De que modo Deus, depois de calar "toda boca" na família humana inteira, e pronunciar "todo homem" culpado diante dele, Ele poderá salvar qualquer um com justiça? Ouça a resposta abençoada do Espírito de Deus: "Pois é Cristo quem morreu" (Rm ...

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Como Deus pode ser justo em salvar? - George Cutting and more...

Como Deus pode ser justo em salvar? - George Cutting

De que modo Deus, depois de calar "toda boca" na família humana inteira, e pronunciar "todo homem" culpado diante dele, Ele poderá salvar qualquer um com justiça? Ouça a resposta abençoada do Espírito de Deus: "Pois é Cristo quem morreu" (Rm 8.34). "Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is 53.5).

A culpa do pecado recaiu sobre o Cordeiro,segundo os desígnios do próprio Deus. Toda indagação da consciência perturbada quanto à penalidade aplicada ao pecado é respondida por outra pergunta — a qual perdurará por toda a eternidade — "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mc 15:34).

Quem poderia responder esse "Por que?" misterioso do Calvário? Vamos fazer uma pausa e investigar. Os demônios confessaram ser Ele o Santo de Deus. Pode- i iam os poderes das trevas nos dar uma razão? Impossível. O próprio Satanás viu-se frustrado toda vez que se aproximou daquele que podia dizer, "Porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim".

Os anjos ministraram a Ele depois de sua tentação no deserto. Não sabiam que Deus se agradava dele e que fizera sempre aquilo que dava prazer ao Pai? Seria possível, no entanto, responderem a esta pergunta momentosa? Repetimos, impossível: "para as quais coisas os anjos desejam bem atentar" (1 Pe 1.12).

Seus discípulos viram como a boca dos opositores fora silenciada pelo seu desafio sem resposta: "Quem dentre vós me convence de pecado?" (Jo 8.46) Eles deviam conhecer as palavras de Davi nas escrituras do Velho Testamento: "Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão" (SI 37.25). Vemos agora o único Homem absolutamente justo que já pisou nesta terra — "Jesus Cristo, o justo" — e Ele foi desamparado! Maravilha das maravilhas! — Por que? O homem não tem resposta paia essa pergunta; nem mesmo aqueles mais dedicados a Ele.

Deus o Pai, atraíra mais de uma vez a atenção do céu e da terra para o fato de que no Abençoado e Humilde, Ele encontrara perfeita satisfação e prazer. Irá Ele abrir novamente os céus para dar uma resposta a esse "Por que?" misterioso? Não. O bendito portador de pecados é deixado para sentir, como só Ele poderia sentir, em meio às trevas daquelas três horas, o terror dessa palavra: "DESAMPARADO".

Outros haviam clamado em tempos idos; suas vozes foram ouvidas, eles foram salvos; mas atente às palavras dEle, enquanto alcançam e ferem nosso coração, em meio àquelas trevas terríveis: "Eu clamo... e tu não me ouves" (Sl 22.2). Não existe, portanto, resposta à pergunta? Bendito seja Deus, ela existe, caso contrário, adeus a qualquer esperança de paz para você e para mim. A fé encontrou uma resposta. De onde a tirou? Se os demônios, anjos, homens, não puderam fornecê-la; se Deus não o fez, qual a sua procedência? Ela saiu dos lábios dAquele que fora Esquecido! Ele justificou a Deus por Se esquecer dEle.

Quão precioso! Precioso e inconcebível! Repita isso sempre e jamais deixe que essa lembrança se apague. Ele justificou Deus por desampará-lo. Ouça as suas palavras benditas no Salmo 22.3, "PORÉM TU ÉS SANTO, o que habitas entre os louvores de Israel". Foi como se dissesse: "Sois tão santo que não poderias fazer menos que isso, em toda justiça, além de voltar as costas ao pecado, mesmo quando teu amado Filho o levava sobre Si". É verdade! Quando se trata de julgar o pecado, não pode haver alívio, nenhuma resposta, até que a taça da condenação se esgote.

Quanta solenidade, todavia quanta beleza nisso tudo! Como o pecador perturbado se sente atraído para esse precioso Salvador, enchendo seu coração de paz e fazendo-o transbordar de louvor. Que maior prova podemos ter então de que os pecados dos crentes em Jesus já foram julgados com justiça — julgados na pessoa de seu adorável Substituto? Deus pode ser agora então "justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3: 26) Eles não são justificados pelo fato de nada poder ser dito contra a sua pessoa, mas sim pelo sangue precioso que, de uma vez por todas, satisfez todas as acusações que o próprio Deus poderia fazer contra eles.

Adorai-Lhe, Adorai-Lhe,
Sua gloriosa obra consumou
Louvai-Lhe e Exaltai-Lhe,
Do pecador o juízo tirou
E sobre o Filho de Deus o lançou
".Está consumado" clamou em dor
na cruz ao morrer por mim
Fui culpado e pecador
Mas Cristo me salva assim.

Vemos assim que os pecados do crente não escaparam do castigo. O evangelho não fala de um Deus cujo amor foi expresso passando por alto o pecado, mas de um Deus cujo amor pelo pecador só poderia manifestar-se quando seus direitos santos contra o pecado tivessem sido rigorosamente satisfeitos e sua penalidade suportada até o fim.

"Que seja o pecado julgado"
Sobre a cruz está escrito.
"E o pecador libertado"
Oh gozo bendito!

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Os Novos Adoradores - Hebreus 10 - Hamilton Smith

O décimo capítulo da Epístola revela o caminho pelo qual o crente foi preparado para o céu. Sua consciência é purificada (vers. 1-18), para que ele possa agora entrar no santíssimo lugar em espírito (vers. 19-22), estar seguro em seu caminho através deste mundo sem hesitar ou voltar atrás (vers. 23-31), enfrentar a perseguição (vers. 32-34), e trilhar o caminho da fé (versículos 35-39).

Em Hebreus 9 aprendemos que um lugar no céu é assegurado a todo crente, não por qualquer coisa que o tenha feito, mas totalmente por meio da obra de Cristo e da posição que Cristo ocupa diante da face de Deus. Em Hebreus 10 aprendemos como essa mesma obra é aplicada à consciência do crente, a fim de que, mesmo aqui e agora, ele possa desfrutar e entrar em espírito nesse novo lugar. Para encontrar nosso lar com Cristo no próprio céu, é necessário ter uma consciência purificada. Os primeiros dezoito versículos de Hebreus 10 expõem claramente como esta consciência purificada é assegurada.

Em três passagens, em Hebreus 9 e 10, o apóstolo fala de uma consciência “perfeita” ou “purgada” ["purificada"]. Em Hebreus 9:9 ele afirma definitivamente que os sacrifícios dos judeus não podiam tornar o ofertante perfeito quanto à consciência. Novamente em Hebreus 9:14 lemos sobre a oferta perfeita de Cristo purificando a consciência de obras mortas para que o crente seja libertado para adorar o Deus vivo. Por último, em Heb 10:2, nos é dito que o adorador que tem uma consciência purificada é aquele que não tem mais consciência dos pecados. Aquele que tem uma consciência de pecados vive no temor de que Deus um dia o leve a julgamento por causa de seus pecados e, portanto, não possa desfrutar da paz com Deus. Não ter mais consciência dos pecados implica que esse medo do julgamento é removido, uma vez que Deus já lidou com todos os pecados do crente.

No entanto, embora Deus nunca irá levar o crente a julgamento por seus pecados, ele pode ter que lidar com sua correção se, como crianças, pecarmos (Hebreus 12:5-11). Uma consciência purificada não implica, portanto, que nunca pecamos, ou que nunca tenhamos a consciência do fracasso, seja passado ou presente, mas implica que todo temor de um julgamento futuro por causa de nossos pecados é inteiramente removido. Assim, uma consciência purificada não deve ser confundida com o que costumamos chamar de boa consciência. Se, por causa de um andar descuidado um verdadeiro crente falhar, sua consciência certamente ficará perturbada, e é somente pela confissão de seu pecado a Deus que ele recuperará uma boa consciência. Isso, no entanto, não toca a questão do perdão eterno de seus pecados, que lhe garante uma consciência purificada.

Segundo a lei, era impossível obter uma consciência “perfeita” ou "purificada". Os sacrifícios só podiam, no máximo, dar um alívio temporário. Cada novo pecado pedia um novo sacrifício. Se os sacrifícios pudessem dar uma consciência purificada eles não teriam sido repetidos. A lei mostrou, de fato, que um sacrifício era necessário para tirar os pecados, mas aqueles sacrifícios eram apenas uma sombra das coisas boas que haviam de vir, e não sua realidade. O sangue de touros e bodes nunca pode tirar pecados.

Como, então, é obtida uma consciência purificada? Os versículos seguintes respondem a essa pergunta, colocando diante de nós três grandes verdades:

Primeiro, a vontade de Deus nos versículo 5 ao 10; em segundo lugar, a obra de Cristo nos versículos 11 ao 14); e em terceiro lugar, o testemunho do Espírito nos versículos 15 a 18. — Hamilton Smith em "The Epistle to the Hebrews".


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Deus estava em Cristo - Um comentário de 2 Coríntios 5 - J. N. Darby

Há dois grandes aspectos do evangelho neste capítulo: primeiro, aquele para o qual somos chamados e para o qual fomos feitos aptos; segundo, o testemunho que Deus deu do pecado em nós e da obra de Cristo que resolveu o problema. É bom apreender o que é o chamado de Deus, a fim de saber o que é necessário para participar dele. Não há reconciliação da coisa velha, tal como ela é, mas existe uma completa reconciliação no novo homem. O julgamento do homem é pronunciado: "Agora é o juízo deste mundo" (Jo 12:31). As tratativas de Deus com o homem na carne terminaram, a carne foi deixada de lado para sempre. No novo estado de coisas introduzido por Cristo em ressurreição "todas as coisas são de Deus" (2 Co 5:18).

Quanto ao corpo, ainda não chegamos a isso, e por esta razão "desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Co 5:8). No momento em que nos apossamos de nosso chamado "para o seu reino e glória" (1 Ts 2:12) somos introduzidos na presença de Deus. Ele também está nos capacitando a apreender a glória. Repare que uma obra inteiramente de Deus deve ser feita para que o homem possa entrar na glória. Você poderia se colocar a si mesmo na glória de Cristo? "Quem para isto mesmo nos preparou foi Deus" (2 Co 5:5). A presença de Deus revelada à alma dá uma verdadeira e completa convicção de pecado. A pessoa já não se importa com o que o homem pensa, pois sabe o que Deus pensa.

O pecado é uma coisa vergonhosa, mas a presença de Deus produz pensamentos que estão além da vergonha. No momento em que a alma está diante de Deus, ela odeia e julga o pecado, não consegue pensar em escondê-lo, prefere estar na verdade diante de Deus — "há verdade no íntimo" (Sl 51:6). A vergonha do homem o leva à ocultação do pecado. A verdadeira luz de Deus manifesta tudo, mas quando o coração está alinhado com Deus ele fica do lado de Deus contra o pecado, e assim há perdão. Tudo fica bem quando olhamos para o que somos na presença de Deus. Somos chamados "para o seu reino e glória" (1 Ts 2:12) para sermos conformes à imagem de seu Filho. Temos uma vida, e a glória divina pertence a essa vida. É Deus quem justifica. Ele que está bem eu me enxergar assim, é o próprio Deus quem declara. É isso que eu quero, essa justificação completa e abençoada que se conecta com a glória — "...aos que justificou a estes também glorificou" (Rm 8:30). "Aguardamos a esperança da justiça" (Gl 5:5).

É assim que Deus nos chama em Cristo. Aquilo que é anunciado no evangelho é Cristo tal qual o homem é na glória divina. É o "evangelho... da glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Ts 2:14). A obra foi consumada para colocar o homem na glória de Deus. Essa coisa nova é o homem, o centro de toda a glória de Deus. Evidentemente isso será realizado oportunamente em Cristo, "de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Ef 1:10) — ou como é apresentado em Apocalipse, "a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21:23). É para essa glória de Cristo que somos chamados; ela brilha na alma.

Você está apto para essa glória? Se não, para que você está apto? Você não pode ficar aqui na terra para sempre. Para onde vai? Se não estiver na luz, deve estar na escuridão, que é o oposto dela. Não há meio-termo. Temos isso na parábola do filho do rei — Jesus havia falado antes em buscar fruto, agora ele está falando da graça que não procura nada, mas oferece uma festa pronta. Aqueles que são convidados são os que estavam nas estradas e valados, e não importa o que eles eram antes, eles devem estar vestidos com a roupa nupcial. O pródigo deve ter o melhor manto para entrar na casa, ele deve estar adequado à casa. Você, meu leitor, entendeu isso? Vemos o que é esse chamado, mas será que você pode se perguntar: "Tenho eu o que é adequado à glória para a qual estou indo?"

Talvez você esteja entendendo que o Senhor está guiando você neste sentido, mas se não tiver isto, para quê está apto? Ou você está do lado de fora ou do lado de dentro e vestido com a veste nupcial. "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2 Co 5:19). Acaso Jesus não se adequou a todos para conquistar seus corações? Ele veio trazendo o convite para os homens irem a Deus, mas não, eles não o queriam. Em troca de seu amor eles o odiaram, dando um terrível testemunho da completa ruína do homem. O ser humano está morto, apesar de estar vivo para si e para seus semelhantes, mas não há movimento de seu coração em direção a Deus. "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1:11). No entanto, em Cristo você encontra perfeito amor, não reprovação. Paulo viu a terribilidade do julgamento e começou a persuadir os homens. O amor de Cristo ainda está pressionando os homens à verdade de que estamos mortos, de que a conexão entre o homem e Deus está rompida e não pode ser restabelecida.

Será que a cruz anuncia que Cristo colocou o mundo em ordem? "Um morreu por todos", isso é amor indescritível, "logo todos morreram" (2 Co 5:14). Será que a sua alma já foi trazida à convicção de que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum"? Poderia você afirmar que se estivesse lá não teria condenado Cristo à morte? Poderia você dizer que ele não morreu por você, para lhe ajudar e purificar? Se não, então você deve dizer: "Estou morto, perdido, não tenho ligação no coração com Deus!".

A velha criação é uma coisa julgada e condenada; você, assim como todos filhos de Adão, pertence a ela. A questão é se você foi tirado dela. O homem emancipou-se de Deus; o que a infidelidade faz é justificar e proclamar este fato, estabelecer e cultivar a vontade do homem. Caim começou este mundo sem Deus. Ele foi e construiu uma cidade e a chamou pelo nome de seu filho. Eles tinham instrumentos de música e artífices ali — tudo para tornar o mundo um lugar agradável sem Deus. E é isso que o homem está fazendo até hoje, e se justifica dizendo que faz isso com as faculdades que Deus lhe deu, e é verdade. Mas qual é o estado moral do coração do homem? Acaso ele não está longe de Deus? Jesus "veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19:10).

Não estou perguntando se você se reconhece como perverso, mas se você se vê como perdido, morto! Por natureza rejeitamos a Cristo, todos os nossos pensamentos se agrupam em torno de nós mesmos. Ao invés de preferirmos a Cristo, preferimos o prazer, tudo o que há no mundo e nossa própria vontade. Esta é a condição de todos, naturalmente, e esta era a condição de cada um de nós, exceto daquele que não estava morto, daquele que era aceitável a Deus, o único que poderia ser, e que foi feito pecado por nós: Jesus. Ele ficou em nosso lugar. Ele, o santo abençoado, foi feito pecado. O poder vivificante de Deus nos mostra o pecado, mas vemos a coisa toda resolvida na cruz. Enxergo o que é a carne — ela crucificou a Cristo —, mas não estou mais nela, pertenço à nova criação. Estou em Cristo, que é a minha justiça, e me dá o direito de acesso. Encontramos o chamado para o reino e a glória de Deus. Vemos o véu rasgado, e Cristo do lado de dentro como Homem, e ao chegar lá, ele eliminou tudo o que éramos na carne. Temos que lidar com a carne diariamente como quem lida com um inimigo, mas quanto à nossa posição diante de Deus ela está resolvida. Em Cristo já entramos nesse novo lugar — "agora contudo vos reconciliou" (Cl 1:21); não existe mais nada entre mim e Deus. Somos introduzidos na glória de Deus. É certo que ainda aguardamos por isso em nossos corpos, e ele nos deu o penhor do Espírito.

Temos a reconciliação, mas reconciliação com quê? Com Deus. Cristo fez isso em conformidade com o que Deus é, e devemos julgar o pecado de acordo com o que Deus é. Quando obtemos o conhecimento disso? Agora, pela fé. Mas é algo que não podemos receber até que julguemos que trevas são trevas. Deus diz: "Onde está meu filho?" O mundo deve se declarar culpado de sua morte, pois não viu beleza em Cristo e agora prefere prazer, roupas, dinheiro, ciência, qualquer coisa ao invés de Cristo. Eu posso ainda ter que aprender muito, passar por muitos conflitos, mas se eu pertenço a Cristo estou reconciliado com Deus. "O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5:14) — este é o fundamento de todo o nosso caminhar.

Você pode ter vivido para si mesmo, ainda que muito decentemente, sem praticar o que o mundo chama de grandes pecados, mas há muitos inimigos decentes de Deus, e será que sua reputação valerá alguma coisa no dia do juízo? Um cristão pode não viver para si mesmo em propósito, mas será que você não estaria vivendo para si mesmo na prática? Você pode dizer que está ocupado com coisas inocentes, mas nada pode ser inocente longe de Deus. Você já julgou a si mesmo como pertencente a um mundo que rejeitou a Cristo? Temos de detalhar isso: a carne está continuamente se mostrando de formas inesperadas, todavia Deus condenou o pecado na carne. Ele perdoa pecados, mas a posição [o pecado] ele condenou, não perdoou. Você o conheceu, ele se fez pecado e fez de você justiça de Deus nele. Será que você pode afirmar: "Estou reconciliado com Deus, fui levado de volta para ele"?. Será que pode dizer. "Estou feliz por saber tudo sobre o meu pecado, 'sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos'"? (Sl 139:23). [traduzido de "God was in Christ" — 2 Corinthians 5 — J. N. Darby]

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Quem e' Deus? - J. Wilson Smith

Ao viajar outro dia com um amigo a bordo de um dos pequenos barcos a vapor que percorrem os cais do rio Tâmisa, foi nosso privilégio anunciar publicamente o evangelho aos muitos passageiros que lotavam o convés do navio. As circunstâncias ali não permitiram muito mais que a leitura da preciosa palavra de Deus para que escutassem.

Nosso tempo era, evidentemente, muito limitado e as pessoas estavam em constante movimento. Percebi que alguns escutaram, alguns se afastaram para não ouvir o som, alguns zombaram, alguns criticaram. O efeito foi diferente em diferentes casos; mas no final, e logo antes do nosso desembarque em nosso local de desembarque, um homem, que havia escutado apenas para criticar, fez a pergunta: "Quem é Deus?".

Ao olhar para ele, observei que ele estava bem vestido e, pela maneira de sua conversa, ele estava longe de ser ignorante; e, no entanto, essa era a sua pergunta — uma pergunta feita sóbria e solenemente, no centro da cidade mais civilizada do país mais civilizado do mundo! Bem, isso pode assustar! Não foi motivado, no entanto, pela ignorância, mas pela infidelidade — essa fria, desalmada, ousada companheira do ostentado iluminismo do século XIX, aquela geradora de dúvidas, que procura questionar a verdade, mas que nada pode resolver e nunca satisfaz.

A infidelidade era a mãe daquela pergunta blasfema. Ao ouvi-la, meu amigo deu esta bela resposta: "Deus é amor". "Não", disse o infiel: "Deus é ódio, pois Deus amaldiçoa". Meu amigo repetiu, "Deus é amor e Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16). Não ouvimos mais nada vindo daquele homem, mas tivemos de deixá-lo nas mãos daquele Deus que ama pessoas como ele, e que deseja que o tal seja salvo.

Pode-se perceber que meu amigo mais replicou do que respondeu. Ele mostrou mais o que do que quem Deus é.

Mas ao perguntar “Quem é Deus?” duas coisas foram admitidas; primeiro, que o próprio homem era ignorante de Deus e, segundo, que ele admitia em suas próprias palavras o estupendo fato de que “Deus é”. Ele não perguntou “Quem era Deus?”, no passado, como se perguntasse sobre alguma personalidade terrena que tivesse saído de cena, da qual ninguém mais tivesse ouvido falar. Mas ele perguntou "Quem é Deus?", no presente.

É verdade que Deus não pode ser visto nem ouvido, mesmo assim “Deus é”. ´É fato que o pecado pode ser abundante e desenfreado, mesmo assim “Deus é”. É verdade que podemos não observar alguma interferência milagrosa, mas mesmo assim “Deus é”. É verdade que os fundamentos do mundo podem estar abalados, mas ainda assim "Deus é". Os homens maus e enganadores podem ir de mal a pior, mas mesmo assim "Deus é". "Eu sou o que sou... EU SOU... este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração” (Êxodo 3:14-15). A fé crê nisso e age com base nisso. A infidelidade acha por bem negar e, apesar da Criação e da revelação, ousadamente questionar: "Quem é Deus?".

Vale lembrar que, quando o apóstolo Paulo estava na cidade de Atenas, ele viu um altar com esta inscrição: "Ao Deus desconhecido”. Pode-se compreender que a filosofia ateniense perguntasse “Quem é Deus?”. Mas poderia a Londres cristã ser colocada em pé de igualdade com a Atenas pagã, e uma declaração semelhante desse "Deus desconhecido” ser feita em nossos dias? Para os homens de Atenas, Paulo falou de duas coisas; primeiro, da responsabilidade do homem para com Deus, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17:28), e segundo, da indicação de um dia de juízo: "Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (At 17:31).

Agora todos os homens são responsáveis perante Deus e eles sabem disso. E a responsabilidade termina em juízo — um julgamento que abrangerá todos, exceto para "nós que já corremos para o refúgio" (Hb 6:18) — pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9:27).

Este é o claro e certeiro decreto de um Deus que não é desconhecido — é Sua determinação. Assim diz aquele precioso livro do qual Deus é o Autor. E agora eu faria ao meu leitor esta pergunta: Ao admitir e reconhecer que "Deus é", será que você O conhece? Você conhece a Deus? Esta não é uma expressão vã, não se trata de uma pergunta sem sentido. Conhecer a Deus é a bendita porção de todos os Seus filhos. Não se trata de saber algo sobre Deus na Criação, ou ao longo da história sagrada — trata-se de conhecer a Ele próprio.

Considerando que muitos de seus filhos estão pouco familiarizados com o “mistério da piedade” (1 Tm 3:16) e, ainda que conheçam a Deus, podem encontrar dificuldade em responder às objeções levantadas pela infidelidade,  eles “conhecem a verdade” (1 Tm 4:3). Esse conhecimento tem o efeito de produzir uma paz de espírito, do coração e da mente, mesmo sob as circunstâncias mais esmagadoras, sim, mesmo diante da própria morte. Isso faz com que esses sejam alvo da inveja de seus vizinhos, reconhecidamente mais sábios, porém infiéis. Quem não conhece a Deus não é Seu filho.

O conhecimento do bem e do mal foi adquirido pela desobediência dos nossos primeiros pais, e com esse conhecimento veio o pecado e a morte. Mas agora, no cristianismo, o conhecimento de Deus Pai é uma realidade na alma do crente pelo poder do Espírito Santo. e esta é a vida eterna. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (Jo 17:3). Por isso o apóstolo Paulo diz: "Eu sei em quem tenho crido" (2 Tm 1:12).

Por isso também foi escrito aos crentes da Galácia “agora que conheceis a Deus” (Gl 4:9). Fica claro, portanto, que Deus não só é revelado através da Palavra na Pessoa do Filho, mas é realmente conhecido nas almas de seus filhos. Eles já foram pecadores, como os outros, mas, despertados pelo Espírito de Deus para um sentimento de sua condição perdida, foram a Ele, pela fé, o mesmo que convida a todos. O crerem nele foram feitos filhos de Deus, e “porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4:6), é o que diz o registro divino.

Assim, para eles, Deus é conhecido, e a doçura dos ternos cuidados do Pai, do amor perfeito e eterno de um Salvador, e a alegria e o conforto do Espírito, proporcionam um prazer que é bem conhecido, fazendo com que a jornada através do vale terrestre de lágrimas, seja de paz e comunhão, até terminar na alegria da casa do Pai nas alturas.

E quando as névoas forem removidas,
E em Tua luz formos envolvidos;
Encontraremos Quem amamos mesmo ausente,
Veremos Quem adoramos quando silente.

J. Wilson Smith viveu entre 1843 e 1922 na Grã-Bretanha. Uma coleção de seus artigos foi publicada no livro "Thou Remainest" em 1919.

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Democracia 'a luz das Escrituras - F. B. Hole.

Atualmente, duas grandes ideias prevalecem no mundo, no que se refere à sua vida nacional, política e social. Elas são radicalmente diferentes, e na superfície totalmente inconsistentes uma com a outra, ainda que a atual tendência das coisas nos levaria a suspeitar que um caminho ainda possa ser encontrado pelo qual elas serão reunidos em um certo tipo de amalgamação; e a voz das Escrituras proféticas nos confirma nesta expectativa. As duas grandes ideias são respectivamente a democrática e a imperialista. Ambas já fazem parte do cenário.

A democracia se apresenta para nós como o produto acabado da sabedoria das eras. A história nos dá, pode-se dizer, o longo e desanimador registro de experiências humanas na arte do governo, e aproveitando a experiência passada, a ideia democrática evoluiu e agora domina o terreno entre as nações iluminadas. Para usar a famosa frase de Abraham Lincoln, democracia é o "governo do povo, pelo povo, para o povo". Na prática, a questão é que o povo deve ser governado pela maioria do povo. Já que as pessoas nunca são unânimes, a minoria deve ceder e essa maioria deve governar por seus representantes acreditados para o bem de todas as pessoas, e não apenas pelos interesses da maioria. Se isso realmente acontece é outra história.

A ideia imperialista tem como lema que "união é força". Na vida nacional, ela leva a grupos de nações e poderosas alianças e ligas. Na política, ela se expressa em grupos de partidos para conseguir juntos o que eles não podem esperar impor isoladamente. Socialmente ela produz trustes gigantes, federações de indústrias, sindicatos. O imperialismo ameaça até aparecer no mundo religioso na forma de uma federação de "igrejas". É realmente uma volta à velha ideia que animava os antediluvianos em seus esquemas em Babel. (Veja Gênesis 11:1-9).

Nossa preocupação atual não é de forma alguma com as vantagens ou desvantagens políticas da Democracia. Desejamos, no entanto, obter a luz que a Palavra de Deus derrama sobre ela, discernindo assim seu verdadeiro caráter, e antecipando o fim seguro ao qual o tempo a levará.

Em primeiro lugar, devemos investigar as Escrituras quanto ao caminho de Deus para o governo da Terra. Ele tem, é claro, uma opinião sobre o assunto, e quanto mais claramente o apreendermos, mais estaremos em posição de julgar qualquer teoria que o homem tenha proposto.

No começo, Adão, ainda não caído, foi colocado na posição de autoridade única. Ele era a imagem ou representante de Deus e tinha domínio sobre as classes inferiores dos seres criados (Gn 1:26). Nenhum pensamento de autoridade sobre os outros homens entra aqui. Este ponto não foi levantado até que o pecado chegou. Sua autoridade, como tal, era absoluta, e sua responsabilidade era somente para Deus.

O pecado invadiu a criação, um longo período decorreu durante o qual não havia mais autoridade delegada ao homem por Deus e, portanto, nenhum homem tinha autoridade sobre seus semelhantes. Essa idade terminou no dilúvio.

A primeira era pós-diluviana se abriu, porém, com mais uma delegação de autoridade. Noé e seus filhos depois dele foram responsáveis por manter os direitos de Deus no homem, especialmente no que diz respeito à santidade da vida humana. (Veja Gn 9: 5 e 6). Deus por este meio delegou a certos homens a autoridade sobre os homens, a qual chegava até a execução da pena capital. A autoridade patriarcal foi assim estabelecida.

Entre aqueles que logo depois afastam o temor de Deus "por haverem desprezado o conhecimento de Deus", como Romanos 1:28 coloca, esta autoridade evidentemente mudou sua forma. Não era mais de caráter patriarcal, mas caiu nas mãos de homens de destreza e renome, como Ninrode (Gn 10: 8-10), e depois da confusão do discurso em Babel, aparecem nações com seus "reis" (Gênesis 12:15; 14:1-2).

No entanto, aqueles que ainda temiam a Deus se apegaram à ordem patriarcal até que Deus intervisse para libertar Israel do Egito e levantasse Moisés. Isso marcou um novo começo. Moisés foi investido por Deus com uma autoridade no meio de Israel muito além do que a que Noé recebeu. É verdade que a princípio sua autoridade foi rejeitada. O malfeitor "o repeliu, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?" (Atos 7:27), mas lemos também que "a este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça." (vers. 35). Moisés era de fato "rei em Jesurum" (Deuteronômio 23:5), mas era um reinado de uma ordem informal. Corretamente falando, a Teocracia foi estabelecida em Israel com Moisés como porta-voz e mediador e, portanto, nesse sentido, rei.

Durante séculos, a autoridade que governava em Israel era dessa ordem, mas o poder dela diminuía; aqueles que a usavam eram muito inferiores em fidelidade e em vigor. "Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face" (Deuteronômio 34:10).

A fraqueza resultante levou a um clamor por um rei como as nações (1 Samuel 8:5), e após o episódio do rei voluntarioso da escolha do povo, Deus levantou Davi e estabeleceu autoridade real em uma base adequada. Ele deveria ser o governante do povo de Deus e o executor do julgamento de seus inimigos (2 Samuel 7:8, 9). Ele também deveria "alimentar" Israel de sua herança. Então ele os alimentou de acordo com a integridade de seu coração; e guiou-os pela habilidade de suas mãos (Salmo 78:71-72). A autoridade de Davi era absoluta e ele deveria governar. Ele deveria julgar se e como fosse necessário, mas também alimentar seus súditos e guiá-los. Sua regência era absoluta, mas totalmente benéfica.

Com o fracasso dos descendentes de Davi, a glória dela se foi e, finalmente, Deus transferiu a autoridade para as mãos dos gentios. Antes de tudo, foi confiada a Nabucodonosor, como declarado em Daniel 2:37-38, e embora o sonho do grande rei, como registrado naquele capítulo, prenunciava as mudanças que sobreviriam quanto às formas de governo, ainda assim mostrou que a autoridade que estava por trás do governo, qualquer que fosse sua forma, permaneceria nas mãos dos gentios até que a repentina execução da ira divina sobre o orgulho e abuso de todo o homem revestido de poder fosse um fato consumado. Então deveria aparecer o reino que "permanecerá para sempre" (Daniel 2:20), e esse reino deveria ser investido no Filho do homem, que exercerá domínio absoluto para a bênção dos homens (Daniel 7:13, 9). Ele ficará satisfeito, entretanto, em assumir seu posto e usá-lo em conexão com Seu governar os santos "do Altíssimo" ou "das alturas" (versículos 18, 22), e também um "povo" que possuirá o reino "sob todo o céu", isto é, no seu lado terrestre. Este povo, claro, é Israel.

Este rápido esboço do curso do governo entre os homens é suficiente para mostrar que uma característica marca tudo. A autoridade final é sempre Deus, e Deus somente.

Nenhum homem tem direito prescritivo de exercer autoridade sobre seus companheiros, a não ser que a tenha recebido de Deus. Por isso, em passagens como Romanos 13:1-6 e 1 Pedro 2:13-15 a obediência às autoridades dominantes é imposta ao cristão. O apóstolo Paulo nos diz: "não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas." (Nova Tradução).

Voltando agora do governo como nos foi apresentado nas Escrituras para a prática dele por aqueles a quem foi confiado na terra, nós imediatamente vemos que tem isso sido terrivelmente abusado, como tudo o mais que foi confiado ao homem caído. A tirania e o egoísmo floresceram em todos os lugares, e a história é um registro das longas e dolorosas lutas através das quais as nações mudaram de uma forma de governo para outra, ou introduziram modificações em seus vários sistemas governamentais, na vã esperança de evoluir para condições ideais. De todas essas mudanças, a Democracia é a mais recente, e seu advento não é surpreendente para qualquer um que seja versado nos abusos que lhe deram origem.

Comparando-a, porém, não com seus antecessores, mas com os ideais das Escrituras, que devem ser plenamente realizados na era milenar, vemos imediatamente que ela é mais irremediavelmente condenada do que qualquer outra forma de governo que já tenha aparecido; pela razão de que de maneira honesta e impiedosa depõe Deus como fundamento e fonte de autoridade e coloca o homem — isto é, "o povo" — em seu lugar. O abismo entre esses dois é tão grande quanto aquele entre o céu e o inferno.

Para o democrata radical, apenas uma questão realmente importa: a vontade do povo. Buscar saber o que pode estar certo ou, em outras palavras, procurar saber a vontade de Deus, é completamente irrelevante. O que o povo deseja é que deve ser considerado como sendo a coisa certa, e as funções de um governo verdadeiramente democrático estão em realizar os desejos do povo, ser o humilde servo da vontade do povo, seja essa vontade certa ou errada.

Neste assunto, como em todos os outros, a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo fornece ao cristão um teste supremo. Naquela hora solene, Pôncio Pilatos, o governador, era o representante de César e, em seu autocrático tribunal, Cristo foi denunciado. No entanto, em um momento incomum de fraqueza, a autocracia abdicou de suas funções. O registro é mostrado assim:

"Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!" (Mateus 27:24).

"Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu. Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido." (Lucas 23:23-24).

Como representante de César, Pilatos lavou as mãos de todo o negócio, enquanto, atuando como o poder executivo de uma democracia que dominava por apenas uma breve hora, “Pilatos decidiu fazer a vontade deles.” (NVI).

Do ponto de vista de um conjunto de princípios democráticos, isso pode ser aprovado como certo. De todos os outros pontos de vista, foi o erro mais escandaloso da história do mundo.

Voltando novamente ao sonho de Nabucodonosor, conforme registrado em Daniel 2, podemos agora estar mais capacitados a compreender o significado da argila que entrou na estátua quando a descrição chegou aos pés dela.

A visão de Daniel 7 estabelece o curso dos quatro grandes impérios gentios em suas relações entre os homens, e eles são retratados como animais selvagens em seus poderes de destruição. O sonho de Nabucodonosor, por outro lado, nos dá os mesmos quatro impérios, mas como estabelecendo o caráter e a qualidade de seus governos, e, portanto, o que os marca é uma deterioração constante nos metais que se sucedem.

Deus iniciou os "Tempos dos Gentios" com uma forma ideal de governo, embora o homem que exercia seu poder estivesse longe de ser o ideal. Que a forma era ideal é mostrado pelo fato de que Deus voltará a ela para a era milenar, quando o Homem ideal aparecer, por quem Ele "julgará o mundo em retidão", e todos logo terão paz e bênção.

À medida que os impérios se desenvolviam, os homens se desviavam do ideal de ouro e introduziam modificações humanas, e o governo tornou-se prata, latão (ou bronze) e ferro, à medida que mais e mais pensamentos divinos eram esquecidos e as políticas humanas surgiam.

É, no entanto, na última etapa do último império — o romano — que encontramos pela primeira vez a introdução da argila, uma substância não metálica. Esta era uma previsão evidente de que, antes do fim, deveria ser introduzido no sistema governamental predominante, um princípio que não deveria ser tanto mais uma modificação do antigo, como radical e fundamentalmente diferente. Por causa disso "assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil". A interpretação que Daniel faz do barro e do ferro misturados é que "misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro".

O sujeito "eles" desta passagem parece significar aqueles em cujas mãos nesse tempo repousa a autoridade.

Não hesitamos em ver aqui uma previsão da insurreição e prevalência de uma democracia nos últimos dias. A autoridade que encontra sua fonte em Deus, e aquela que encontra sua fonte no homem, são tão diferentes uma da outra quanto ouro, ferro ou qualquer outro metal do barro. As duas coisas podem ser misturadas — elas são em parte inextricavelmente misturadas em nossa atual teoria e prática de governo, mas apenas fraqueza e fragilidade são produzidas, e logo virá o golpe fatal administrado pela pedra "cortada sem as mãos".

Se alguém tiver dificuldade em reconciliar o que foi dito acima com as profecias sobre a vinda da cabeça de inspiração satânica para o renascido império romano, pediríamos a esses que lembrem de que, na prática, a transição da forma democrática para a imperialista é muito fácil. Deixe um homem de gênio transcendente aparecer, que parece incorporar em si mesmo o próprio espírito do "povo", e nada é mais fácil do que ele assumir por si mesmo os poderes que teoricamente pertencem ao povo, e o povo, inconstante e facilmente levado, ficará feliz em tê-lo assim. A carreira de Napoleão I, fruto da Revolução Francesa, é um exemplo disso. A "besta" vindoura de Apocalipse 13 surge "do mar", isto é, das massas do povo em estado de agitação e inquietação.

É, portanto, mais do que provável que esse "super-homem" que se aproxima sustentará de maneira bastante ardente as instituições democráticas na teoria, enquanto continua na prática o governo autocrático — ferro misturado com argila.

O leitor que pacientemente nos acompanhou até este ponto pode estar inclinado a perguntar o que esperamos conseguir ao escrever tudo isso, se tivermos, como dissemos, nenhum fim político diante de nós. Admitimos sem hesitação que nosso objetivo é uma separação muito mais completa do coração deste presente mundo maligno, para nós e para todos os crentes.

Bem, sabemos que nada além de um senso permanente da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, nosso Senhor, pode efetivamente elevar nossas almas acima do nível do mundo e de seus pensamentos, mas a exposição das políticas e esquemas mundiais à luz das Escrituras tem seu valor, e este tem sido nosso esforço atual.

Diz-se que a lâmpada da escritura profética em 2 Pedro 1:19 está brilhando em um lugar escuro ou "esquálido". Deixe a lâmpada lançar seus raios sobre os tão alardeados princípios da socialdemocracia e você verá como eles parecem esquálidos. O barro pegajoso pode ser dourado, mas certamente não é ouro! O cristão iluminado não irá gastar muito entusiasmo sobre ela.

E que luz clara as Escrituras lançam sobre a questão controversa de se um cristão deve votar e se interessar pela política em geral! Somos exortados a aceitar a posição de que não passamos de uma pequena engrenagem naquela máquina chamada "o povo", que usurpou para si aquela função na esfera do governo que pertence somente a Deus. Vamos cair nessa conversa? SIM! — se acreditarmos no "evangelho" humanista moderno que humaniza Jesus e deifica o homem. Mas se acreditarmos que a salvação não é do povo, mas do Senhor, NÃO!

O sistema mundial está condenado. Que não haja hesitação em nosso testemunho desse fato. As almas estão sendo resgatadas da catástrofe iminente pela abundante graça de nosso Senhor. É nosso buscá-las, dando testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo. Não desperdicemos tempo em vãs tentativas de escorar a estrutura capenga, mas ocupemo-nos naquilo que é a grande obra que nosso Senhor nos deu. Ser completamente para Ele e para Seus interesses, é estar completamente fora do sistema mundial e de suas esperanças.

Olhamos, não para um sistema aperfeiçoado de democracia, mas para "o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas." (Fp 3:20-21), e quanto a esta terra, nós procuramos o estabelecimento, pelo Deus do céu, do reino de Cristo que nunca será destruído, mas permanecerá para sempre.

“Democracy in the Light of Scripture” - F. B. Hole - extraído de “Scripture Truth” Vol. 12, 1920.


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