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"Sou eu guardador do meu irmao?" - John Kulp and more...

"Sou eu guardador do meu irmao?" - John Kulp

A maioria de nós sabe o contexto em que esta pergunta foi feita, há muito tempo, perto da aurora da história humana. Caim disse estas palavras depois de matar seu irmão Abel, e depois de ter mentido descaradamente para Deus quando lhe foi perguntado: "Onde está Abel, teu irmão?" (Gênesis 4:9). O que poderia ter se passado pela mente de Caim, além desse impulso carnal de negar a culpa por seu ato brutal? Ele estava afirmando sua independência, tanto de prestar contas a Deus, quanto de assumir qualquer responsabilidade pelo bem-estar de seu irmão.

Afirmar ou defender a própria independência em questões morais e espirituais nunca é algo elogiado por Deus. A independência espiritual é a rejeição da ideia de prestar de contas a Deus. Independência moral é a recusa de prestar contas a outra pessoa ou grupo de pessoas por suas ações, e muitas vezes inclui desprezar a responsabilidade dada por Deus pelo bem-estar dos outros. Encontramos manifestações desse espírito de independência no coração do homem natural em muitos outros personagens da Bíblia, e vamos brevemente observar apenas mais dois deles.

Faraó mostra seu caráter e começa sua espiral descendente em direção à destruição ao fazer esta pergunta em tom de desprezo: "Quem é o Senhor, que eu deveria obedecê-lo para deixar ir Israel?" (Êxodo 5:2) Ele imediatamente responde à pergunta de sua própria condenação: "Eu não conheço o Senhor". Não há dúvida de que a consciência de Faraó foi tocada quanto às reivindicações de Deus para com ele, mas ele desprezava qualquer prestação de contas ao seu Criador, e qualquer a responsabilidade pelo bem-estar do povo de Jeová.

Nabal era um homem "grosseiro e mau", o oposto de sua bela e piedosa esposa, Abigail (1 Samuel 25). Quando Davi e seus homens quiseram encontrar justamente alguma consideração de Nabal, ele retrucou com uma pergunta muito semelhante à de Faraó: "Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé?". E não contente em parar por aí, acrescentou um insulto à injúria e deu sua opinião sobre quais seriam os motivos de Davi: "Muitos servos há hoje em dia que fogem ao seu senhor." Em outras palavras, Nabal considerou Davi um rebelde que conseguiu sua independência de Saul, e se Davi queria obter algum sustento para si e seus seguidores, ele que voltasse a se submeter a seu antigo senhor. Mas Davi era um fugitivo, não um rebelde.

Ora, para nós Davi é uma bela figura do Senhor Jesus Cristo. No relato que acabamos de mencionar, Nabal censurou David, assim como os fariseus repreenderiam Jesus séculos depois e com o mesmo espírito orgulhoso, acusando-o de ter uma missão independente, ao dizerem "tu deste registro de ti mesmo! Teu testemunho não é verdadeiro" (João 8:13-14) Mas nunca houve um homem mais dependente nesta terra que o nosso bendito Senhor, de modo que as acusações dos fariseus contra o maior Filho de Davi apenas serviram para manifestar o afastamento deles próprios de Deus e Sua verdade (João 5:30-38; 6:38-40).

Não deve ser surpresa para nós que os pecadores insistam em sua independência moral e espiritual, mas qual seria a lição para os cristãos em figuras como estas? "Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si" (Romanos 14:7-9). Que os nossos corações e consciências estejam sempre exercitados na dependência de Deus, tendo ao Senhor Jesus como nosso exemplo, e deixemo-nos ser e agir de acordo com a nossa responsabilidade para com Ele e para os demais no corpo de Cristo. Ele veio, não para agradar a si mesmo, mas "tomou sobre Si a forma de servo".

Um espírito independente pode ser aceitável em uma sociedade que valoriza a independência política, mas o que deveria caracterizar o espírito dos justos? Nosso Deus irá certamente honrar e recompensar a vida que é dependente, responsável e conforme à imagem de Seu Filho.

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O imperativo da sã doutrina

Em sua última epístola o apóstolo Paulo aconselhou Timóteo acerca de um dia em que os cristãos não suportariam a sã doutrina ou ensino (2 Tm 4:3-4). Motivos carnais fariam com que "desviassem os ouvidos da verdade", e o resultado seria que vagariam em direção aos mitos ou fábulas. Com a diversidade de ensino nas várias denominações na cristandade hoje, e com muitas dessas doutrinas em contradição umas com as outras, alguém com uma disposição correta irá chegar à conclusão de que há muitas fábulas misturadas com a verdade. Infelizmente, parece que a tolerância às doutrinas falsas ou contraditórias está se tornando cada vez mais comum nas igrejas cristãs, e a ênfase em um ensino sadio está se tornando menos comum.

A sã doutrina, também caracterizada como "boa doutrina" em 1 Timóteo 4: 6, é aquela que honra a Deus — Pai, Filho e Espírito Santo. Não há lugar para o orgulho ou luxúria do homem na "doutrina de Deus" (Tt 2:10) e qualquer "vento de doutrina", pelo qual os cristãos sejam "levados em roda" (Ef 4:14), irá glorificar o homem de uma maneira ou de outra. A sã doutrina glorifica a Deus em Cristo, ponto final.

Há igrejas e líderes cristãos que podem ser bem-intencionados em sua ênfase na vida cristã e na fraternidade prática, à custa de uma insistência na integridade doutrinal e na verdade, e eles têm sua recompensa. O Senhor pode usar qualquer esforço de fé verdadeira, qualquer desejo de glorificá-Lo, não importa o compromisso ou mistura que Ele encontre em um grupo de cristãos. Felizmente estamos seguros de que "o Senhor conhece os que são Seus", mas por outro lado, a responsabilidade de todos os que confessam o Seu nome é a de "afastar-se da iniquidade" (2 Tm 2: 16-21). Está claro no contexto dessa advertência que a falsa doutrina é uma manifestação de iniquidade.

Agora alguém poderia perguntar: "Existe uma lista de ensinamentos bíblicos que são tão importantes que devem ser defendidos até mesmo ao ponto de nos separarmos de outros que os contradizem?" Outro poderia perguntar: "Existe um perigo de sectarismo quando insistimos em pureza doutrinária à custa da comunhão com outros cristãos sinceros?" Ao invés de responder a essas perguntas diretamente, sugiro que olhemos para vários princípios que são fundamentais na preservação da sã doutrina para a glória de Deus.

1. A integridade doutrinal é eminentemente importante para o cristianismo. 

É algo ainda mais crítico do que qualquer volume de bons ensinamentos sobre a vida cristã prática. O ensinamento sério quanto à Pessoa gloriosa e à obra consumada do Senhor Jesus Cristo deve ser mantido na casa de Deus, a igreja, que é coluna e firmeza da verdade (1 Tm 3:15). Qualquer comprometimento neste sentido traz desonra a Deus, e é somente por este motivo que um coração que busca Sua glória deve se separar e evitar os falsos ensinamentos que comprometam a Pessoa e obra de Cristo.

Por exemplo, não se deve tolerar o ensino que especula que Jesus poderia ter pecado, inferindo esse erro do fato de Ele ter sido tentado enquanto estava na terra. Ele passou por aqueles testes para provar que Ele era "ouro puro" quanto à Sua natureza sem pecado, e não porque existisse qualquer dúvida a esse respeito. Aquelas tentações provaram que Ele era "sem pecado" (Hb 4:15). Além disso, Ele "não conheceu pecado" (2 Co 5:21), pois "nele não há pecado" (1 Jo 3:5). Se a assembleia não guardar zelosamente a glória de Cristo neste e em outros pontos similares de controvérsias doutrinárias, acabará trocando o verdadeiro Cristo por "outro Jesus" (2 Co 11:4), e mais corrupção certamente se seguirá.

2. As censuras e argumentos dos apóstolos nos dizem muita coisa sobre os ensinamentos nos quais insistiam. 

Muitos líderes e grupos cristãos promovem a unidade, os relacionamentos, a vida piedosa e muitos outros valores que são bons e nobres com solidez doutrinária, e alguns até chegam a admitir que "a doutrina divide", por lamentarem o sectarismo na cristandade. Mas a contenda sectária é muitas vezes consequência de orgulho e mundanismo, não da doutrina, e nos casos em que os cristãos se separaram uns dos outros por causa de falsa doutrina que foi introduzida, o Senhor permitiu isto em Sua disciplina de Sua casa. (1 Co 11:19; 1 Pe 4:17; 1 Jo 2:19; 1 Rs 12:24)

Paulo e João foram muito claros ao censurarem os que ensinavam falsas doutrinas. (Gl 5:12; 1 Tm 1:19-20; 2 Tm 2:14-26; Tt 3:10; 2 Jo 10) Será que aqueles mestres heréticos teriam sido autorizados a continuar em comunhão na igreja para preservar a unidade ou por medo de divisão? Será que alguém deveria ter insistido na tolerância para que as relações pessoais, estabelecidas há anos, permanecessem intactas? Quase não é preciso dizer que a resposta a ambas as perguntas é um retumbante "Não"!

Os argumentos de Paulo em defesa da verdade doutrinária são evidência de uma mente brilhante, mas sabemos que eles estão de acordo com a mente de Deus, que inspirou a escrita de Paulo. Quando Paulo declara a verdade do justo imputado sem obras, quando declara que o crente foi predestinado por Deus e, portanto, eternamente seguro, quando defende a verdade central da ressurreição e em vários outros casos, ele caminha de maneira lógica através de um argumento e chega a uma conclusão que o homem espiritual prontamente recebe. (Rm 4; 8:28-39; 1 Co 15; Rm 9 e 11; 1 Co 11:1-16; Gl 3-5)

Aqueles que defendem algum tipo de obras de justiça, ou que promovem uma segurança condicional, ou que sobrepõem o raciocínio humanista à doutrina cristã fundamental, só conseguem fazê-lo tirando versículos ou mesmo passagens inteiras de seus contextos, colocando-as contra a verdade que Paulo apresenta de forma tão eloquente e metódica.

3. Existe uma orientação bíblica sobre como a verdade deve ser ensinada e transmitida às gerações futuras. 

A verdade não era para ser aprendida num seminário sectário e ensinada exclusivamente por um clero ou ministério ordenado. Quando os arranjos humanos são empregados para designar mestres em assembleias cristãs, isso interfere com a linha de responsabilidade que o servo tem diretamente com seu Senhor, e abre a porta para um ensino questionável. (Compare 2 Tm 4:3-4 com Ef 4:7-16). Pode ser que leve anos ou gerações para esses expedientes humanos revelarem seus efeitos nefastos. O padrão descrito nas Escrituras é o de homens que aprendem a doutrina dos apóstolos entre muitas testemunhas (em uma assembleia) e devem passar essa verdade para os homens fiéis que, por sua vez, serão capazes de ensinar outros. (2 Tm 2:2).

O ministério deve ser conforme o dom que cada um recebeu, e esse dom não pode ser dado ou restringido pelos homens ou seus sistemas. Além disso, "se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre." (1 Pe 4:10-11). A sã doutrina é mais bem preservada através de métodos que não interfiram com a obra do Espírito em usar quem quer que seja para ministrar a verdade.

A manutenção da sã doutrina nunca foi apresentada à igreja de Deus como um exercício opcional, mas sempre como um imperativo, se for para os santos estarem "arraigados e edificados" em Cristo e fundamentados na fé (Cl 2:7). É verdade que a sã doutrina pode ser mantida com um espírito legalista entre os cristãos, e devemos nos guardar disso. Somente se Cristo for o objeto do coração, é que essa armadilha será evitada. Que Ele seja a fonte de nosso gozo e nosso motivo para lutar pela "fé, uma vez entregue aos santos".



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Salvacao 'as avessas - M. Persona

Se a história do Êxodo tivesse sido escrita pelas religiões ela seria assim: Ainda no Egito, Deus daria aos israelitas os Dez Mandamentos e diria: "Se vocês PRIMEIRO cumprirem tudo isso direitinho, DEPOIS libertarei vocês da escravidão do Egito".

Mas a história do Êxodo, figura da salvação daquele que crê em Cristo, é justamente o contrário:

PRIMEIRO Deus salvou os israelitas, DEPOIS disse a eles como gostaria que andassem.

PRIMEIRO os fez passar pelo fundo do mar, uma figura da morte de Cristo, DEPOIS os guiou em seu andar no deserto.

PRIMEIRO colocou na boca de Moisés e do povo um cântico de livramento, "O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ELE ME FOI POR SALVAÇÃO" (Êx 15), DEPOIS deu a eles um lugar de adoração e instruções de como adorar.

O homem religioso acha que se fizer direitinho tudo o que vem DEPOIS Deus lhe dará por mérito o que vem PRIMEIRO, colocando as boas obras antes da fé. O evangelho não é uma lista de coisas para fazermos para Deus, mas a boa notícia da única coisa que precisava ser feita e Deus fez por nós: Entregou o seu Filho para morrer e ressuscitar em nosso lugar.

"Porque PRIMEIRAMENTE vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras." (1 Co 15:3-4)

M. Persona

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Pureza no divorcio - W. Kelly

Em Mateus 5:31-32, em conexão com a luz do céu sobre as concupiscências do coração, o Senhor acrescenta Sua palavra sobre a permissão de divorcio em Deuteronômio 24. É aqui que a mulher é protegida do coração duro do homem. Só o pecado positivo em violação aos laços do matrimônio pede por divórcio. Os homens abusaram além da medida a licença como se a permissão fosse um preceito; e qualquer aborrecimento já era suficiente. Mas Jeová detesta o abandonar, como o último profeta testifica aos judeus em seus dias de mal.

No capítulo 19 deste evangelho a questão distintamente proposta a Ele pelos fariseus era: “é lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” E Ele respondeu e disse: “não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez”, e disse “portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?” Assim eles não são mais dois, mas uma só carne. O que Deus uniu não o separe o homem. Eles respondem a Ele: “então porque mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” Ele lhes respondeu: “Moisés por causa da dureza de vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e se casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Disseram-lhe seus discípulos; Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido”.

Assim os pensamentos de Deus se tornaram claros. A indulgência à concupiscência é incompatível com a entrada nos reino dos céus. A lei proibiu o adultério; o Senhor condena até o olhar lascivo como adultério já cometido no coração. Ele insistiu assim na mais incansável decisão com tudo o que pudesse dar ocasião a isto. Não era melhor arrancar o olho direito ou cortar fora a mão direita, do que deixar que todo o corpo fosse lançado no inferno? Aqui (como em todos os capítulos do primeiro Evangelho antes do capítulo 12 onde Ele inicia como o semeador), não é a questão de buscar pecadores em graça soberana, mas Ele se deleita nos doze do capítulo 10 “E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí até que vos retireis.” (ver. 11). Assim o início do Sermão do Monte (capítulo 5) descreve que características espirituais cabem para o reino, como no final (capítulo 7) declara que ninguém entrará senão aquele que fizer a vontade de Seu Pai que está nos céus. Nem mesmo o profetizar ou os poderes miraculosos, quer fossem expulsar demônios pelo nome do Senhor, poderiam ser um passaporte para os feitores de injustiças. Obediência prática somente à Sua palavra deveria ser o padrão. A rocha aqui é a realidade espiritual. Sua palavra era incomparavelmente mais fulminante que a lei de Moisés.

Há poder de Deus dado excepcionalmente para se estar acima do matrimônio e viver só para Cristo aqui embaixo. Mas, apesar disto, casamento é a ordem de Deus para o homem na terra. E a regra monástica com altas pretensões leva ao horrível subterfúgio, hipocrisia e corrupção contrária até mesmo à natureza além de ser abominável. O pensamento de Deus é claro desde o princípio; só o adultério justifica um divórcio.

Portanto seria sentida a necessidade urgente e absoluta de receber uma nova natureza e uma redenção eterna no Senhor. Nenhuma interpretação das palavras do Senhor aqui ou em qualquer lugar é mais radicalmente falsa que aquela de que Ele põe crentes sob a lei como regra de vida. Ele de fato está condenando incrédulos e hipócritas muito mais rigorosamente do que a lei o fez, e aqueles dizendo dos anciãos que tiraram vantagem da permissão legal como indulgência carnal e injustiça a uma esposa que por um motivo qualquer se tornou menos atrativa para seu marido egoísta. Tais almas eram inadmissíveis para o reino. Só um remanescente santo é aqui contemplado, que odeiam corrupção tanto quanto violência. A presença de Cristo, não da lei dada por Moisés, era o momento propício para definir o caráter e conduta própria para a coisa nova que Ele iria estabelecer. Ele era o padrão do que agradava a Deus e deve marcar aqueles que são Seus. “A lei não fez nada tornou nada perfeito” era a dura lição para os judeus; parece ser igualmente difícil para aqueles que herdaram as tradições da cristandade caída e não menos para Protestantes do que para os Papistas.

Estar contente em não ser nada no mundo, e rejeitado pela sua religião, é impossível à natureza humana; ser lamentadores, como Cristo era, tendo sentimentos pela graça e soberania de Deus onde prevalece a injustiça; ser manso agora, esperando pela gloriosa herança no tempo de Deus, ao invés de clamar por nossos direitos; ter fome e sede (não de conforto ou riqueza, ou de poder ou honra, mas) de justiça, não pode ser sem compartilhar de uma natureza divina. Ainda mais difícil era o ativamente gracioso espírito de misericórdia, pureza de coração e pacificação de acordo com Deus, com a perseguição que tal justiça acarreta, e, especialmente mantendo o nome de Cristo obliterando o nosso.

Nosso Senhor consequentemente aponta do Decálogo (os 10 mandamentos) as duas grandes proibições: homicídio de um lado e adultério do outro. Certamente Ele não veio para anular a lei ou os profetas, porém para cumpri-los. Ele não só foi mais além, mas, declarou que uma justiça que excedesse a dos escribas e fariseus era indispensável para entrar no reino dos céus. Ele estabelece claramente Sua palavra com autoridade divina, contrastando o que expôs muito além das reivindicações da lei. No caso que temos diante de nós, uma vez que perante Deus o olhar lascivo já caracteriza o adultério, aquele que repudia sua esposa, salvo por causa de fornicação, faz com que ela cometa adultério tanto quanto aquele venha a se casar com ela.

Deste modo Ele estabelece uma base moral, não por ser uma nação de caráter miscigenado, mas que cabe para a família e o reino de Deus, o qual julga o mal do coração e não permite qualquer concessão ao coração endurecido. E o que pode ser mais claro que, nesta última ocasião (capítulo 19), Ele voltando ao princípio, muito antes da lei, para a ordem e palavra de Deus em Gênesis 2? Lá também a Sua própria palavra tem autoridade plena e final, pois o Messias era o Deus Jeová de Israel. Qualquer coisa que fosse permitida por Moisés, Ele é Mediador de um melhor concerto, o qual foi firmado em melhores promessas. É Deus falando nEle que é Filho: “Eu vos digo, porém”.

Agora, eu apelo para sua consciência, meu leitor. Pode você enfrentar a luz de Deus, a qual é nosso Senhor, estando nestes pecados de homens de natureza caída? Não está você completamente convencido por cada dito Seu, Ele que é o Juiz dos vivos e dos mortos? E se tal é a verdade, divulgue-a e você mesmo como se coloque como culpado diante de Deus. Não presuma que poderá ficar em pé em seu próprio fundamento. Você está perdido: assuma verdadeira e humildemente e com zelo. O Senhor Jesus não é só Juiz, Ele é real, único e atual Salvador do pecador. Mas você precisa estar na verdade de sua culpa aos olhos de Deus, se Ele for agir para com você na verdade de Sua salvação. Isto é arrependimento diante de Deus; isto é fé para com nosso Senhor Jesus Cristo.

Há, para a fé, o sangue de Jesus que limpa deu tudo, de cada pecado. Há também vida nEle, o Filho, para cada um que crê nEle. Um é tão indispensável quanto o outro. Esta vida é a fonte da nova natureza que produz cada bom fruto e detesta cada má obra, palavra e sentimento; e agora que alguém repousa em Sua obra de redenção, o Espírito Santo é dado como divino poder para fortalecer o novo homem e mortificar o velho. É verdade que depender em Cristo, permanecendo nEle, é necessário por todo o trajeto, e Suas palavras para permanecer em alguém, e oração oportuna e com confiança no amor divino. Mas isto é apenas cristandade prática e somos santificados pelo Espírito, não para independência, que é pecado, mas para obediência, a mesma bendita obediência filial como a de Cristo, nosso bendito Senhor. (William Kelly em “The Bible Treasury” vol. 4, pg. 294).


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O que é uma Reuniao da Assembleia - H. L. Rossier

Antes de responder à questão "O que é uma reunião da assembleia", cumpre recordar brevemente o que é a assembleia de acordo com a Palavra. A assembleia, ou Igreja, é composta por todos os remidos da dispensação presente – desde Pentecostes até o retorno do Senhor. Neste sentido, todos os santos desta dispensação - quer estejam ainda aqui quando o Senhor retornar, ou já tenham sido reunidos para Ele antes de Seu retorno - fazem parte dela.

A Assembleia é a Noiva de Cristo, a quem Ele amou, e por quem Ele se entregou, “para apresentar a si mesmo igreja gloriosa”. Mas a Assembleia é também apresentada sob dois aspectos, especialmente no que se refere ao assunto diante de nós.

Primeiramente, a Igreja é o corpo de Cristo. Este corpo foi formado em Pentecostes (Atos 2). Naquele tempo o Senhor Jesus, havendo ascendido aos céus e estando sentado à direita do Pai, consequência da obra de redenção, enviou o Espírito que Ele havia recebido (Atos 2:33), para unir todos os remidos sobre a terra em um corpo junto a Ele, a sua Cabeça glorificada nos céus. Em Pentecostes ainda faltava uma parte inteira deste mistério para ser revelada, que constituía o serviço especial do apóstolo Paulo, qual seja, de que os “gentios” eram também “coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” (Ef 3:6). Atos 2 nos apresenta a Assembleia sob seu aspecto judeu, por assim dizer, de acordo com a alusão que é feita em Salmos 22:22; ainda assim, é a Assembleia. Aquela que foi alcançada em Pentecostes pelo dom do Espírito Santo continua, e continuará até a vinda do Senhor.

Batizados por um Espírito em um corpo aqui na terra, todos os crentes são, por este mesmo Espírito, eternamente unidos à sua Cabeça celestial para enfim ficar com Ele na glória. Esta unidade – “um só corpo e um só Espírito” (Ef 4:4) – existe hoje como no início; é indestrutível, e não pode ser arruinada.

Além do princípio da Assembleia – ou seja, a unidade do corpo de Cristo – a Pessoa do Senhor é o seu centro (mais adiante insistiremos na importância imensa deste fato), e o Espírito Santo é o agente da Sua obra. Ele age através de dons conferidos pelo Senhor à Igreja, ou distribuídos pelo Espírito de acordo com Sua vontade (1 Co 12). A expressão dessa reunião na terra é a mesa do Senhor. É nela que, além da lembrança da Sua morte, a unidade do corpo é proclamada (1 Co 10:16, 17 ).

Segundamente, em relação à descida do Espírito Santo à terra, a Assembleia é também considerada a Casa de Deus aqui, como a habitação de Deus pelo Espírito. A primeira menção à Igreja (Mt 16), é a de uma construção, e não de um corpo. Quando Pedro, a quem isto havia sido revelado pelo Pai, disse que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Senhor lhe anunciou que naquela rocha Ele edificaria Sua Assembleia, e que os portões do inferno (Hades) não prevaleceriam sobre ela. Esta construção foi constituída pela descida do Espírito Santo depois que o Filho do Deus vivo havia sido declarado “Filho de Deus em poder” pela ressurreição (Rm 1:4). Ela continua, e só será terminada na Sua vinda, quando aquilo que Ele construiu será traduzido nos céus para ser a cidade de Deus, a Nova Jerusalém, o Templo no qual ela agora está se tornando (Ef 2:21). Esta casa é composta de pedras vivas que são construídas nEle que é o alicerce, “a Pedra Angular”. Esta obra é perfeita, porque é a obra de Cristo, o Filho do Deus vivo. Ela é tão inalterável quanto a formação do corpo de Cristo aqui na terra.

Assim como é o corpo, a edificação também é considerada como sendo composta de todos os remidos do mundo em um determinado momento. “No qual”, foi dito aos Efésios, “também vós sois edificados para morada de Deus em Espírito”. (Ef 2:22)

Por outro lado, a Assembleia é não somente tida como construída pelo Senhor, mas também foi confiada à responsabilidade do homem para sua edificação (1 Co 3), e aqui nós vemos onde tudo falhou; a Igreja se tornou “como uma grande casa, onde há vasos para honra e vasos para desonra” (2 Tm 2:20). Se a manifestação da unidade do corpo falhou, e se ninguém pode reconhecer essa unidade na forma com a qual a Assembleia se apresenta hoje para os olhos do mundo, isto é porque outros materiais que não “pedras vivas” adentraram a construção da casa, e nesta distinção externa a casa foi arruinada.

A Assembleia Local

Em Pentecostes a assembleia, toda a Assembleia, estava reunida em Jerusalém. Com a expansão da obra, não era mais possível continuar a estar reunidos “em um só lugar” (At 2:44). Em todos os lugares, reuniões locais foram formadas, como nós podemos ver nos Atos e nas Epístolas, mas cada um deles era a representação do todo, do único corpo – “vós sois o corpo de Cristo” (1 Co 12:27). Era a Assembleia de Deus naquela localidade; inseparável de “todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Co 1:2). A assembleia numa localidade consistia de todos os remidos que moravam naquela localidade. Assim era a assembleia de Deus em Corinto, em Antioquia, em Jerusalém, em Éfeso, e em todos os outros lugares. A vontade de Deus para a assembleia local é, portanto, que ela receba todos os remidos de sua localidade, e que represente nos olhos de Deus, e deva representar aos olhos do mundo, a Assembleia. Este fato é importantíssimo em relação à pergunta que fizemos no início deste texto, porque é precisamente com a assembleia local que devemos nos ocupar. Nunca é demais reforçar este fato: só existe um princípio de reunião de acordo com a Palavra – o da unidade do corpo de Cristo. Todas as assembleias que não estão reunidas sobre o reconhecimento da unidade do corpo de Cristo só podem ser sectárias.

A palavra de Deus julga, em Mateus 18 e II Timóteo, e em outras muitas passagens, que a ruína do edifício confiado à responsabilidade do homem iria mudar a aparência primitiva da reunião dos santos aqui na terra, mas isto providencia um recurso de eficácia em todos os tempos e em toda circunstância. Este recurso consiste na presença do Senhor Jesus no meio de dois ou três reunidos ao Seu nome (Mt 18:20). Nunca é contemplado que o princípio da reunião deva ser modificado de qualquer forma ou por qualquer razão. Há um corpo e um Espírito, e nós devemos sempre procurar “guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3).

Portanto, quando nós falamos hoje de uma assembleia local talvez ela seja constituída de apenas dois ou três reunidos ao nome de Cristo e em reconhecimento do um só corpo, no meio de centenas de outros cristãos que possuem um terreno de reunião em desacordo com as Escrituras; mas estes poucos têm o privilégio de ser a representação de toda a Assembleia na terra, ao mesmo tempo em que possuem a responsabilidade de tal representação, e a autoridade do Senhor está presente nos atos da assembleia deles.

A passagem em Mateus 18:15-20, que nos apresenta o suporte e o exercício da grande verdade da assembleia anunciada em Mateus 16, nos mostra o trabalho daquela assembleia, fosse ela composta por dois ou três. Ela é reunida ao Seu nome, e Ele está no centro dela; e então ela tem Sua autoridade para administrar-se; e o que ela decidir reunida, Ele estando presente, e sob a direção do Espírito Santo, é ratificado nos céus.

Nesta passagem o Senhor até mesmo providencia para dificuldades pessoais entre dois irmãos. Com referência a ele mesmo (versículos 8 e 9), o crente não deve ter piedade; ele deve cortar e atirar para longe. Se a questão se refere ao seu irmão, o erro inquestionável não pode ser tolerado, mas ele deve agir com graça e muita paciência. Se o que pecou contra seu irmão não ouvi-lo, nem à testemunha trazida por ele, a questão é levada diante da assembleia da qual os dois fazem parte, e ela intervém sem apelo. A assembleia fala, e não é ouvida: aí então todos os meios possíveis empregados se exaurindo, o irmão ofendido deve considerar aquele que o ofendeu como um “homem gentio e publicano”.

A assembleia possui aqui a competência para decidir sem apelo em uma questão individual. O décimo sétimo verso não fala de forma alguma de disciplina exercida pela assembleia nem de afastar a um iníquo. Este não é o sentido nem o tópico da passagem. “Considera-o”, a passagem diz, não “considerem-no”. É necessário ler 1 Coríntios 5, e não esta passagem, para achar um exemplo de afastar um iníquo da assembleia.

A intervenção de uma assembleia local em uma questão individual naturalmente leva a um segundo ponto contido no versículo 18: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.”. O Senhor, que havia dado autoridade ao apóstolo Pedro tendo em vista a administração do reino dos céus (Mt 18:19), mostra aqui que a autoridade é agora da Assembleia gozando da Sua presença em seu meio, e isto em vista da sua administração. Nos tempos apostólicos, quando a igreja foi fundada, as duas autoridades existiam juntas, sem que uma tomasse o lugar da outra, como nós podemos ver no caso da pessoa incestuosa em Coríntios (1 Co 5: 4-5)

Desde a partida dos apóstolos não há mais esta autoridade individual para “entregar a Satanás”; mas a autoridade dada pela presença do Senhor ao ato de dois ou três reunidos ao Seu nome se mantém até a Sua vinda.

A assembleia tem, portanto, um dever, que é o de receber ou afastar. Suas decisões são ratificadas nos céus. Sua autoridade judicial tem sua fonte inteiramente no fato de que o Senhor está no seu meio e de que ela possui a orientação do Santo Espírito. É muito importante notar que o vigésimo versículo, “aí estou eu no meio deles”, refere-se igualmente ao versículo 18 e 19, dos quais nós falaremos posteriormente. O poder continua, ainda que no meio de dois ou três reunidos ao Seu nome no terreno da assembleia, porque Ele está lá pessoalmente.

A reunião da assembleia

Agora que vimos o que a assembleia é, e também o que é uma assembleia local de acordo com a Palavra, podemos então responder à questão que formula o título deste texto. Mas digamos primeiro o que uma reunião da Assembleia não é.

Cristãos podem se reunir por um frutífero e abençoado propósito sem estarem reunidos no terreno da assembleia. Um pai pode reunir sua família, um mestre seus empregados, um irmão pessoas jovens, para meditar na Palavra ou estudar as Escrituras. Anciões podem reunir-se para o mesmo propósito. Um irmão, abençoado pelo Senhor como um evangelista ou professor, pode exercitar seu ministério diante de um público convocado para este fim, seja em uma sala de reuniões da assembleia, ou em qualquer outro lugar; este mesmo irmão pode ter em seu coração a vontade de expor um assunto ou uma parte da Palavra consecutivamente em uma série de leituras, e com o consentimento da assembleia, esses encontros podem talvez acontecer durante a semana ou no dia usual de reunião. A assembleia iria até esses endereços, que seriam responsabilidade daquele que exercita seu dom; isto seria proveitoso para eles; luz seria provida, efeitos produzidos pelo Santo Espírito na consciência; aquele que achou não precisar de tal ajuda perderia uma oportunidade; mas nenhum dos casos que enumeramos acima é uma reunião da Assembleia.

Uma reunião da assembleia é realizada em acordo com o princípio da Assembleia como tal. “Quando vos ajuntais na igreja”, diz o apóstolo aos coríntios (1 Co 11:18). Ademais, a Assembleia, na realidade reunida ao redor do Senhor que está no meio dela, é inteiramente dependente dEle e do Espírito Santo agindo no meio dela. Quando os remidos entendem o que a assembleia, a Igreja, é para o coração de Cristo e nos olhos de Deus, eles naturalmente buscam compreender esta imensa bênção, e têm a alegria de achar o Senhor pessoalmente presente no meio deles, de acordo com Sua promessa. Esta presença não é corpórea, como quando ele esteve no meio dos Seus discípulos após Sua ressurreição, mas não é nem um pouco menos real. É uma pessoal e espiritual presença. Observe que mesmo que os Seus estejam reunidos “ao Seu nome” (Mt 18:20), Sua presença é pessoal. Ele diz, “lá estou eu no meio deles”, e também “louvar-te-ei no meio da congregação” (Sl 22:22). Ele não diz “meu Espírito está lá”, “meu Espírito louvar-te-á” “Meus remidos te louvarão pelo Espírito” – tudo o que também é verdade – mas “lá estou eu”, “louvar-te-ei” vai muito mais além. O mero número de pessoas não é importante. Sua presença é a mesma, sejam eles três mil, como no início, ou três, como num tempo de ruínas. Sua presença no meio dos Seus constitui a bênção peculiar de uma reunião da Assembleia.

Isto nos leva aos diferentes caráteres que constituem uma reunião da assembleia:

1. A primeira reunião da assembleia é para adoração. 2. A segunda reunião da assembleia é para oração (Mt 18:19, 20) 3. A terceira reunião da assembleia é uma “reunião aberta”. (doutrina)

A Reunião De Adoração

A primeira reunião da assembleia é para adoração. De uma forma geral, adoração é a adoração coletiva prestada a Deus pelo que Ele é nEle mesmo – pelo que Ele é e fez por nós. Adoração é de suprema importância nos olhos do Pai e nos olhos do Filho. “Mas a hora vem”, disse o Senhor, “e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

Adorar é a primeira coisa feita por cristãos que entenderam o que a assembleia é, porque isto pressupõe pessoas unidas em um corpo por um Espírito. Adoração acontece na presença de Deus Pai e ao redor do Cordeiro. Quando uma pessoa assume esta posição, ela pensa em tudo que o Filho é para o Pai, e em tudo que Cristo é para Deus (Ap 5:9), e no fato de que Deus foi perfeitamente glorificado aqui na terra na vida e na morte de Jesus. Mas todo este trabalho, o qual, assim como seu Autor, forma a satisfação do Pai, foi feito por nós; Nós somos capazes em certa medida de apreciar sua extensão, pois somos os objetos dessa obra. Dar graças, então, combina-se com adoração e em adoração do Pai e do Filho. O próprio Senhor é o centro da adoração de louvor. Ele mesmo nos uniu; Ele se coloca entre nós. Sua presença pessoal em adoração tem tanta importância que sem ela não pode haver adoração digna desse nome. Ele diz “louvar-te-ei no meio da congregação” (Sl 22:22).

Como Ele louva? Usando a voz da assembleia reunida ao redor dEle. É inquestionável que somente pelo Seu Espírito e pelas nossas bocas que isso acontece, mas é igualmente verdadeiro que é Ele quem louva. Louvor é expresso neste salmo ao Deus de amor que salva e livra; mas é Cristo que foi livrado da morte. “Salva-me da boca dos leões, e dos chifres dos bois selvagens. E tu me respondeste.” Somente Ele pode saber a extensão completa desta salvação e pode celebrá-la de uma maneira adequada. Mas este livramento é tanto para nós quanto a obra que fez Jesus descer à morte.

Seus louvores, então, devem também ser nossos; somente Cristo pelo Seu Espírito expressa louvor com uma completude que não é limitada pela nossa própria apreciação. Cristo, tendo estado nos “chifres dos bois selvagens”, sabe perfeitamente o que Deus é em livramento e qual é a grandeza do livramento. Nós sabemos também, mas muito imperfeitamente; mas nossa fragilidade encontra consolo e encorajamento no pensamento de que o louvor ascende como uma fragrância doce na presença de Deus pai, porque o Senhor que nos revela é o centro dele, o Líder, e Ele que o expressa. Sem dúvidas, nossa condição moral pode entristecer o Espírito Santo e atrapalhá-lo a dar a completa expressão do louvor, mas ainda assim é também verdade que Deus é a fonte dele (como lemos em Sl 22:25), que o Senhor é o centro dele, e que ele é expresso pelo Espírito Santo.

Nós encontramos um Segundo aspecto de adoração em 1 Coríntios 10 e 11. A ceia do Senhor é apresentada como o centro visível da assembleia reunida à mesa do Senhor, e o próprio Senhor como centro invisível.

Esta reunião, que está ligada à adoração na sua máxima expressão, é preeminentemente uma reunião da assembleia, e é considerada como tal em I Coríntios 11, onde encontramos as palavras que citamos previamente: “quando vos ajuntais na igreja” (versículo 18); e, novamente, “desprezais a igreja de Deus”, palavras que claramente demonstram o caráter da reunião da assembleia na mesa do Senhor. Este assunto é conhecido o bastante para não nos prolongarmos muito nele. Faz-se mais necessário, talvez, notar que se geralmente adoração está ligada com a Ceia do Senhor, de forma alguma isso exclui a possibilidade de uma reunião da assembleia para adoração sem o partir do pão, diferente daquela realizada no primeiro dia da semana, quando a assembleia está reunida à mesa do senhor para partir o pão (Atos 20:7). Frequentemente os irmãos que assim o fazem experimentam tamanha alegria e abençoada adoração como resultado do que está expresso nas palavras: “louvar-te-ei no meio da congregação”.

A Reunião De Oração

A outra forma de reunião da assembleia é a de oração, mencionada em Mateus 18:19, 20.* No versículo 18 o Senhor havia dito aos Seus discípulos: “vos digo...” No verso 19 ele acrescenta “Também [novamente] vos digo que”. Juntando estes dois versículos com o 20, e distinguindo um do outro, temos “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Portanto a presença do Senhor está tão assegurada em uma reunião da assembleia para oração quanto em uma reunião para adoração.

*Pode-se corretamente enxergar o exercício de recepção ou de afastamento no versículo 18 numa reunião de assembleia. Nós o mencionamos apenas porque ele é frequentemente ligado a adoração onde almas são recebidas ou afastadas. Mas é necessário ir mais frequentemente a uma reunião da assembleia para humilhação. Isto é entendido em I Coríntios 5:2. Quando um pecado é descoberto na assembleia e urge pela exclusão da pessoa culpada, a assembleia precisa expressar tristeza e se humilhar acerca do pecado, fazendo do pecado do culpado um pecado próprio diante do Senhor. O afastamento pode ser pronunciado pela assembleia nesta reunião para humilhação, o que confere grande solenidade ao ato.

De um ponto de vista prático é importante entender isto. Uma reunião para oração tem um caráter especial, tão especial quanto o de uma reunião para adoração. Um irmão talvez tenha um motivo plausível para se abster do exercício de um ou de outro ministério, mas ninguém pode ter razão alguma para não estar presente numa reunião de oração, porque o Senhor está lá, pessoalmente presente no meio dos Seus. Se nossos corações apreciam este privilégio, não acontecerá o que muitas vezes se sucede, de numa grande congregação apenas cinco ou seis sentirem-se constrangidos a ir juntos para orar. Devemos deixá-Lo, o Senhor, se apresentar sozinho, aonde toda a assembleia deve estar reunida? Sem dúvida alguma, de acordo com Sua promessa, Ele estará sempre presente no meio de dois ou três. Mas que negligência para com Sua pessoa por parte da assembleia. Oh, que nós possamos sentir mais profundamente nossa responsabilidade nesta questão!

De onde vem a fragilidade das petições em nossa reunião de oração? De onde vêm os receosos silêncios? De onde vêm as vãs repetições, as desinteressantes súplicas apresentadas sem convicção e invariavelmente formadas de um mesmo modelo? Isso tudo não surge do fato de que Sua presença no meio da assembleia não é percebida? De outra forma haveria tanto vigor nas orações quanto na adoração. Sem dúvidas uma se difere da outra. Nesta – adoração - é o louvor, naquela – oração - são súplicas que ascendem a Deus, mas em ambas o pensamento dos santos, expresso pelo Espírito Santo, é dirigido pelo Senhor. Louvor é mais elevado que súplica; ambos são perfeitos na boca do Senhor Jesus: “quando ele clamou, o ouviu”. (Sl 22:24)

Notemos que orações não estão ausentes do cenário celestial enquanto houver santos sofrendo na terra. ”Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas (louvor) e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Ap 5:8). Portanto os anciões agem das duas formas. Está é a celestial “reunião da assembleia”, com o Cordeiro sacrificado como centro, visível no meio do trono aos olhos de todos (o que não acontece hoje), uma reunião da assembleia celestial para adoração e para apresentar as orações dos santos.

A Reunião Aberta (Doutrina - Ministério)

A terceira reunião da assembleia é para edificação, e é citada em I Coríntios 14. Para entender a importância deste capítulo, é interessante apontar que, após a introdução da epístola (I Co 1 e I Co 2), a organização da assembleia enquanto casa de Deus sob direção do Espírito Santo é tratada do terceiro ao décimo capítulo. 1 Coríntios 10: 1-13 fala dos privilégios e responsabilidades da profissão cristã. 1 Coríntios 10:14- 1 Coríntios 14 nos mostra a ordem da assembleia em relação à unidade do corpo de Cristo. O Espírito produz essa unidade; a Ceia é a expressão dessa unidade (1 Co 10 e 11). Em 1 Coríntios 12 nós vemos que “por um Espírito somos todos batizados em um corpo”, e que “todos temos bebido de um Espírito.” Cada dom tem seu lugar nas ações da assembleia. Os ministérios prestados pelos dons são exercitados sob a autoridade do Senhor e para Ele. A doutrina dos dons do Espírito é também explicada em detalhes nesta passagem; no versículo 28, nós temos, por assim dizer, os grandes dons colocados por Deus na assembleia.

Em 1 Coríntios 14 o apóstolo nos mostra o ministério e o exercício dos dons na reunião da assembleia, depois de ter em 1 Coríntios 13 introduzido o amor como o motivo para seus usos e exercícios. Antes de mais nada, é uma reunião da assembleia e nada além disto. É a assembleia reunida como tal ao redor do Senhor: “Se, pois, toda a igreja se ajuntar num lugar”, no versículo 23, usando a mesma expressão de 1 Coríntios 11:20 quando, falando da Ceia do Senhor ajuntados “num mesmo lugar”. É o termo técnico para a congregação de um ponto de vista prático (ver também versículos 4, 5, 12, 19, 26, 33, 34, 35).

Mas o assunto não está encerrado em adoração ou oração, mas em edificação: “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação”; (versículos 3 e 4) “para que a igreja receba edificação” (versículo 5); “procurai abundar neles, para edificação da igreja.” (versículo 12).

A assembleia, então, está ajuntada neste caso para a Ceia do Senhor, na unidade do Espírito, e tendo Cristo pessoalmente presente com eles; mas o que ocorre é a bênção sendo derramada pelo Senhor em Sua assembleia ao invés de subindo a Deus por Ele. É sob a Sua autoridade que os dons espirituais são dispensados aos Seus, para que se edifiquem.

Já afirmamos que pode haver um exercício de um dom em outros lugares que não a assembleia, mesmo sem citar o evangelista que se direciona ao mundo, mas não é isto que está sendo falado aqui. Nós nos ajuntamos “em assembleia”, o Senhor estando presente e sendo o centro; nós esperamos Nele para receber, pelo Seu Espírito, aquilo que conduza à edificação da Sua Igreja. A sua presença empresta caráter particular aos dons na reunião da assembleia. É uma questão de edificação da assembleia, ou seja, do corpo. Cada um terá algo para dar (versículo 26).

Não são os dons fundamentais exatamente os que são exercitados nestes tempos, ainda que um dom basilar como o de profecia possa estar presente. Nem o de ensino, nem o de línguas estão excluídos, mas nós vemos os trabalhos do corpo confiados a todos e a cada um, de acordo com a necessidade das operações do Espírito e a vontade do Senhor, que está no meio da Assembleia em vista da sua edificação e suas reais necessidades são conhecidas para Ele, porque Ele guarda os seus e purifica Sua assembleia falando com ela (“pela Palavra” Ef 5:26). Nesta ocasião a cena que se revela é cheia de júbilo. Encontramos grande liberdade aliada à grande dependência. Um irmão se levanta e profetiza. Nos nossos dias, profetizar, sem dúvidas, difere daqueles de 1 Coríntios 14, porque a Palavra de Deus estando completa, não pode haver novas revelações de Sua vontade; mas a comunicação da vontade de Deus permanece. Todos os irmãos são capazes de profetizar, porque é importante enfatizar que não se trata de algo constante ou contínuo: “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (versículo 26).

O exercício do dom de profecias aparece aqui como uma comunicação momentânea da vontade de Deus, que trabalha por um ou por outro. “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.“ Isto não significa que durante uma reunião da assembleia todos devam profetizar, ainda que todos eles tivessem capacidade para tanto, pois os espíritos dos profetas são sujeitados aos profetas (versículo 32). Nós vemos, pelo contrário, que o Espírito Santo confina, em vista da ordem, o exercício da profecia para dois ou três, “porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (versículo 33). Toda esta atividade é então exercitada ricamente em sua diversidade, e resulta em grande bênção para almas. Elas vão procurando o Senhor. Ele está lá, e é nessa atividade espiritual que Sua presença se faz sentida.

Há diferentes motivos para a nossa incapacidade de realizar reuniões da assembleia com o caráter do qual falamos. Consideremos, em primeiro lugar, o fato de que irmãos não se dão por conta de que o Senhor está presente, como o está em adoração, e de que é possível confiar tão perfeitamente na Sua presença para a edificação da Assembleia quanto para a adoração e para a oração. A diferença entre o que passa em nosso espírito quando nós vamos para uma reunião de adoração e uma reunião “aberta” para edificação é prova disto. Ao irmos a uma reunião para partir o pão, nós estamos em paz, e sem preocupação do que possa acontecer lá, ou das ações que talvez ocorram, porque nós vamos para encontrar a presença do Senhor. Mas numa reunião para edificação, nós nos perguntamos com ansiedade, “quem estará lá? Quem participará?” Será por que não vamos lá buscando Sua presença? A falta de fé e de confiança nEle também atrapalham o exercício dos dons para edificação. Você me dirá “não, mas é a mim mesmo que não confio”. Desengane-se. Se você não tivesse confiança na carne, você deixaria o Senhor agir, e Ele poderia falar por você, de maneira a expressar Sua vontade de acordo com a direção do Santo Espírito. Há uma outra dificuldade, e sem dúvida a principal dificuldade desta terceira forma de reunião da assembleia. O que está faltando é ser alimentado pela Sua Palavra, pela Palavra de Deus. É opressor ao espírito pensar e concluir o quão negligenciada tem sido a leitura do Velho Testamento. Apenas uma pequena porção das meditações dos santos é direcionada a isto. O quão pouco é sabido do escopo da vontade de Deus revelada até pelo Novo Testamento! Sem este alimento não há crescimento, não há progresso, não há capacidade de se tornar um instrumento para edificação. Nós não somos capazes de edificar outros se não formos nós mesmos edificados. Não obstante, não é possível estar em habitual comunhão com o Senhor sem este alimento, e sem comunhão não há edificação.

Notemos novamente que os trabalhos de uma reunião da assembleia para edificação tal e qual aquela em 1 Coríntios 14 pressupõe que a assembleia, e em particular todos os irmãos, esteja andando em comunhão e a piedade a que acompanha. A Palavra sempre apresenta coisas para nós em ligação ao estado normal dos cristãos. Isto fala às nossas consciências.

Não é muito humilhante para nós sermos obrigados a admitir que por nossa falha, por nossa falta de comunhão com o Senhor, nós atrapalhamos a manifestação de Sua presença e a ação do Espírito nas reuniões da assembleia?

Que nós vejamos agora o que acontece quando a assembleia é então reunida para edificação, na unidade do Espírito, tendo o Senhor pessoalmente presente. Os efeitos não são somente sentidos por aqueles dentro da assembleia, mas também por aqueles fora dela.

A ordem estava longe de reinar na assembleia de Corinto. Os coríntios eram ainda pequenas crianças, carnais, tomando vantagem dos seus dons, e acima de tudo dos seus dons miraculosos, para exaltarem a si próprios em seus próprios olhos e nos olhos dos outros. Então para eles falar em línguas superava qualquer outro dom, e eles abusaram disso, falando ao mesmo tempo de uma forma ininteligível, porque eles não se importavam em ser entendidos. O apóstolo restabelece a ordem de acordo com Deus.

Duas classes de pessoas são percebidas quando assembleia se reúne, os indoutos e os incrédulos. Os indoutos, no sentido que o Espírito dá a esta palavra, são aqueles que não têm conhecimento (comparar versículo 16); os incrédulos são aqueles que não possuem relação com Deus pela fé. Quantos não há hoje, na cristandade, destes simplórios que vagamente conhecem as escrituras e não têm ideia do que seja a assembleia!

Os coríntios talvez tenham aumentado as seguintes objeções para o que o apóstolo fala: é em vista destes incrédulos que nós damos lugar a línguas na assembleia, porque eles são “um sinal para eles que não acreditam” (versículo 22). O apóstolo não proibiu falar em línguas na reunião da assembleia, porque cada ação do Espírito tem o seu lugar lá, e quem pode limitar o Senhor? Mas ele põe um limite ao seu uso. Eles não deveriam falar ao mesmo tempo, Deus não sendo um Deus de confusão, mas cada um em seu turno, os profetas, no máximo três: e as línguas não sem um intérprete. De outra forma os indoutos e os incrédulos “não diriam que vós estaríeis loucos”, portanto desdenhando e condenando a assembleia? Eles gritariam “estas pessoas, ao invés de falar mútua e inteligente edificação entre eles, falam coisas que não podem entender” (comparar versículo 19). Mas se todos profetizam, e um incrédulo for a esta reunião, uma obra abençoada acontecerá na sua alma, uma obra de poder, o resultado da ação do Espírito Santo na assembleia: “ele por todos será convencido de que é pecador e por todos será julgado, e os segredos do seu coração serão expostos”. Ele vê esta liberdade do Espírito para edificação: ele sente também que há algo ali que ele não viu nem conheceu antes, porque, recordemos, não é uma reunião de evangelho, mas uma para edificação.

O indouto (infelizmente, nos dias que vivemos, talvez até um Cristão!) diz: “Eu não sabia destas coisas; em que condição, então, está a minha alma? Que véu estava a cegando, para que me mantivesse um estranho aos pensamentos de Deus em Sua Palavra, que a presença do Espírito Santo já revelada pudesse ser tão desconhecida para mim? Como pude eu viver até agora indiferente a tamanhas bênçãos? Então ele está “convencido por todos... julgado por todos”. Aquilo que secretamente direcionou seu coração é trazido à luz, porque ele tratou com uma Pessoa invisível, agindo através de instrumentos visíveis, tratou com uma Pessoa de quem é dito “não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4:13). O mesmo acontece com o incrédulo. Através de cristãos ele se encontra em relação com Deus na pessoa de Cristo, que é o centro de Sua assembleia: “e então os segredos do seu coração se tornam manifestos; e assim, prostrando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, declarando que Deus está verdadeiramente entre vós”.

Não há sequer nesses espectadores qualquer pensamento de admiração por indivíduos, ou atração por aqueles que exercem seus dons, de apego ao que falam. Por quê? Porque eles se encontraram diretamente levados à presença de Deus. Eles se prostram e declaram “Deus está verdadeiramente entre vós”. E de fato, Ele está lá na pessoa de Cristo.

Esta reunião oferece então uma bênção dupla; primeiro, a assembleia percebe a presença do Senhor e a força moral que flui dela para a edificação de Sua igreja amada; depois, aqueles que não sabiam aprendem a conhecer a si mesmos, a julgar a si mesmos, e a conhecer o Senhor na luz da Sua presença.

Nós já mencionamos a dificuldade de realizar esta terceira reunião de assembleia no presente estado de coisas, acompanhadas de tamanha fraqueza espiritual generalizada. É bem mais fácil deixar os dons permanentes que o Senhor colocou na sua assembleia terem toda a responsabilidade de ação. Eles são dados para “aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, e para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4:12). Por mais preciosos que seus ministérios sejam, esperar deles ação exercita a consciência e a responsabilidade dos santos bem menos do que a obrigação de vir e buscar o Senhor na assembleia. Nesta última alternativa, não se descansa mais no dom, escorregando-se pouco a pouco no espírito clerical que já causou tantas devastações na assembleia. Estimemos altamente em amor, por causa de suas obras, aqueles que trabalham entre nós; mas nos apeguemos a esta verdade – de que as reuniões da assembleia têm uma importância para a bênção dos queridos filhos de Deus.

Quando corações gozam desta benção eles se lembram dela como uma felicidade especial. Há tempos favorecidos na vida cristã quando almas são trazidas a uma ininterrupta e fixa conexão com o Senhor e Sua palavra. Sob estas condições uma reunião “aberta” é algo que flui naturalmente de sua fonte. Tendo as almas estado em comunhão com o Senhor, Sua presença pode ser percebida. Se, então, o efeito não é mais frequentemente produzido, isto é, como já dizemos, porque não há mais habitual e diária comunhão com Ele e Sua Palavra. Nossos corações clamam por estas coisas; porque nós devemos certamente buscar o Senhor na assembleia, e Ele responderá à confiança dos Seus, e ao desejo sincero de gozar da Sua presença por uma abundante atividade do Seu Espírito. Quão importante tal entendimento seria em reuniões onde não houvesse dom distinto, mas houvesse verdadeira piedade e uma vida cristã ativa!

Que Deus nos permita entender e perceber muito melhor o verdadeiro caráter das reuniões da Assembleia para adoração, para oração e para edificação.

H. L. Rossier.

Traduzido por Jimmy Melo e revisado por César Ferreira, irmãos reunidos somente ao nome do Senhor.


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