecida.

Será que a cruz anuncia que Cristo colocou o mundo em ordem? "Um morreu por todos", isso é amor indescritível, "logo todos morreram" (2 Co 5:14). Será que a sua alma já foi trazida à convicção de que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum"? Poderia você afirmar que se estivesse lá não teria condenado Cristo à morte? Poderia você dizer que ele não morreu por você, para lhe ajudar e purificar? Se não, então você deve dizer: "Estou morto, perdido, não tenho ligação no coração com Deus!".

A velha criação é uma coisa julgada e condenada; você, assim como todos filhos de Adão, pertence a ela. A questão é se você foi tirado dela. O homem emancipou-se de Deus; o que a infidelidade faz é justificar e proclamar este fato, estabelecer e cultivar a vontade do homem. Caim começou este mundo sem Deus. Ele foi e construiu uma cidade e a chamou pelo nome de seu filho. Eles tinham instrumentos de música e artífices ali — tudo para tornar o mundo um lugar agradável sem Deus. E é isso que o homem está fazendo até hoje, e se justifica dizendo que faz isso com as faculdades que Deus lhe deu, e é verdade. Mas qual é o estado moral do coração do homem? Acaso ele não está longe de Deus? Jesus "veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19:10).

Não estou perguntando se você se reconhece como perverso, mas se você se vê como perdido, morto! Por natureza rejeitamos a Cristo, todos os nossos pensamentos se agrupam em torno de nós mesmos. Ao invés de preferirmos a Cristo, preferimos o prazer, tudo o que há no mundo e nossa própria vontade. Esta é a condição de todos, naturalmente, e esta era a condição de cada um de nós, exceto daquele que não estava morto, daquele que era aceitável a Deus, o único que poderia ser, e que foi feito pecado por nós: Jesus. Ele ficou em nosso lugar. Ele, o santo abençoado, foi feito pecado. O poder vivificante de Deus nos mostra o pecado, mas vemos a coisa toda resolvida na cruz. Enxergo o que é a carne — ela crucificou a Cristo —, mas não estou mais nela, pertenço à nova criação. Estou em Cristo, que é a minha justiça, e me dá o direito de acesso. Encontramos o chamado para o reino e a glória de Deus. Vemos o véu rasgado, e Cristo do lado de dentro como Homem, e ao chegar lá, ele eliminou tudo o que éramos na carne. Temos que lidar com a carne diariamente como quem lida com um inimigo, mas quanto à nossa posição diante de Deus ela está resolvida. Em Cristo já entramos nesse novo lugar — "agora contudo vos reconciliou" (Cl 1:21); não existe mais nada entre mim e Deus. Somos introduzidos na glória de Deus. É certo que ainda aguardamos por isso em nossos corpos, e ele nos deu o penhor do Espírito.

Temos a reconciliação, mas reconciliação com quê? Com Deus. Cristo fez isso em conformidade com o que Deus é, e devemos julgar o pecado de acordo com o que Deus é. Quando obtemos o conhecimento disso? Agora, pela fé. Mas é algo que não podemos receber até que julguemos que trevas são trevas. Deus diz: "Onde está meu filho?" O mundo deve se declarar culpado de sua morte, pois não viu beleza em Cristo e agora prefere prazer, roupas, dinheiro, ciência, qualquer coisa ao invés de Cristo. Eu posso ainda ter que aprender muito, passar por muitos conflitos, mas se eu pertenço a Cristo estou reconciliado com Deus. "O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5:14) — este é o fundamento de todo o nosso caminhar.

Você pode ter vivido para si mesmo, ainda que muito decentemente, sem praticar o que o mundo chama de grandes pecados, mas há muitos inimigos decentes de Deus, e será que sua reputação valerá alguma coisa no dia do juízo? Um cristão pode não viver para si mesmo em propósito, mas será que você não estaria vivendo para si mesmo na prática? Você pode dizer que está ocupado com coisas inocentes, mas nada pode ser inocente longe de Deus. Você já julgou a si mesmo como pertencente a um mundo que rejeitou a Cristo? Temos de detalhar isso: a carne está continuamente se mostrando de formas inesperadas, todavia Deus condenou o pecado na carne. Ele perdoa pecados, mas a posição [o pecado] ele condenou, não perdoou. Você o conheceu, ele se fez pecado e fez de você justiça de Deus nele. Será que você pode afirmar: "Estou reconciliado com Deus, fui levado de volta para ele"?. Será que pode dizer. "Estou feliz por saber tudo sobre o meu pecado, 'sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos'"? (Sl 139:23). [traduzido de "God was in Christ" — 2 Corinthians 5 — J. N. Darby]

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Quem e' Deus? - J. Wilson Smith

Ao viajar outro dia com um amigo a bordo de um dos pequenos barcos a vapor que percorrem os cais do rio Tâmisa, foi nosso privilégio anunciar publicamente o evangelho aos muitos passageiros que lotavam o convés do navio. As circunstâncias ali não permitiram muito mais que a leitura da preciosa palavra de Deus para que escutassem.

Nosso tempo era, evidentemente, muito limitado e as pessoas estavam em constante movimento. Percebi que alguns escutaram, alguns se afastaram para não ouvir o som, alguns zombaram, alguns criticaram. O efeito foi diferente em diferentes casos; mas no final, e logo antes do nosso desembarque em nosso local de desembarque, um homem, que havia escutado apenas para criticar, fez a pergunta: "Quem é Deus?".

Ao olhar para ele, observei que ele estava bem vestido e, pela maneira de sua conversa, ele estava longe de ser ignorante; e, no entanto, essa era a sua pergunta — uma pergunta feita sóbria e solenemente, no centro da cidade mais civilizada do país mais civilizado do mundo! Bem, isso pode assustar! Não foi motivado, no entanto, pela ignorância, mas pela infidelidade — essa fria, desalmada, ousada companheira do ostentado iluminismo do século XIX, aquela geradora de dúvidas, que procura questionar a verdade, mas que nada pode resolver e nunca satisfaz.

A infidelidade era a mãe daquela pergunta blasfema. Ao ouvi-la, meu amigo deu esta bela resposta: "Deus é amor". "Não", disse o infiel: "Deus é ódio, pois Deus amaldiçoa". Meu amigo repetiu, "Deus é amor e Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16). Não ouvimos mais nada vindo daquele homem, mas tivemos de deixá-lo nas mãos daquele Deus que ama pessoas como ele, e que deseja que o tal seja salvo.

Pode-se perceber que meu amigo mais replicou do que respondeu. Ele mostrou mais o que do que quem Deus é.

Mas ao perguntar “Quem é Deus?” duas coisas foram admitidas; primeiro, que o próprio homem era ignorante de Deus e, segundo, que ele admitia em suas próprias palavras o estupendo fato de que “Deus é”. Ele não perguntou “Quem era Deus?”, no passado, como se perguntasse sobre alguma personalidade terrena que tivesse saído de cena, da qual ninguém mais tivesse ouvido falar. Mas ele perguntou "Quem é Deus?", no presente.

É verdade que Deus não pode ser visto nem ouvido, mesmo assim “Deus é”. ´É fato que o pecado pode ser abundante e desenfreado, mesmo assim “Deus é”. É verdade que podemos não observar alguma interferência milagrosa, mas mesmo assim “Deus é”. É verdade que os fundamentos do mundo podem estar abalados, mas ainda assim "Deus é". Os homens maus e enganadores podem ir de mal a pior, mas mesmo assim "Deus é". "Eu sou o que sou... EU SOU... este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração” (Êxodo 3:14-15). A fé crê nisso e age com base nisso. A infidelidade acha por bem negar e, apesar da Criação e da revelação, ousadamente questionar: "Quem é Deus?".

Vale lembrar que, quando o apóstolo Paulo estava na cidade de Atenas, ele viu um altar com esta inscrição: "Ao Deus desconhecido”. Pode-se compreender que a filosofia ateniense perguntasse “Quem é Deus?”. Mas poderia a Londres cristã ser colocada em pé de igualdade com a Atenas pagã, e uma declaração semelhante desse "Deus desconhecido” ser feita em nossos dias? Para os homens de Atenas, Paulo falou de duas coisas; primeiro, da responsabilidade do homem para com Deus, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17:28), e segundo, da indicação de um dia de juízo: "Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (At 17:31).

Agora todos os homens são responsáveis perante Deus e eles sabem disso. E a responsabilidade termina em juízo — um julgamento que abrangerá todos, exceto para "nós que já corremos para o refúgio" (Hb 6:18) — pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9:27).

Este é o claro e certeiro decreto de um Deus que não é desconhecido — é Sua determinação. Assim diz aquele precioso livro do qual Deus é o Autor. E agora eu faria ao meu leitor esta pergunta: Ao admitir e reconhecer que "Deus é", será que você O conhece? Você conhece a Deus? Esta não é uma expressão vã, não se trata de uma pergunta sem sentido. Conhecer a Deus é a bendita porção de todos os Seus filhos. Não se trata de saber algo sobre Deus na Criação, ou ao longo da história sagrada — trata-se de conhecer a Ele próprio.

Considerando que muitos de seus filhos estão pouco familiarizados com o “mistério da piedade” (1 Tm 3:16) e, ainda que conheçam a Deus, podem encontrar dificuldade em responder às objeções levantadas pela infidelidade,  eles “conhecem a verdade” (1 Tm 4:3). Esse conhecimento tem o efeito de produzir uma paz de espírito, do coração e da mente, mesmo sob as circunstâncias mais esmagadoras, sim, mesmo diante da própria morte. Isso faz com que esses sejam alvo da inveja de seus vizinhos, reconhecidamente mais sábios, porém infiéis. Quem não conhece a Deus não é Seu filho.

O conhecimento do bem e do mal foi adquirido pela desobediência dos nossos primeiros pais, e com esse conhecimento veio o pecado e a morte. Mas agora, no cristianismo, o conhecimento de Deus Pai é uma realidade na alma do crente pelo poder do Espírito Santo. e esta é a vida eterna. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (Jo 17:3). Por isso o apóstolo Paulo diz: "Eu sei em quem tenho crido" (2 Tm 1:12).

Por isso também foi escrito aos crentes da Galácia “agora que conheceis a Deus” (Gl 4:9). Fica claro, portanto, que Deus não só é revelado através da Palavra na Pessoa do Filho, mas é realmente conhecido nas almas de seus filhos. Eles já foram pecadores, como os outros, mas, despertados pelo Espírito de Deus para um sentimento de sua condição perdida, foram a Ele, pela fé, o mesmo que convida a todos. O crerem nele foram feitos filhos de Deus, e “porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4:6), é o que diz o registro divino.

Assim, para eles, Deus é conhecido, e a doçura dos ternos cuidados do Pai, do amor perfeito e eterno de um Salvador, e a alegria e o conforto do Espírito, proporcionam um prazer que é bem conhecido, fazendo com que a jornada através do vale terrestre de lágrimas, seja de paz e comunhão, até terminar na alegria da casa do Pai nas alturas.

E quando as névoas forem removidas,
E em Tua luz formos envolvidos;
Encontraremos Quem amamos mesmo ausente,
Veremos Quem adoramos quando silente.

J. Wilson Smith viveu entre 1843 e 1922 na Grã-Bretanha. Uma coleção de seus artigos foi publicada no livro "Thou Remainest" em 1919.

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Democracia 'a luz das Escrituras - F. B. Hole.

Atualmente, duas grandes ideias prevalecem no mundo, no que se refere à sua vida nacional, política e social. Elas são radicalmente diferentes, e na superfície totalmente inconsistentes uma com a outra, ainda que a atual tendência das coisas nos levaria a suspeitar que um caminho ainda possa ser encontrado pelo qual elas serão reunidos em um certo tipo de amalgamação; e a voz das Escrituras proféticas nos confirma nesta expectativa. As duas grandes ideias são respectivamente a democrática e a imperialista. Ambas já fazem parte do cenário.

A democracia se apresenta para nós como o produto acabado da sabedoria das eras. A história nos dá, pode-se dizer, o longo e desanimador registro de experiências humanas na arte do governo, e aproveitando a experiência passada, a ideia democrática evoluiu e agora domina o terreno entre as nações iluminadas. Para usar a famosa frase de Abraham Lincoln, democracia é o "governo do povo, pelo povo, para o povo". Na prática, a questão é que o povo deve ser governado pela maioria do povo. Já que as pessoas nunca são unânimes, a minoria deve ceder e essa maioria deve governar por seus representantes acreditados para o bem de todas as pessoas, e não apenas pelos interesses da maioria. Se isso realmente acontece é outra história.

A ideia imperialista tem como lema que "união é força". Na vida nacional, ela leva a grupos de nações e poderosas alianças e ligas. Na política, ela se expressa em grupos de partidos para conseguir juntos o que eles não podem esperar impor isoladamente. Socialmente ela produz trustes gigantes, federações de indústrias, sindicatos. O imperialismo ameaça até aparecer no mundo religioso na forma de uma federação de "igrejas". É realmente uma volta à velha ideia que animava os antediluvianos em seus esquemas em Babel. (Veja Gênesis 11:1-9).

Nossa preocupação atual não é de forma alguma com as vantagens ou desvantagens políticas da Democracia. Desejamos, no entanto, obter a luz que a Palavra de Deus derrama sobre ela, discernindo assim seu verdadeiro caráter, e antecipando o fim seguro ao qual o tempo a levará.

Em primeiro lugar, devemos investigar as Escrituras quanto ao caminho de Deus para o governo da Terra. Ele tem, é claro, uma opinião sobre o assunto, e quanto mais claramente o apreendermos, mais estaremos em posição de julgar qualquer teoria que o homem tenha proposto.

No começo, Adão, ainda não caído, foi colocado na posição de autoridade única. Ele era a imagem ou representante de Deus e tinha domínio sobre as classes inferiores dos seres criados (Gn 1:26). Nenhum pensamento de autoridade sobre os outros homens entra aqui. Este ponto não foi levantado até que o pecado chegou. Sua autoridade, como tal, era absoluta, e sua responsabilidade era somente para Deus.

O pecado invadiu a criação, um longo período decorreu durante o qual não havia mais autoridade delegada ao homem por Deus e, portanto, nenhum homem tinha autoridade sobre seus semelhantes. Essa idade terminou no dilúvio.

A primeira era pós-diluviana se abriu, porém, com mais uma delegação de autoridade. Noé e seus filhos depois dele foram responsáveis por manter os direitos de Deus no homem, especialmente no que diz respeito à santidade da vida humana. (Veja Gn 9: 5 e 6). Deus por este meio delegou a certos homens a autoridade sobre os homens, a qual chegava até a execução da pena capital. A autoridade patriarcal foi assim estabelecida.

Entre aqueles que logo depois afastam o temor de Deus "por haverem desprezado o conhecimento de Deus", como Romanos 1:28 coloca, esta autoridade evidentemente mudou sua forma. Não era mais de caráter patriarcal, mas caiu nas mãos de homens de destreza e renome, como Ninrode (Gn 10: 8-10), e depois da confusão do discurso em Babel, aparecem nações com seus "reis" (Gênesis 12:15; 14:1-2).

No entanto, aqueles que ainda temiam a Deus se apegaram à ordem patriarcal até que Deus intervisse para libertar Israel do Egito e levantasse Moisés. Isso marcou um novo começo. Moisés foi investido por Deus com uma autoridade no meio de Israel muito além do que a que Noé recebeu. É verdade que a princípio sua autoridade foi rejeitada. O malfeitor "o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?" (Atos 7:27), mas lemos também que "a este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça." (vers. 35). Moisés era de fato "rei em Jesurum" (Deuteronômio 23:5), mas era um reinado de uma ordem informal. Corretamente falando, a Teocracia foi estabelecida em Israel com Moisés como porta-voz e mediador e, portanto, nesse sentido, rei.

Durante séculos, a autoridade que governava em Israel era dessa ordem, mas o poder dela diminuía; aqueles que a usavam eram muito inferiores em fidelidade e em vigor. "Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face" (Deuteronômio 34:10).

A fraqueza resultante levou a um clamor por um rei como as nações (1 Samuel 8:5), e após o episódio do rei voluntarioso da escolha do povo, Deus levantou Davi e estabeleceu autoridade real em uma base adequada. Ele deveria ser o governante do povo de Deus e o executor do julgamento de seus inimigos (2 Samuel 7:8, 9). Ele também deveria "alimentar" Israel de sua herança. Então ele os alimentou de acordo com a integridade de seu coração; e guiou-os pela habilidade de suas mãos (Salmo 78:71-72). A autoridade de Davi era absoluta e ele deveria governar. Ele deveria julgar se e como fosse necessário, mas também alimentar seus súditos e guiá-los. Sua regência era absoluta, mas totalmente benéfica.

Com o fracasso dos descendentes de Davi, a glória dela se foi e, finalmente, Deus transferiu a autoridade para as mãos dos gentios. Antes de tudo, foi confiada a Nabucodonosor, como declarado em Daniel 2:37-38, e embora o sonho do grande rei, como registrado naquele capítulo, prenunciava as mudanças que sobreviriam quanto às formas de governo, ainda assim mostrou que a autoridade que estava por trás do governo, qualquer que fosse sua forma, permaneceria nas mãos dos gentios até que a repentina execução da ira divina sobre o orgulho e abuso de todo o homem revestido de poder fosse um fato consumado. Então deveria aparecer o reino que "permanecerá para sempre" (Daniel 2:20), e esse reino deveria ser investido no Filho do homem, que exercerá domínio absoluto para a bênção dos homens (Daniel 7:13, 9). Ele ficará satisfeito, entretanto, em assumir seu posto e usá-lo em conexão com Seu governar os santos "do Altíssimo" ou "das alturas" (versículos 18, 22), e também um "povo" que possuirá o reino "sob todo o céu", isto é, no seu lado terrestre. Este povo, claro, é Israel.

Este rápido esboço do curso do governo entre os homens é suficiente para mostrar que uma característica marca tudo. A autoridade final é sempre Deus, e Deus somente.

Nenhum homem tem direito prescritivo de exercer autoridade sobre seus companheiros, a não ser que a tenha recebido de Deus. Por isso, em passagens como Romanos 13:1-6 e 1 Pedro 2:13-15 a obediência às autoridades dominantes é imposta ao cristão. O apóstolo Paulo nos diz: "não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas." (Nova Tradução).

Voltando agora do governo como nos foi apresentado nas Escrituras para a prática dele por aqueles a quem foi confiado na terra, nós imediatamente vemos que tem isso sido terrivelmente abusado, como tudo o mais que foi confiado ao homem caído. A tirania e o egoísmo floresceram em todos os lugares, e a história é um registro das longas e dolorosas lutas através das quais as nações mudaram de uma forma de governo para outra, ou introduziram modificações em seus vários sistemas governamentais, na vã esperança de evoluir para condições ideais. De todas essas mudanças, a Democracia é a mais recente, e seu advento não é surpreendente para qualquer um que seja versado nos abusos que lhe deram origem.

Comparando-a, porém, não com seus antecessores, mas com os ideais das Escrituras, que devem ser plenamente realizados na era milenar, vemos imediatamente que ela é mais irremediavelmente condenada do que qualquer outra forma de governo que já tenha aparecido; pela razão de que de maneira honesta e impiedosa depõe Deus como fundamento e fonte de autoridade e coloca o homem — isto é, "o povo" — em seu lugar. O abismo entre esses dois é tão grande quanto aquele entre o céu e o inferno.

Para o democrata radical, apenas uma questão realmente importa: a vontade do povo. Buscar saber o que pode estar certo ou, em outras palavras, procurar saber a vontade de Deus, é completamente irrelevante. O que o povo deseja é que deve ser considerado como sendo a coisa certa, e as funções de um governo verdadeiramente democrático estão em realizar os desejos do povo, ser o humilde servo da vontade do povo, seja essa vontade certa ou errada.

Neste assunto, como em todos os outros, a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo fornece ao cristão um teste supremo. Naquela hora solene, Pôncio Pilatos, o governador, era o representante de César e, em seu autocrático tribunal, Cristo foi denunciado. No entanto, em um momento incomum de fraqueza, a autocracia abdicou de suas funções. O registro é mostrado assim:

"Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!" (Mateus 27:24).

"Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu. Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido." (Lucas 23:23-24).

Como representante de César, Pilatos lavou as mãos de todo o negócio, enquanto, atuando como o poder executivo de uma democracia que dominava por apenas uma breve hora, “Pilatos decidiu fazer a vontade deles.” (NVI).

Do ponto de vista de um conjunto de princípios democráticos, isso pode ser aprovado como certo. De todos os outros pontos de vista, foi o erro mais escandaloso da história do mundo.

Voltando novamente ao sonho de Nabucodonosor, conforme registrado em Daniel 2, podemos agora estar mais capacitados a compreender o significado da argila que entrou na estátua quando a descrição chegou aos pés dela.

A visão de Daniel 7 estabelece o curso dos quatro grandes impérios gentios em suas relações entre os homens, e eles são retratados como animais selvagens em seus poderes de destruição. O sonho de Nabucodonosor, por outro lado, nos dá os mesmos quatro impérios, mas como estabelecendo o caráter e a qualidade de seus governos, e, portanto, o que os marca é uma deterioração constante nos metais que se sucedem.

Deus iniciou os "Tempos dos Gentios" com uma forma ideal de governo, embora o homem que exercia seu poder estivesse longe de ser o ideal. Que a forma era ideal é mostrado pelo fato de que Deus voltará a ela para a era milenar, quando o Homem ideal aparecer, por quem Ele "julgará o mundo em retidão", e todos logo terão paz e bênção.

À medida que os impérios se desenvolviam, os homens se desviavam do ideal de ouro e introduziam modificações humanas, e o governo tornou-se prata, latão (ou bronze) e ferro, à medida que mais e mais pensamentos divinos eram esquecidos e as políticas humanas surgiam.

É, no entanto, na última etapa do último império — o romano — que encontramos pela primeira vez a introdução da argila, uma substância não metálica. Esta era uma previsão evidente de que, antes do fim, deveria ser introduzido no sistema governamental predominante, um princípio que não deveria ser tanto mais uma modificação do antigo, como radical e fundamentalmente diferente. Por causa disso "assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil". A interpretação que Daniel faz do barro e do ferro misturados é que "misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro".

O sujeito "eles" desta passagem parece significar aqueles em cujas mãos nesse tempo repousa a autoridade.

Não hesitamos em ver aqui uma previsão da insurreição e prevalência de uma democracia nos últimos dias. A autoridade que encontra sua fonte em Deus, e aquela que encontra sua fonte no homem, são tão diferentes uma da outra quanto ouro, ferro ou qualquer outro metal do barro. As duas coisas podem ser misturadas — elas são em parte inextricavelmente misturadas em nossa atual teoria e prática de governo, mas apenas fraqueza e fragilidade são produzidas, e logo virá o golpe fatal administrado pela pedra "cortada sem as mãos".

Se alguém tiver dificuldade em reconciliar o que foi dito acima com as profecias sobre a vinda da cabeça de inspiração satânica para o renascido império romano, pediríamos a esses que lembrem de que, na prática, a transição da forma democrática para a imperialista é muito fácil. Deixe um homem de gênio transcendente aparecer, que parece incorporar em si mesmo o próprio espírito do "povo", e nada é mais fácil do que ele assumir por si mesmo os poderes que teoricamente pertencem ao povo, e o povo, inconstante e facilmente levado, ficará feliz em tê-lo assim. A carreira de Napoleão I, fruto da Revolução Francesa, é um exemplo disso. A "besta" vindoura de Apocalipse 13 surge "do mar", isto é, das massas do povo em estado de agitação e inquietação.

É, portanto, mais do que provável que esse "super-homem" que se aproxima sustentará de maneira bastante ardente as instituições democráticas na teoria, enquanto continua na prática o governo autocrático — ferro misturado com argila.

O leitor que pacientemente nos acompanhou até este ponto pode estar inclinado a perguntar o que esperamos conseguir ao escrever tudo isso, se tivermos, como dissemos, nenhum fim político diante de nós. Admitimos sem hesitação que nosso objetivo é uma separação muito mais completa do coração deste presente mundo maligno, para nós e para todos os crentes.

Bem, sabemos que nada além de um senso permanente da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, nosso Senhor, pode efetivamente elevar nossas almas acima do nível do mundo e de seus pensamentos, mas a exposição das políticas e esquemas mundiais à luz das Escrituras tem seu valor, e este tem sido nosso esforço atual.

Diz-se que a lâmpada da escritura profética em 2 Pedro 1:19 está brilhando em um lugar escuro ou "esquálido". Deixe a lâmpada lançar seus raios sobre os tão alardeados princípios da socialdemocracia e você verá como eles parecem esquálidos. O barro pegajoso pode ser dourado, mas certamente não é ouro! O cristão iluminado não irá gastar muito entusiasmo sobre ela.

E que luz clara as Escrituras lançam sobre a questão controversa de se um cristão deve votar e se interessar pela política em geral! Somos exortados a aceitar a posição de que não passamos de uma pequena engrenagem naquela máquina chamada "o povo", que usurpou para si aquela função na esfera do governo que pertence somente a Deus. Vamos cair nessa conversa? SIM! — se acreditarmos no "evangelho" humanista moderno que humaniza Jesus e deifica o homem. Mas se acreditarmos que a salvação não é do povo, mas do Senhor, NÃO!

O sistema mundial está condenado. Que não haja hesitação em nosso testemunho desse fato. As almas estão sendo resgatadas da catástrofe iminente pela abundante graça de nosso Senhor. É nosso buscá-las, dando testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo. Não desperdicemos tempo em vãs tentativas de escorar a estrutura capenga, mas ocupemo-nos naquilo que é a grande obra que nosso Senhor nos deu. Ser completamente para Ele e para Seus interesses, é estar completamente fora do sistema mundial e de suas esperanças.

Olhamos, não para um sistema aperfeiçoado de democracia, mas para "o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas." (Fp 3:20-21), e quanto a esta terra, nós procuramos o estabelecimento, pelo Deus do céu, do reino de Cristo que nunca será destruído, mas permanecerá para sempre.

“Democracy in the Light of Scripture” - F. B. Hole - extraído de “Scripture Truth” Vol. 12, 1920.


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O Cristao e o Socialismo - A J Pollock

Não devemos confundir Democracia e Socialismo com o Comunismo, pois ambos estão dispostos a lutar contra o Comunismo. Vamos nos referir neste artigo à Teocracia, então será melhor no início definir nossos termos.

(1) TEOCRACIA é o governo do povo por DEUS para Sua própria glória e bênção da humanidade.

(2) DEMOCRACIA significa o governo do povo pelo povo para o povo - a famosa definição de Abraham Lincoln.

(3) O SOCIALISMO na vida social, no comércio e no comércio segue princípios do comunismo, mas não como atualmente em sua forma extrema; na vida pública ele é semelhante ao republicanismo; no âmbito da religião está para o puro ateísmo.

(4) O COMUNISMO é o resultado de se levar o socialismo às suas conclusões extremas e lógicas. Comunistas se orgulham de dizer que o socialismo é uma conveniente casa a meio caminho para suas visões e objetivos. Considerando que as coisas no mundo de língua inglesa não chegam a este extremo, iremos limitar nossas observações neste artigo ao socialismo.

A democracia é uma concepção vital e radicalmente falsa. Ela traz dois erros colossais. Primeiro, deixa Deus praticamente de fora, como também acontece com o socialismo. Poderia existir algo mais suicida? Seria como os planetas abandonarem a ordenação de Deus e estabelecerem um plano para si mesmos. Sabemos o que isso significaria. Caos e destruição! O segundo erro terrível da democracia é agir como se o homem pecador caído pudesse governar a si mesmo.

O mesmo acontece com o socialismo. E o Milênio que o socialismo promete será um completo Pandemônio. Leia a história do mundo e julgue se o homem pode governar a si mesmo. Tendo dito isto sobre a democracia, vamos agora manter a consideração do socialismo, a cura oferecida para os males deste mundo. O socialismo, como veremos, é a negação do governo de Deus na terra, e deve eventualmente perecer nas chamas de seu próprio fogo. Ele se autodestruirá.

Diz Karl Marx:
“Combatemos todas as ideias predominantes de religião, do estado, do país, do patriotismo. A ideia de Deus é a pedra angular de uma civilização pervertida. Deve ser destruída. A verdadeira raiz da liberdade, da igualdade, da cultura é o ateísmo” (extraído de “Sociedades Secretas na Suíça”).

Robert Blatchford escreve:
“Adotei meu curso de ação anos atrás... prevendo que um conflito entre o socialismo e a religião (assim chamada) era inevitável, ataquei a religião cristã... Isso precisava ser feito e ela terá que terminar. Nenhuma medida parcial irá servir” (“The Clarion”, 4 de outubro de 1907).

H.Quelch escreve:
“Estamos preparados para usar qualquer meio — qualquer arma, das urnas à bomba; do voto organizado à revolta organizada; de contestações parlamentares a assassinatos políticos — qualquer meio que a oportunidade oferecer e que ajude no fim que temos em vista. Que isto seja compreendido, não temos absolutamente nenhum escrúpulo quanto aos meios a serem empregados” (“Justice”, 21 de outubro de 1893).

Essas palavras são bastante claras. Será que um cristão verdadeiro apoiaria tal coisa?

O objetivo final do socialismo só pode levar a uma tentativa de pôr de lado as leis básicas de Deus estabelecidas em Gênesis 3. Elas são:

1. Que a mulher, em consequência da queda, deve estar sujeita ao homem como sua cabeça, e que a fidelidade ao marido e a gravidez — em suma, a vida familiar no temor de Deus — deve ser a pedra angular da estabilidade da raça humana.

2. Que o homem só pode subsistir com trabalho duro, por ter sido o solo amaldiçoado por causa de sua responsabilidade na queda. “No suor do teu rosto comerás pão” (Gn 3:19).

Veremos agora como o socialismo visa transtornar essas leis básicas e, uma vez que elas sejam transtornadas, as coisas não podem continuar por muito mais tempo. Veremos como finalmente um Deus sofredor se interporá e introduzirá a Teocracia, como no princípio. A teocracia será a única cura para os problemas do mundo.

Considere, por exemplo, “Justiça Política”, de Godwin. Quando impresso pela primeira vez em 1793 o livro causou uma tremenda sensação. Foi muito antes da época em que o livro seria deixado de lado, mas os eventos recentes revelaram condições bem compatíveis com seu ensino, e uma segunda edição foi feita em 1918.

Godwin diz:
“Meia hora por dia seriamente empregada no trabalho manual de todos os membros da comunidade supriria a todos com o necessário” (p. 74).

Que isca essa para acenar para o preguiçoso! Hoje as horas já são consideravelmente reduzidas e os salários aumentados. E as exigências ainda são por horas mais curtas e salários ainda mais altos. Afirmou-se que se o homem não tivesse nada para fazer, em três gerações seus vícios engendrados pela ociosidade extirpariam a raça. Portanto deixe o agitador persuadir o operário de que uma ou duas horas de trabalho no dia fornecerão tudo o que ele quer, e ele irá lutar cegamente por isso. Mal sabe ele que não terá ovos de ouro quando matar a galinha dos ovos.

Que isso não é uma surpresa, a passagem a seguir poderá comprovar. Escrevendo sobre a greve geral proposta pelos sindicalistas, um simpatizante britânico diz:

“Dentro de uma semana, as classes úteis e produtivas, antes meros assalariados, dominariam a situação. Não haveria receio da fome, pois elas poderiam se apoderar dos suprimentos de alimentos e da terra como fonte de mais suprimentos de alimentos” (“The Crusade”, p. 143).

E quando “as classes produtivas úteis” tiverem saqueado as lojas, roubado o suprimento de comida e a terra, que incentivo alguém teria para produzir comida? O faminto e o improvidente tomariam a posse violenta de qualquer coisa produzida. O trabalhador trabalharia para os preguiçosos; o providente proveria o improvidente. Será que o providente seria providente em tais condições? O resultado seria desorganização absoluta de todo tipo; os homens seriam reduzidos a uma mera selvageria, ou se tornariam como os animais selvagens, que pegam sua comida como e onde podem.

Que o operário está viajando e não sabe para onde, é confirmado pelo seguinte extrato da pena de um dos mais ativos sindicalistas franceses:

“Pensamos seriamente em resolver definitivamente disputas sem fim. Alguns dirão que seus objetivos serão realizados em uma sociedade sem governo. Outros dizem que eles serão realizados em uma sociedade elaboradamente governada e dirigida. Qual é certo? Eu espero para decidir para onde vou só depois de ter retornado da jornada, o que por si só revelou para onde estou realmente indo” (“The Crusade”, p. 143).

Pobre homem! Onde estão seus cérebros para escrever uma tolice árida como esta? Ele fala de retornar da viagem na direção da qual não faz ideia até que sua chegada ao seu destino o tenha informado.

Um homem joga os remos para longe e permite que seu frágil barco desça pelo riacho. Ele não sabe para onde vai, diz que decidirá para onde vai quando voltar. Ele esquece que está indo a jusante e a corrente é forte. Poderia ele viajar de volta? Cada vez mais rapidamente seu barco viaja, as águas se tornam túrgidas, o rugido da catarata atinge sua orelha. Com um grito do homem condenado o barco é arremessado sobre o precipício e é feito em pedaços abaixo. E, no entanto, ele falou em retornar e então decidir!

Será que pessoas que escrevem um absurdo como este seriam capazes de governar?

E o que dizer da moralidade do seguinte extrato? Emile Pouget (“Revière”, Paris, p. 34), escrevendo no “Sabotage”, ou “Ca'Canny”, de uma forma extrema, diz:

“Se você é um mecânico, é muito fácil para você, com alguns centavos de algum tipo de pó, ou mesmo com areia, danificar seu maquinário para causar perda de tempo ou até mesmo reparos caros. Se você é um carpinteiro ou marceneiro, nada mais fácil do que danificar uma peça de mobília, de modo que o empregador não a perceba, nem o cliente início, mas que leve a fábrica a perder clientes. Um alfaiate pode arruinar facilmente uma peça de roupa, um vendedor, com algumas manchas, ser obrigado a vender produtos danificados a um preço baixo; um assistente de mercearia pode causar perdas por embalagem defeituosa. Não importa quem possa ser o culpado, o dono do negócio perderá seus clientes. Os métodos de sabotagem podem, portanto, variar indefinidamente.”.

E quando os empregados se livrarem dos clientes de seu patrão, seu empregador terá que se livrar dele — não haverá nada para ele fazer — e para onde irão os empregados então?

Vi o desenho de um homem sentado no final de um galho, e alegremente serrando o ramo em um ponto entre ele e o tronco, mas eu nunca tinha visto um tolo fazer isso na vida real. Mas temo que o socialista seja esse tolo hoje.

O socialismo em seu aspecto selvagem, com todo o seu sindicalismo ou bolchevismo, ou o que você quiser, é totalmente desprovido de moralidade e bom senso. Como o Diabo deve rir ao ver os homens tão dedicados para sua própria destruição e miséria!

Em 27 de maio de 1918, o “Daily Mail” inseriu um parágrafo.

"Tom Mann, sindicalista britânico, em um comício da Federação Socialista dos Trabalhadores na Trafalgar Square, disse: 'Devemos tomar nossos negócios em nossas próprias mãos. Eu defendo a revolução abertamente. Estou confiante de que a revolução está chegando. Nós consideramos o Parlamento e o Governo desprezíveis. O parlamento é o executivo da classe dominante. Preparem-se para uma ação comum para nos salvarmos. Comitês de trabalhadores estão sendo formados em cada oficina, fábrica e indústria. Preparem-se para a ação quando o sinal for dado. Espero que não haja força física. De qualquer forma, espero que não haja mais do que o necessário. Mas o trabalho deve ser feito; não deve haver escrúpulos quanto a isso.'”.

A República Soviética Russa ilustra bem a estrada da revolução por onde pretende viajar.

“Os soviéticos... repudiaram todos os empréstimos feitos ao regime czarista por governos capitalistas estrangeiros. Aquela parte da dívida nacional que representa empréstimos feitos por investidores russos também foi repudiada, mas pequenos investidores devem ser indenizados ” (“La Populaire”, novembro de 1918).

“Toda a terra e sua riqueza mineral, cursos de água, florestas, recursos naturais, tornam-se propriedade da República Federativa dos Soviéticos e são colocadas à disposição dos trabalhadores sem nenhuma compensação” (Idem, novembro de 1918). “Por lei a terra é garantida para quem não tem ou não tem o suficiente” (Idem, novembro de 1918).

O notório Trotsky escreve: “O curso vitorioso de uma revolução colocaria inevitavelmente o poder do Estado nas mãos do proletariado apoiado pelas grandes massas do campesinato mais pobre”.

Observe como os revolucionários inflamam as paixões das ordens mais baixas apelando à sua cobiça, gratificação e preguiça. Por outro lado, ninguém pode dizer que a ordem existente das coisas jamais esteve certa. Acaso ela teria sido certa desde a queda e continuaria certa até Cristo vir reinar?

A classe capitalista e empregadora é certamente a culpada por grande parte do problema que lhes ocorreu. Escutei um cavalheiro falar com seu jardineiro como se ele fosse um cachorro. Vi os casebres em que seus trabalhadores e famílias foram amontoados. Observei como seus empregados degeneraram e envelheceram prematuramente através do trabalho duro que realizaram. Uma senhora cristã me disse que ela costumava ser carregada nas costas de seu pai para um moinho quando pequena às 5 horas da manhã, quando estava escuro para seu pai trabalhar duro o dia inteiro por uma ninharia até ficar morto de cansaço à noite.

Mas ainda que tudo isso seja sabido e reconhecido, o socialismo é fundamentalmente errado e só pode acabar em caos e ruína vermelha. Podem ser necessários muitos passos ainda nesse caminho, alguns deles podem ser até benéficos, mas seu destino final é a própria antítese do benéfico.

Um ladrão pode limpar suas ferramentas. É algo correto e adequado que alguém tenha ferramentas limpas, mas se usadas por ladrões, a limpeza é aparentemente benéfica, mas na realidade demoníaca.

Juntamente com todo esse embotamento de honestidade e moralidade está o enfraquecimento do vínculo matrimonial. A sucessão interminável de casos de bigamia e divórcio relatados recentemente nos jornais, e a apreensão dos juízes, contam sua própria história.

William Godwin escreve:
“A instituição do casamento é um sistema fraudulento” (“Political Justice”, p. 102).
“A abolição do casamento não será aceita sem problemas” (Idem, p. 103).
“Não poderá ser definitivamente afirmado se, em tal estado da sociedade, será conhecido quem é o pai de cada criança individualmente. Mas pode-se afirmar que tal conhecimento não tem importância” (Idem, p. 105).
“A não ser que a mulher repudie sua feminilidade, seu dever para com o marido, os filhos, a sociedade e a lei, e com todos menos consigo mesma, ela não poderá emancipar-se. Portanto, a mulher deve repudiar completamente o dever” (G. Bernard Shaw, “Quintessence of Ibsenism”).

Qual pode ser a moralidade do escritor, dos impressores, dos editores de tais ensinamentos diabólicos!

Mesmo os escritores socialistas às vezes colocam o dedo no ponto fraco. "Se a humanidade continuasse a melhorar", foi a condição estabelecida por John Stuart Mill.

O falecido J. Ramsay Macdonald, M.P., comentando sobre isso, disse:

“Esse é o fator desconhecido. Há sinais de degeneração ao redor... a unidade familiar está enfraquecida; a dona de casa maternal quase pertence ao passado; o chefe da família está se tornando uma expressão que antes tinha um significado, mas agora é apenas uma reminiscência. A força masculina do puritanismo foi embora com sua austeridade repulsiva; a educação, plantada nas mentes do solo empobrecido, está produzindo flores doentes e daninhas de credulidade simplória e de falsa imaginação. Se a humanidade continua melhorando?... Não podemos voltar atrás; podemos continuar, ou, em pé, afundar no pântano” (“The Socialist Movement”, p. 244).

Aqui temos o ponto fraco apontado. O homem é caído, pecador, egoísta e até que haja uma mudança de coração, nada pode ser verdadeiramente correto.

É demasiado espantoso contemplar qual será o estado do mundo quando a instituição do casamento for completamente debilitada e enfraquecida, e junto com a negligência dos deveres da paternidade, a afeição natural for ridicularizada e o egoísmo lascivo for entronizado.

Juntamente com tudo isso está a recusa da Teocracia em todas as formas e maneiras, isto é, a recusa das alegações de Deus, a negação do estado pecaminoso do homem, daí nenhuma necessidade for admitida para a obra expiatória de Cristo, e nenhuma necessidade da Bíblia.

Godwin escreve: “A religião é, na realidade, em todas as suas partes, uma acomodação aos preconceitos e fraquezas da humanidade” (“Political Justice”, p. 46).

Marx diz: "O Partido Trabalhista visa libertar a mente de todos os duendes da religião."

Só nos resta registrar a loucura e a blasfêmia do homem em recusar a Deus.

O falecido G. Bernard Shaw, um líder entre os socialistas intelectuais, fez um discurso para os alunos de graduação, professores universitários e graduandos da Universidade Girton e Newnham em Cambridge. Falando sobre "O Futuro da Religião", ele disse:

“A menção de Deus saiu de moda. Você nunca ouve falar de Deus no Parlamento e apenas ocasionalmente nos tribunais. As pessoas são governadas por um sistema de idolatria. Clérigos, juízes e reis são todos ídolos, que geralmente precisam receber dinheiro suficiente para se vestir melhor e viver melhor do que as outras pessoas. Quando Charles Darwin veio com sua teoria da seleção natural, as pessoas pularam e chutaram Deus pela janela.”.

O seguinte extrato foi retirado recentemente de um conhecido diário londrino: “O homem, que diz que Cristo era o maior ser humano possível, não vale a pena trabalhar com ele. Cristo foi um fracasso”.

Assim, concluímos de maneira muito breve e imperfeita, mas suficientemente para nosso propósito, um esboço da tendência do socialismo.

Vimos que ele repousa inteiramente em duas fundações completamente inseguras; a saber: que o homem pobre, caído, pecador e moribundo pode ser seu próprio juiz e governante, e segundo, que o homem pode se virar sem seu Criador e Criador.

Até mesmo o extremista Godwin, que escreveu um século antes de seu tempo, e cujos escritos foram recentemente republicados, é obrigado a reconhecer que suas doutrinas são apenas sonhos ociosos. Escrevendo sobre a objeção que ideias de doutrinas e atos do Parlamento não podem mudar a natureza do homem, ele diz com tristeza:

“Mas o pior de tudo é que, se a objeção for verdadeira, deve ser temida, não há remédio” (“Political Justice”, p. 81).

“A objeção representa o homem como um aborto hediondo com apenas compreensão suficiente para ver o que é bom, mas com muito pouco para mantê-lo na prática dele” (“Political Justice”, p. 82).

Sim, esse é justamente o ponto. O homem está caído e é o ‘bobo da corte’ do diabo. Deus é o único remédio para a humanidade.

Vamos agora traçar a partir das Escrituras o que nós cremos ser o curso futuro do socialismo.

O profeta Daniel profetizou sobre quatro impérios mundiais há 2.500 anos — o quarto império era o renomado Império Romano. Ele o descreve como simbolizado pelas pernas de ferro na imagem composta que Nabucodonosor viu em seu sonho dado por Deus. Mas ele também nos conta que, à medida que a imagem descia até suas extremidades, os pés e os dedos dos pés eram compostos, em parte, de barro e parte de ferro, duas coisas que nunca poderiam se misturar, uma parte forte, a outra fraca e frágil.

Aqui temos uma previsão dos últimos dias — o ferro prenunciando a força do poder militar; o barro apresentando o socialismo em sua fraqueza inerente. Necessidade, extrema necessidade, tornará o poder militar inevitável, mas o tempo todo haverá a insurreição do socialismo, nunca para ter sucesso, pois não tem elementos de verdadeiro sucesso nele. Por sua própria natureza, está pronto para se dividir em partidos, liderados por visionários com objetivos diferentes. O líder trabalhista aplaudido hoje pode ser vaiado amanhã.

As coisas estão se moldando para o cumprimento da profecia. A primeira e a segunda grandes guerras mundiais ajudaram nessa direção. O grande grito hoje é por uma nova Ordem Mundial. Para esse fim, serão tomadas providências com o objetivo de evitar a guerra, para que as pequenas nações tenham seus direitos, para se livrar da necessidade de exércitos e marinhas, para libertar as nações do esgotamento da tributação que o estado atual das coisas torna necessário, para estabelecer uma força internacional, poderosa o suficiente para manter o mundo inteiro em ordem e introduzir um milênio pacífico. Isso tudo soa muito prazeroso.

Mas pode-se facilmente ver como tal Liga pode se tornar despótica e, no final, trazer uma tirania muito pior do que aquela que está destinada a terminar. E acreditamos que isso é o que a Escritura ensina que acontecerá.

Uma vez que a Igreja de Deus é arrebatada e o poder restritivo do Espírito Santo removido, e a Satanás for dada mais e mais liberdade para que sejam cumpridos os sábios propósitos de Deus, o mundo verá grandes mudanças.

Ilustrações do que será visto em maior escala abundam. A primeira Grande Guerra trouxe a reviravolta de um grande Despotismo, e trocou por ele o comunismo mais selvagem já conhecido. Nós nos referimos à União Soviética.

As pessoas estremecem com a palavra bolchevismo, e tudo o que isso significa, e há razões para isso. Na época da Revolução Russa, ouvimos falar de 800.000 homens e mulheres miseráveis que subsistiam comendo grama, e isso em Petrogrado (depois Lenigrado e atual São Petersburgo), a outrora orgulhosa capital dos czares.

Acreditamos que o bolchevismo acabará por se espalhar pelas partes civilizadas do mundo, e por um momento o socialismo estará montado na sela.

Mas tão grande será o colapso do governo socialista, e com sua quebra os horrores da anarquia, fome e pestilência que virão, que com um suspiro de alívio o mundo irá balançar de um extremo ao outro.

Temos um exemplo disso na Revolução Francesa. Em pequena escala o reino de terror da França, quando o ateísmo foi aclamado como inaugurando o dia da liberdade, quando Paris vertia sangue inocente, e os homens do tipo mais vil ocupavam a sede do assim chamado governo, pudemos ter uma ideia do que irá ocorrer em uma escala europeia e até mundial em um dia futuro.

Além do pesadelo da França, quando a religião e a decência foram desprezadas, um despotismo surgiu na pessoa do pequeno cabo da Córsega, Napoleão Bonaparte. Todos lemos de como ele destronou reis e fez reis, e por um momento aconteceu o que parecia ser um renascimento do Império Romano.

Acreditamos que do caos e da anarquia de um dia futuro, surgirá um homem maior que Napoleão, e enfatizará o elemento do ferro ao lado do barro. Ele será nada menos que “a Besta”, a cabeça do Império Romano reavivado, conforme profetizado nas Escrituras (Apocalipse 13:1-10).

Depois que a Igreja é arrebatada na segunda vinda de Cristo, sabemos pela Palavra de Deus que juízos permitidos diretamente por Deus varrerão o mundo.

O resultado será, em uma escala maior, semelhante ao que aconteceu quando algo como vinte e dois governantes — imperadores, reis e príncipes — abdicaram e a Europa se tornou, em uma semana, em grande parte republicana, e toda a miséria de uma mudança começou, com os tristes resultados que estamos sentindo hoje.

O que acontecerá no futuro é descrito em Apocalipse 6:12-17, quando, como resultado do rompimento dos selos, uma sangrenta e exaustiva guerra, pestilência e escabrosa fome contribuirão com um resultado acumulado de miséria e medo. Lemos que o sol (suprema autoridade terrena) se torna como sangue; as estrelas do céu (autoridades delegadas inferiores) caem sobre a terra, como uma figueira abalada por um vento poderoso lançará seus figos inoportunos; cada montanha e ilha (instituições permanentes) saem de seus lugares; reis, grandes homens, homens ricos, capitães-chefes, homens poderosos, escravos e homens livres se escondem onde podem, e clamam com temor aos montes e rochas que caem sobre eles, para o grande dia da ira do Cordeiro que terá chegado. Que figura do que virá a este mundo em justo juízo, esta colheita da semeadura terrível que agora está acontecendo.

Mas isso ainda não é tudo. As sete trombetas seguem os sete selos, e as sete taças se seguem até o fim chegar.

Em Apocalipse 13, vemos o que acontecerá em algum lugar no meio de todo esse problema. Uma besta surge do mar — uma imagem do Império Romano revivido tomando forma, impulsionada pelas mesmas necessidades do colapso total do socialismo enlouquecido (bolchevismo). O mar na Escritura profética é uma figura das massas descontroladas da humanidade (Apocalipse 17:15).

Disso tudo vemos emergir das Escrituras um super-homem que será o soberano do Império Romano revivido, que tomará a forma de dez reinos, com a Besta à frente. Ele será um homem de habilidade dominante sob o poder dominante de Satanás e usando todas as forças do submundo do Espiritismo com sutileza.

Não entramos em detalhes aqui, mas apenas declaramos os grandes fatos. Não assumimos a questão da ferida mortal sendo curada, que é a revivificação do Império Romano depois de séculos de sua dissolução, mas passamos adiante.

Apocalipse nos mostra que os dez dedos dos pés da imagem, correspondendo aos dez Reinos do Império Romano reavivado, nunca serão totalmente de barro, ou então o colosso cairia no chão. Ao lado do barro — socialismo — estará o ferro — absolutismo, autocracia da mais alta ordem.

Assim como as duas seitas judaicas opostas — fariseus e saduceus — se misturaram à ação comum por seu profundo ódio ao Filho de Deus, as duas forças opostas — militarismo e socialismo — depois de longa disputa se unirão, energizadas por Satanás, como uma última incursão concertada contra Deus.

Apocalipse 16:12-16 nos fala da temerosa trindade do mal — o Dragão (Satanás), a Besta (a cabeça do Império Romano reavivado), o Falso Profeta (o Anticristo Judeu) — reunindo o mundo inteiro para batalhar. .

Três espíritos imundos, como sapos, sairão de suas bocas. Dizem-nos que os espíritos dos demônios operam milagres e, por seu poder demoníaco, influenciarão o mundo inteiro, farão uma guerra santa satânica em uma escala nunca antes conhecida na história do mundo. Aqui está a apoteose do espiritismo e do militarismo e do socialismo — estranhos companheiros de fato.

Nisso, temos os planos estabelecidos para a batalha do Armagedom.

Uma palavra é suficiente para dizer o resultado da batalha. Daniel, interpretando o sonho da grande imagem de Nabucodonosor, descreve uma pedra, cortada da montanha sem mãos, golpeando a imagem com força irresistível, um golpe em seus pés, quebrando-os — ferro e barro — em pedaços. O colosso assim quebrado em seus pés foi destruído em todas as suas partes — ferro, barro, bronze, prata, ouro — tornando-se como a palha da eira de verão. A pedra que feriu o golpe, crescendo até se tornar uma grande montanha enchendo toda a terra, é uma descrição gráfica do Senhor Jesus, destruindo o poder do homem e acabando com o dia do homem e estabelecendo o Seu Reino milenar.

João em O Apocalipse apresenta o mesmo momento em linguagem diferente. Ele vê o céu aberto e um cavalo branco aparecendo. Seu cavaleiro é ninguém menos que o Filho de Deus — o Senhor Jesus Cristo, simbolicamente apresentado.

Ele é chamado de Fiel e Verdadeiro, a Palavra de Deus, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, em Sua cabeça são muitos diademas, e os exércitos do céu O seguem.

De sua boca procede uma espada. Não custa muito para acabar com seus inimigos. A Besta e o Falso Profeta são levados e lançados no lago de fogo, enquanto o diabo está preso no poço do abismo. Então será estabelecido o Reino de Cristo, que nunca terá um fim.

Veja neste conflito o fim da democracia, do socialismo, do bolchevismo. Veja o Absolutismo como este mundo nunca viu entronizado, mas um Absolutismo que entroniza a Deus, acaba com a opressão e as desigualdades de todo tipo, e introduz o reino de paz e justiça.

Socialismo, Comunismo, ou o que você quiser chamá-lo, é absoluta e fundamentalmente errado. Isso exclui Deus de seu próprio universo, como se isso fosse possível. Ignora a presença solene da morte neste mundo e tudo o que isso significa. Pode organizar cidades de jardins, mas não pode abolir o cemitério. Pode dar pensões de velhice, mas não pode acabar com a morte. Pode por enquanto ignorar a Deus, mas Deus é quem no final exigirá uma conta de todos os homens.

Que se deixe bem claro que Cristo nunca foi, nem no mais remoto sentido da palavra, um socialista. Ele sustentou a Teocracia como homem algum nunca havia feito antes. Entenda que Cristo não poderia ter sido um socialista por duas razões.

Primeiro, sua conduta neste mundo. Acaso ele exortou a nação judaica a se livrar do jugo romano, e dar expressão à determinação local? Não. Ele disse: “Dai, pois, a César o que é de César; e a Deus as coisas que são de Deus” (Mateus 22:21). Ele não alteraria o estado de coisas existente.

Quando um homem lhe pediu para usar Sua influência para corrigir uma partilha injusta e fazer com que seu irmão dividisse a herança com ele, acaso Ele aceitou a posição de alguém que luta pela equalização dos direitos? Não; Ele respondeu: “Homem, quem me fez juiz ou divisor sobre vós?” (Lucas 12:14).

De fato, Ele se colocou na posição de dizer apenas o que Seu Pai Lhe deu para dizer, e somente fazendo o que Seu Pai O autorizou a fazer, voluntariamente tomando o lugar da sujeição. Isso é socialismo ou teocracia? Certamente não é socialismo.

E quando ele assumir, como dado por Seu Pai, Seu lugar de direito como Governante neste mundo, ninguém será tão autocrático quanto Ele. Ele governará as nações com uma vara de ferro. Isso é socialismo ou autocracia? Ele será justamente autocrático, pois Ele é Criador e Redentor. Sua vontade será uma autocracia verdadeiramente benéfica.

Como é então que os socialistas erroneamente afirmam que ele é o grande socialista? É porque Ele era contra os opressores, a pompa e glória mundanas, porque andava entre os humildes e pecadores e fazia o bem. Tudo isso e muito mais é abençoadamente verdade, mas nenhuma ação Sua surgiu do socialismo em qualquer forma ou forma.

Quando a Teocracia for entronizada, como será quando Cristo governar Israel como seu grande Rei e sobre as nações como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o que acontecerá? Não haverá trabalho suado, leis desiguais, nenhuma legislação em favor das classes altas em detrimento das classes mais baixas, nem em favor das classes mais baixas em detrimento das classes altas. A legislação como um todo cometeu ambos os males, e o socialismo colocado em linguagem clara é a legislação de classe e não a legislação nacional, e está procurando, em sua seção avançada, roubar os ricos para o benefício dos pobres.

Não somente Moisés diz: “Não torcerás o juízo do pobre em sua causa” (Êxodo 23: 6), significando que os homens não devem pôr de lado a justiça para favorecer um homem que seja pobre, mas também “nem tolerarás a um homem pobre em sua causa” (Êxodo 23:3), significando que um homem não deve escapar da justiça por ser pobre.

Sim, se todo homem, mulher e criança fosse absolutamente teocrático, não haveria mais trabalho suado, nem favelas insalubres, nem greves, nem empregadores egoístas prontos para pisar nos rostos de seus operários; não haveria operários “espertos”, que não ganhassem seus salários enquanto evitassem ao máximo o trabalho honesto, não haveria classe contra classe. Mas todas essas reformas aconteceriam porque a Teocracia haveria abolido o socialismo.

Em suma, iríamos ter todos os verdadeiros ganhos do socialismo sem suas desvantagens, desvantagens essas que infelizmente superam em muito as vantagens. As vantagens do socialismo foram principalmente em seus primeiros dias, quando corrigiu erros reais e curou males sociais reais. Agora está gravitando para a ruína vermelha e a anarquia.

A verdade é que os homens clamam por liberdade e, em seus esforços para assegurá-la de acordo com suas ideias, inconscientemente, estão forjando cadeias de amargas amarras, cadeias de força satânica. Satanás está usando o homem como seu agente — sua gaiola.

Reconheceriam os homens a Deus? Se não o fizerem coletivamente, alguns individualmente podem fazê-lo. E ao reconhecer a Deus e Suas afirmações, descobrimos que somos pecadores, e sobre nós repousa a morte e o julgamento, e que somente Cristo, por meio de Sua morte expiatória, pode satisfazer nossa necessidade extrema.

Ao receber a Cristo, crendo no “evangelho da nossa salvação”, recebemos o Espírito Santo como selo de Deus, e recebemos um Espírito diferente daquele que anima o mundo.

Nós não somos do mundo, assim como Cristo não é do mundo. Não tocamos em sua política, seus esquemas para melhorar o homem além do reconhecimento das reivindicações de Deus. Reconhecemos “os poderes que são ordenados por Deus” (Rom. 13:1). Estamos sujeitos às suas ordenanças, a menos que conflitem com a vontade revelada de Deus nas Escrituras e levem à negação de Deus. Pagamos tributo. Nos é dito: “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei.” (1 Pedro 2:17).

Assim, nos movemos pelo mundo, buscando o verdadeiro bem de todas as maneiras possíveis, confortando os que estão tristes, alimentando os famintos, pregando o precioso evangelho ao pecador e buscando a verdadeira edificação de nossos irmãos cristãos.

Mas, concluímos, a Teocracia é a única cura para os problemas do mundo. O socialismo é a negação de Deus e deve perecer pelas chamas do seu próprio fogo.

Cristão, se você é fiel ao cristianismo, não pode ser um socialista. Você é verdadeiramente teocrático, e intrometer-se no socialismo mesmo que em pensamento é entristecer o Espírito Santo, que não é deste mundo e que está dentro de você. - Algenon James Pollock (1864 - 1957) em “The Christian and Socialism”.


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O Amor de Deus: Limitado, Universal ou Incompreendido? - John Kulp

Na raiz de algumas das questões doutrinárias mais difíceis da fé cristã está a falta de entendimento do amor de Deus e sua relação com a graça de Deus. Existem aqueles, por exemplo, que declaram que o amor de Deus não iria permitir que algum pecador viesse a perecer ou ir para o inferno; este ensino é chamado de "Universalismo". Há cinco anos o líder de uma mega-igreja, chamado Rob Bell, escreveu um livro neste sentido no qual afirma que as pessoas recebem uma eternidade de oportunidades após a morte para responderem ao amor de Deus, e por isso ninguém iria se perder no final.

Do outro lado do espectro teológico, por assim dizer, estão aqueles geralmente conhecidos por "hiper calvinistas", que afirmam que quando o Senhor Jesus disse a Nicodemos em João 3:16 que "Deus amou o mundo de tal maneira", o que ele teria realmente dito foi que Deus amou o mundo dos "eleitos", e não todos os seres humanos.

Sabedoria é, em parte, a capacidade de distinguir entre conceitos similares que diferem de maneira significativa. Os conceitos de amor e graça, apesar de estarem intimamente ligados, não são usados indistintamente nas Escrituras. Em 1 João 4 lemos que "Deus é amor", e entendemos por essa expressão que amor é a natureza inerente de Deus. Alguém já disse que a declaração de que "Deus é amor" nos revela a energia de Sua natureza, enquanto "Deus é luz" (1 João 1:5) nos fala da pureza de Sua natureza, a qual exige Sua justiça.

Acredito que seria correto declarar que o amor de Deus é a mola de toda a Sua atividade no universo, começando com a criação e culminando na reconciliação de todas as coisas com base na infinita obra de Seu Filho na cruz para tirar o pecado, a qual foi feita de uma vez para sempre "na consumação dos séculos" (Hebreus 9:26).

A graça de Deus, por outro lado, é o meio pelo qual Deus, na perfeição de Seu amor, executa Seus propósitos nas vidas dos pecadores perdidos e incapazes. A graça é eficaz, pois Deus sempre cumpre o que Ele determina fazer por graça nas vidas de Seus eleitos (Filipenses 1:6; Efésios 2:10). Por mais difícil que possa ser compreender isso, esta graça nos foi dada "antes da fundação do mundo", a nós que somos salvos (2 Timóteo 1:9).

As Escrituras não mencionam o amor de Deus como tendo esta particularidade, pois o amor é o motivo e o modo como Ele opera para com todos, enquanto a graça tem em vista a bênção eterna da alma individualmente, e a graça infalivelmente atinge sua meta em conformidade com o propósito de Deus (Efésios 1:3-12).

João Calvino escreveu sobre a "graça irresistível", mas já que este termo possui uma conotação questionável, como se indicasse uma entrada forçada em alguém, podemos com mais precisão e cuidado falar da "graça eficaz" de Deus. Na verdade, dizer que "a graça vence" seria muito mais correto do que repetir o mantra Universalista que diz que "o amor vence", pois a graça é eficaz, enquanto o amor é a que motiva.

E que tremendo motivo foi o amor de Deus! Tanto que podemos declarar e pregar enfaticamente que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Jesus como propiciação por "todo o mundo" (1 João 2:2), e que todos os homens são convidados, tanto a irem a Ele, como a se arrependerem, já que a propiciação permite que Deus seja misericordioso ao mesmo tempo em que permanece perfeitamente justo.

Quando pecadores rejeitam e desobedecem o chamado do evangelho até seu derradeiro fôlego, eles sofrem a separação permanente do amor de Deus e do Deus de amor (Romanos 8:39; Mateus 22:13; Lucas 14:24). Todavia, o amor de Deus não fica comprometido ou diminuído por ele ter de julgar o ímpio, pois julgamento é Sua "estranha obra" (Isaías 28:21). Portanto, tanto o "Universalismo" quanto o "Hiper Calvinismo" são pontos extremos da discussão do amor de Deus, e por isso nem valem a pena serem levados a sério.

Mas graça é o favor imerecido de Deus para com pecadores individualmente, os quais não são nem um pouco melhores do que "os que perecem" — é por graça que Deus os escolhe, vivifica, salva e glorifica. O mais elevado prazer de Deus agora e sempre é o de glorificar a Si mesmo na Pessoa de Seu Filho por intermédio de nós que somos salvos, que somos os beneficiários das "riquezas de Sua graça". E para que não nos tornemos demasiadamente ocupados com nossos próprios interesses e benefícios na questão de Deus agir em graça, lembremo-nos de que a redenção, aceitação e adoção do crente será, ao longo de toda a eternidade, "para o louvor da glória de Sua graça" (Efésios 1:3-12).

Traduzido de "The Love of God: Limited, Universal, or Misunderstood?", de John Kulp -

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